Gostosura ou Travessura

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Thanatos
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Gostosura ou Travessura

Postby Thanatos » 27 Oct 2006 00:44

Quando entrei no negócio de detective privado não vinha com a cabeça cheia de tretas como esses imbecis que viram meia dúzia de filmes com o Bogart e leram as novelas do Hammet e já se acham capazes de serem os maiores da cantadeira. Não. Eu sou um gajo lúcido e depois de 36 anos na PSP e quando a reforma veio autorizada o que me deu na bolha foi montar este negócio de detective privado sabendo de antemão que ia ser um trabalho chato como a potassa.

Entre andar atrás de maridos adúlteros e fazer algumas cobranças difíceis, o negócio não deixava muita margem para o glamour que o pessoal viciado em filmes norte-americanos da década de 40/50 pensava fazer parte da especificação laboral. De facto e durante os primeiros meses que montei a loja numa sala estéril da Torre 2 das Amoreiras tudo o que tive para me entreter foi a TV por cabo, as revistas de carros e os sites porno. Depois, e lentamente a conta-gotas, foram aparecendo os casos, alguns deles por via dos meus ex-colegas de esquadra que foram uns porreiraços em deixaram de cumprir a função para a qual os contribuintes arrotam o dinheiro nos impostos de forma a que eu tivesse umas migalhas, outros pela mais velha forma de publicidade, o boca-a-boca, não no sentido de linguado, mas no outro, aquele em que um cliente satisfeito – ou melhor uma cliente satisfeita, porque na maior parte das vezes a clientela é feminina – me recomenda a uma amiga. As mulheres são umas desconfiadas do caraças no que toca aos maridos e de vez em quando eles de facto andam a mijar fora do testo a maior parte das vezes os constantes atrasos são apenas umas inocentes escapadelas aos bares com os amigos em pós-laboral. Mas já se sabe como são as mulheres. Sempre de grão debaixo da asa. E o facto é que algumas vezes o sacanas lá têm o seu caso e resta-me documentá-lo suficientemente bem para que as encornadas esposas possam esmifrar o desgraçado o mais possível em tribunal.

Enfim há formas piores de um gajo passar os seus anos de reforma e no meu caso isto é tão fácil como tocar à corneta. Tudo o que preciso é um organizer com os contactos mais importantes, um telemóvel e um carro com gasosa para as voltas.

A vida ia singrando entre altos e baixos quando um belo dia entrou-me pelo gabinete a dentro a ruiva mais boazona em que eu alguma vez tive a sorte de pousar os orbitais. Não sei se estão a ver! A gaja era dinamite sobre pernas. E que pernas! O que trazia vestido, um curto saia-casaco em tweed, daqueles que sem mostrar muita carne revela quase tudo, quer pelo tamanho diminuto da saia, quer pelo decote avantajado do casaco, deixava adivinhar uma coxa que era um hino às mulheres. Quando a gaja entrou no gabinete com um ar blasé de quem já viu tudo e experimentou mais ainda, inundando-o com uma fragrância que associo a anúncios de Chanel 5 com Nicole Kidman, e sem sequer pedir licença, se sentou no cadeirão, cruzando negligentemente as pernas, foi como se a Segunda Vinda tivesse acontecido. Posso jurar sobre a Bíblia, e um raio me caia já sobre a cabeça, se não ouvi trombetas angélicas tal como diz o Bom Livro. Sacou dum cigarro impecavelmente contido numa cigarreira prateada, mais cara provavelmente que todo o meu rendimento desse ano, acendeu-o com um Ronson daqueles que um gajo já só consegue comprar no e-Bay e por uma boa maquia e depois de exalar duas baforadas de fumo para criar um ambiente mais propício à sua existência perguntou numa voz rouca e sensual: “É você o detective?”

“É o que diz ali na porta, madame” – respondo eu já meio refeito do choque inicial e começando a adoptar a minha atitude profissional número dois, a que eu reservo para gente que me cheira ter dinheiro.

(continua)
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Re: Gostosura ou Travessura

Postby Samwise » 27 Oct 2006 10:26

O primeiro parágrafo marca logo o tom. :biggrin:

De certa forma, este personagem faz-me lembrar o velho do "Vera no cimo das escadas", na sua forma quase cínica divagar sobre a realidade.

Mas tu és mau. Mesmo mau. Gostas de colocar aquela palavra (continuação) mesmo quando o interesse do leitor está no pico.

Se isto não é um caso de mulher-a-pensar-que-anda-a-ser-traída, então o que será?

De resto, e mesmo ao negar directamente a influência dos clássicos, esta abertura não podia ser mais "clássica" - a mulher fatal (diga-se: podre de boa) a entrar pelo escritório do detective experiente adentro.

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Re: Gostosura ou Travessura

Postby Thanatos » 27 Oct 2006 12:10

Não pretendo deixar cliché algum por usar. :devil:

E agora anda a dar-me gozo ter personagens já entradotes! É da idade.
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Re: Gostosura ou Travessura

Postby Thanatos » 28 Oct 2006 01:37

(continuação)

Puxou duma foto da algibeira do casaco e passou-ma para a mão. Mostrava um casal. A rapariga era evidentemente ela mas uns anitos mais nova. O rapaz era algo incaracterístico. Olhei para ela com expressão de “e depois?”

“Esse rapaz que aí vê é o meu namorado. Está agora no hospital a ser operado. Alguém mandou um bando de gajos baterem-lhe. Partiram-lhe as pernas. Quero que você descubra quem foram eles e quem os mandou. Precisa de saber o quê para começar?”

“Para já preciso de lhe dizer que normalmente recomendo sempre aos meus potenciais clientes, e quando o caso mete hospitais, a recorrem aos canais indicados, neste caso apresentarem uma queixa na polícia.”

“Não me venha com tretas dessas. A polícia vai apenas anotar a história dele num impresso de três vias e arquivá-lo no momento em que ele vire as costas para sair da esquadra. Eu quero é resultados.”

“Tem noção de que os resultados que me está a pedir são conducentes à ideia de que pretende fazer justiça pelas próprias mãos? Tem noção de que quem não tem problemas em partir pernas a homens, não hesitará em fazê-lo a senhoras? Pense bem no que se pode estar a meter.” - Eu nem sequer acreditava no que estava a dizer. Convencer uma cliente a não me contratar! E logo uma que evidentemente poderia pagar pela tabela máxima. Devia ser do perfume no ar. Estava a baralhar-me os sentidos. De qualquer forma era sempre de bom tom não parecer demasiado ansioso por agarrar os casos. Dava ar de gajo atarefado e sempre se podia pedir um pouco mais.

“Deixe ser eu preocupar-me com isso. Interessa-lhe pegar no caso ou não?”

Voltei a olhar para a foto, retornei o olhar a ela e com um ar que esperava ter o equilíbrio certo entre o resignado e o enfado, acenei com a cabeça. “Os meus honorários são 150 euros por dia mais despesas, incluindo transportes e ajudas de custo. Normalmente num caso destes demoro entre cinco a sete dias. Parece-lhe bem?”

“Perfeito. Quer já um adiantamento?”

“Não será necessário. Temos só de preencher alguma papelada. Se não se importa o seu nome e contacto.”

Depois de cumpridas as formalidades e feitas mais algumas perguntas para adiantar-me no caso, acompanhei-a à saída aproveitando para lhe tirar melhor as medidas em movimento. De facto era cá um naco que faz favor! Pena estar tão enamorada do pãozinho sem sal que não me via a ter nenhuma hipótese. Enfim, o mundo não é perfeito.

Uma hora depois estava no hospital a falar com o rapaz.

(continua)
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Re: Gostosura ou Travessura

Postby Pedro Farinha » 29 Oct 2006 11:05

Excelente, muito cinematográfico (mas a preto e branco), dá para "ver" as imagens enquanto se ouve a voz arrastada do detective em voz-off.

Quero mais :clap:

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Re: Gostosura ou Travessura

Postby Aignes » 29 Oct 2006 20:17

O tom em que tudo está narrado é excelente. Mais uma personagem engraçada.

E apesar da 'ruiva mais boazona' ser um pequeno insulto para o meu feminismo natural...os clichés estão muito bons.. :mrgreen4nw:
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Re: Gostosura ou Travessura

Postby Samwise » 30 Oct 2006 10:57

Hmmmm... isto cheira-me, subitamente (e sabe-se lá porquê :whistling: ), a... can' tell, can't tell!!! senão posso estar inadvertidamente a entrar com um spoiler para quem não reparou.

Ou então estou a fazer mais uma daquelas confusões megalómanas dentro da minha cabeça.

Em todo o caso, vamos ver.

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Re: Gostosura ou Travessura

Postby Thanatos » 30 Oct 2006 21:25

(continuação)

Quem quer que tenha feito o trabalhinho no rapaz devia ser profissional. Partiram-lhe as rótulas dos joelhos, efectivamente tornando-o dependente duma cadeira-de-rodas para o resto da vida e deram-lhe cabo da cana do nariz ficando assim muito parecido com uma daquelas personagens narigudas da série do Astérix. No meu entender o rapazinho até ficou com um perfil mais interessante. De pãozinho sem sal passou a ter “carácter”. Mas isto pode ser só a minha dorzinha de cotovelo a falar.

Posso não ser o gajo mais inteligente à face da Terra, e segundo alguns meus ex-colegas e a minha ex, não sou mesmo, embora eu prefira discordar, mas o puto escondia algo de mim. Durante todo o tempo que conversei com ele notei os típicos sinais dum mentiroso ou dum gajo que fala por meias-verdades. Três décadas na polícia habituam um gajo a topar à légua quando nos estão a endrominar. Bastava ver a forma como rolava os olhos ou como evitava olhar-me nas perguntas directas. A bomba tinha-me pedido que fosse discreto e que não revelasse que estava a trabalhar para ela. Não me cabia a mim questionar os motivos da cliente por isso apresentei-me ao fedelho como sendo um oficial da polícia vindo da esquadra pertencente à zona onde ele fora recolhido pela ambulância. Como sou um gajo que gosta de fazer o trabalho de casa liguei para um contacto meu na esquadra da zona e fiquei a saber que nem o puto nem a bomba tinham apresentado queixa por ofensas corporais. Tinha assim o caminho livre para representar o papel do polícia enviado ali a pedido do hospital, para recolher um depoimento. Quando o puto me ouviu dizer que era da polícia só lhe faltou esconder-se num buraco no chão, se buracos ali houvesse. Quem lhe fizera o trabalhinho tinha-o amestrado muito bem. Pacientemente sosseguei-o e lá fui pescando a verdade a anzol, separando o trigo do joio de toda a merda que o gajo me ia contando. Ao fim e ao cabo também não sabia muito. Não reparara nas caras dos atacantes, o que era perfeitamente normal visto que fora apanhado num estacionamento coberto às tantas da noite, e se há lugar mal iluminado são os estacionamentos cobertos. É até um milagre como o pessoal dá com os carros. Enfim, deve ser um sexto sentido que todos os automobilistas têm. Portanto o puto vinha duma sessão tardia de cinema quando foi surpreendido, não sabe se por três se por quatro gajos, que sem cerimónias desataram a desancar nele. Depois para ali ficou aos berros até que apareceu um casal que lá chamou uma ambulância. Escusado será dizer que o móbil do crime parecia ter sido o roubo já que o aliviaram da carteira, relógio e telemóvel. O habitual nestes casos. Habitual não fosse o caso de os roubos em Portugal raramente descambarem numa tal violência física.

Quando lhe perguntei se tinha inimigos sorriu e respondeu, “Quem não os tem?” logo acrescentando que contudo não pensava que tivesse inimigos capazes de chegarem aquele ponto.

Ao fim duma meia hora de interrogatório já tinha o suficiente para continuar. E para continuar tinha de passar pelo emprego do gajo. Se há coisa que aprendi é que os colegas adoram ser indiscretos sobre a vida uns dos outros e são muitas vezes verdadeiras fontes de informação. E tudo pelo preço duma bejeca num bar à hora da saída. Contas feitas estava no caso há umas duas horas e já tinha uma certeza. Isto era caso para demorar mais do que o habitual. Era um daqueles raros casos-cebola. Quanto mais se descascavam mais se ia encontrando. Pelo menos sempre eram mais divertidos que a mera caça à foto indiscreta do marido adúltero ou a cobrança de dívidas duvidosas. Neste ia ter de pôr os miolos a trabalhar.

Antes de seguir para o emprego do gajo, uma firma qualquer de software, tomei um gole de Pepto-Bismol numa casa de banho do hospital. Esta úlcera havia de ser a minha morte.

Apanhar um táxi livre junto aos hospitais é tão garantido como sair o euro-milhões. Tenho de me sujeitar à fila de espera na praça. Há anos que ando para me decidir a comprar um carro mas depois penso sempre que para trabalhar na cidade acaba por ser mais um impecilho que uma liberdade. Só o tempo e o dinheiro que ia gastar a estacioná-lo nem valia a pena. Ai que saudades dos tempos de esquadra! Enfim, o mundo não é perfeito.

(continua)
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Re: Gostosura ou Travessura

Postby Thanatos » 31 Oct 2006 14:53

Os leitores andam a ficar muito perspicazes! :wink:

Mas Dark Angel... repara se que assim fosse não fazia sentido... no "Vera..." está explicado que o Américo é que pagou para fazerem o trabalho, logo não faria sentido aqui ser ele o detective. Mas de resto tanto tu como o Samwise pelos vistos deram logo com a ligação. :thumbsup:
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Re: Gostosura ou Travessura

Postby Aignes » 31 Oct 2006 23:55

Aquela referência à úlcera ali no meio está demais... :mrgreen4nw:
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Re: Gostosura ou Travessura

Postby Samwise » 02 Nov 2006 13:02

A úlcera é mais um cliché, vindo das velinhas histórias de detectives, que o Thanatos não se escusou a deixar de fora do enredo. :tongue:

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Re: Gostosura ou Travessura

Postby Thanatos » 03 Nov 2006 00:17

(continuação)

Tal como esperava encontrei um compincha do miúdo que foi muito prestável no esclarecimento de muitos dos buracos na história dele. É de facto alarmante a quantidade de coisas que os colegas sabem da vida duma pessoa. E o que não sabem, inventam. Por este fiquei a saber que o rapaz tinha duas mulheres na vida dele. Uma já eu conhecera e à falta de melhor designação era a namorada oficial. A outra era uma rapariga com quem ele começara a andar há pouco tempo. O colega pensava que o gajo se preparava para dar com os pés na oficial e elevar o estatuto da “segunda”. Aparentemente o plano tinha-lhe saído furado. Ao fim de duas bejecas e um prato de amendoins já tinha um nome para continuar a investigação: Sofia Andrade.

Um par de telefonemas a contactos meus deram-me a morada de casa e do emprego da Sofia. Pelo avançado da hora já devia estar a ir para casa. Isto se não fosse menina de sair para a borga. Entretanto começara a chover o que já era habitual quando eu tinha trabalho de pernas para fazer. Resignei-me a ir de comboio até S. João do Estoril. Quanto menos gastasse em táxis mais me sobrava das despesas.

A moça morava num daqueles condomínios privados com segurança na entrada e tudo. Mais uma vez o antigo crachá da PSP deu-me jeito. As vezes que eu já abençoara o dia em que não entregara o dito cujo. É a melhor chave para certas “portas”.

Lá comecei a bater o couro ao segurança, investigação policial, blá, blá blá e devagarinho a princípio e depois já mais à vontade lá me foi informando das idas e vindas, dos horários da rapariga e das companhias que mantinha. Estes seguranças são umas bocas de trapo. Passam tanto tempo sozinhos que quando apanham uma orelha a jeito desfiam tudo. E eu sou uma boa orelha. Com as bejecas a fermentar no bucho lá fui anotando mentalmente mais umas quantas coisitas sobre a Sofia. Ao que parece a rapariga era amante do patrão, o que explicava viver ali, mas ultimamente chateara-se com ele e tinha começado a sair com o puto. O segurança ainda vira o amante ir ali uma ou duas vezes depois dela começar a sair com o puto mas dessas vezes saíra logo a seguir com cara de poucos amigos, sinal seguro de que as coisas não andavam nada bem. Já o puto quando ali aparecia só desandava lá pela manhãzinha. Ou então saíam os dois para só ela voltar já no dia seguinte. A rapariga mal parava em casa. Pelos vistos entre o emprego e a vida social acabava por não se dedicar muito ao papel de fada do lar.

Hoje estava em casa, tinha chegado há coisa duma hora e pouco. Para me manter no papel de polícia aos olhos do segurança lá fui até à moradia dela, devidamente pré-anunciado. Quando lá cheguei a tipa abriu-me a porta vestida em negligé transparente. Enquadrada na moldura da porta e a contraluz dava para ver as curvas todas através do tecido. E acreditem que eram cá umas curvas! Tinha de dar a mão à palmatória. O gajo podia ser um pãozinho sem sal mas no em matéria de fêmeas tinha bom gosto do caraças. É o que eu digo: dá Deus nozes a quem não tem dentes.

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