La Mort en Directe

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La Mort en Directe

Postby Thanatos » 07 Oct 2009 20:22

Ok, este é praí o meu primeiro conto em, quê, coisa de dois anos. Está inacabado, como aliás alguns outros que por aqui andam. Mas inacabado não significa esquecido. A seu tempo a porta abrir-se-á de novo e a musa cantará. Até lá tenham paciência.

O conto surgiu duma necessidade de escrever algo mais estruturado do que os textos caninos que tenho vindo a colocar aqui esporadicamente. No entanto este é um primeiro rascunho. Aliás todos os textos que estão aqui salvo um ou dois são primeiros rascunhos. Coo primeiro rascunho que é pode acontecer que na continuação algumas coisas não «encaixem» bem ou deixem de fazer sentido. É o que sucede quando se tem apenas uma ideia em traços gerais mas os pormenores não estão decididos. Além disso a minha escrita é muito evolutiva e vai ao sabor do momento, um pouco como se me estivessem a segredar ao ouvido o que eu deveria escrever. Por isso nunca me achei um escritor mas antes um copista. Lembram-se da musa de que falei mais acima? Pois. :wink:

Então sem mais delongas aqui vai the ultimate reality show on earth!

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Ele tentara perceber até onde iria o companheiro mas nenhum sinal o preparou para o que viria a acontecer. Por mais que tentasse não se lembrava se algures nos comportamentos, nas frases, nos trejeitos faciais do companheiro, existira um só indício de que ele viria a matar a rapariga.




Agora ela ali estava. De bruços numa poça de sangue que escorria lentamente – algum até já coagulara, formando pequenos montículos brilhantes e pastosos – para o ralo no centro da sala. Tudo acontecera à velocidade dum relâmpago. Uma discussão, uma estalada, uns gritos e de repente ele puxara duma faca de talhante e com dois golpes selvagens rasgara o peito da rapariga. Não ficou consciente mais do que uns vinte segundos, se tanto. Mas fora o tempo dele ver o brilho da vida a esmorecer nos olhos esverdeados dela. O companheiro, entretanto, largara a faca e saíra da sala. Só restava ele. Com o corpo moribundo ou talvez mesmo já morto. Ainda não arranjara coragem para se mexer do canto onde estava sentado e ir verificar se ela ainda respirava.




Onde estaria o Roberto? Uma coisa era certa, não tinha ido telefonar ao 112. Mas também não poderia ter ido muito longe. Estava na altura de meter alguma energia nos membros e sair daquela sala. Até porque o cheiro levemente adocicado do sangue estava a começar a mexer-lhe com os nervos.




Seguir o percurso do Roberto foi coisa de criança. Pisara o sangue e a marca do ténis seguia aos esses pelos corredores. Perto do piso de baixo começou a desvanecer-se e ao fundo do corredor principal já mal se via no chão sujo e gasto. Mas também já não tinha importância. Tornara-se evidente qual o destino dele.




O armeiro estava arrombado. As portas jaziam abertas de par em par e pelo chão em redor viam-se cartuchos de espingarda. Uma das espingardas estava em falta. Pegou no pé-de-cabra improvisado que seguramente fora o que Roberto usara para arrombar o armeiro e rapidamente quebrou o cadeado que prendia uma outra espingarda. Carregou-a e meteu ainda alguns cartuchos nos bolsos. Enquanto o fazia mantinha-se alerta a qualquer tipo de ruído que lhe indicasse a presença do companheiro. Decerto voltara à sala no piso superior para ver se ainda dava com ele. Pelo menos seria o que ele faria. Mas também o Roberto nunca fora muito previsível pelo que seria melhor não contar muito com essa possibilidade. Tinha de manter todas as alternativas em aberto. Isto se quisesse sair dali vivo.




Havia dois corredores a sair do armeiro. Um era aquele por onde tinha vindo. O outro dava a volta a parte do piso antes de passar junto às escadas que levavam ao piso superior. Também dava acesso à casa das máquinas, no piso subterrâneo. O dia estava quase a terminar e em breve, pontuais como sempre, as luzes do complexo ligar-se-iam. Mas se o Roberto quisesse fazer-lhe uma emboscada poderia pensar que a escuridão seria sua aliada e tentar desligar o disjuntor na casa das máquinas que, em teoria, poderia sobrecarregar o sistema e desligar toda a alimentação eléctrica. À mente veio-lhe a discussão quem em tempos tivera com ele sobre a hipótese de desligarem a electricidade na cerca que rodeava o complexo. A discussão deixara de fazer sentido quando os outros chegaram ao complexo. Não conseguia perceber até que ponto a loucura de Roberto estaria avançada ao ponto de fazer perigar a sua própria existência mas era mais um factor a ter em conta. Decidiu-se pelo caminho até à casa das máquinas.




A meio do corredor ao passar junto a uma porta aberta apercebeu-se do som de vozes vindo do exterior. Cautelosamente entrou na sala com vista para a parte de fora do complexo. Junto à cerca a multidão estava estática, muda e quieta. Desde que se tinham apercebido que não valia a pena lutarem contra a carga eléctrica na cerca era naquela imobilidade que ele, o Roberto e a Sara, se tinham habituado à presença deles. Alguns dos corpos ainda estavam pendurados na cerca onde a carga fatal lhes tinha cobrado a vida. Mas hoje algo estava diferente. Dois deles andavam para a frente e para trás e arengavam aos restantes. Nunca, desde que eles ali tinham chegado há duas semanas atrás, testemunhara um comportamento semelhante. Que se estaria a passar? Tentou ouvir o que eles diziam mas os vidros abafavam a inteligibilidade das palavras.
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Re: La Mort en Directe

Postby pco69 » 07 Oct 2009 22:32

Thanatos wrote:Ok, este é praí o meu primeiro conto em, quê, coisa de dois anos. Está inacabado,
(...)

Toutefois, nous attendons pour le reste
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...

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Re: La Mort en Directe

Postby Pedro Farinha » 07 Oct 2009 23:03

Muito interessante, mas tal como o pco (andamos a concordar demais camarada, tenho de ir ao analista) quer oesperar pelo resto antes de me pronunciar em definitivo.

Não sei porquê visualizei umas imagens que me fizeram pensar em Simon du Fleuve...

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Re: La Mort en Directe

Postby Thanatos » 08 Oct 2009 08:35

Pedro Farinha wrote:Não sei porquê visualizei umas imagens que me fizeram pensar em Simon du Fleuve...


Engraçado os referenciais que se formam nas mentes das pessoas. Para mim as «fontes» estão a ser outras.

Mais logo, se conseguir alguma paz de espírito volto ao mundo do Roberto, do Rafael e da Sara (sim, que isto é à la Marvel, nunca ninguém está definitivamente morto) :tongue:

Obrigado aos dois por virem cá dar uma espreitadela.
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Re: La Mort en Directe

Postby Thanatos » 08 Oct 2009 09:23

Fosse como fosse não podia perder muito mais tempo com aquilo. O lusco-fusco caía já sobre o deserto e tinha de se certificar que o companheiro não tinha sabotado a casa das máquinas. Regressou ao corredor retomando o caminho para o piso subterrâneo. Apesar de preocupado com as acções do outro continuava a martelar-lhe na cabeça a imagem dos dois doentes a discursarem à multidão. Era como se fosse uma peça de um puzzle que não encaixava em lado algum mas que nós sabemos que já tinhamos dado com o lugar dela em tempos.


Lembrou-se de quando tudo começara há menos de um mês atrás. Nessa altura um dos membros do grupo, quando eles ainda eram doze, dissera que aquilo parecia um mau remake do Dia dos Mortos-vivos. Na altura todos tinham achado muita piada. Mas depressa a piada perdera o gosto quando as comunicações com o exterior foram cortadas, os mantimentos deixaram de chegar e os monitores abandonaram sorrateiramente o complexo numa noite deixando-os entregues a si próprios. De repente o que fora um jogo para as audiências que mal sabiam dos estratagemas de bastidores tornou-se realidade nua e crua. Nunca percebera porque razão os monitores, os executivos e os técnicos que viviam com eles no complexo não os tinham levado com eles. Talvez pensassem que não tinham muitas hipóteses de sobreviver se levassem com eles uma dúzia de actores falhados, ou fora uma mera questão logística. No complexo havia duas carrinhas. Entre o pessoal da cadeia televisiva, os víveres para se manterem até atravessarem os 200 kms que os separavam das urbes e o gasóleo para a viagem devia sobrar muito pouco espaço para eles. Ou talvez a razão tivesse sido outra que não lhe ocorrera ainda. O certo é que tinham ficado trancados. Virtualmente impossibilitados de sair para o exterior. O que acabava por ser uma bênção porque de certa forma tal impedira também os infectados de entrarem. Mas agora estavam num impasse. Roberto decidira que duas bocas eram mais fáceis de alimentar que uma. Quanto tempo levaria até decidir que uma boca era ainda mais fácil de manter?




A porta para a casa das máquinas estava fechada. Quase ia a refazer os passos para trás quando do interior da divisão soou um ruído. Com a adrenalina a disparar colocou a espingarda a jeito e tentando que a voz não lhe tremesse disse:[list][*]Roberto, sei que estás aí dentro. Ouve-me, estou armado e não quero confusões. Manda a tua espingarda cá para fora e sai de mãos ao alto para conversarmos sobre isto.</li>[/*:m][/list:u]Aguardou uns instantes sem resposta. Sentia o sangue bombear-lhe nos ouvidos, os pulsos tremiam-lhe e o joelhos eram de borracha. Duvidava que caso o outro não obedecesse tivesse a presença de espírito suficiente para lhe dar um tiro. Ao contrário do currículo que tinha sido divulgado pela cadeia televisiva nunca pertencera a nenhuma força especial nem participara como mercenário de guerra em teatro de operações algum. E neste preciso momento lamentava imenso que a sua vida real não fosse igual à fantasia criada por um tipo qualquer num departamento de imagem e relações públicas.
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Re: La Mort en Directe

Postby Samwise » 08 Oct 2009 22:57

Bom, o que isto me faz lembra é a atmosfera do No Country for Old Man (filme) - ou seja, algo parecido a um western moderno, :mrgreen4nw:, e com algumas variações à Robert Rodriguez (Aberto até de madrugada).

O título sugere ainda outras associações cinéfilas...

Está interessante de seguir. Tem acção.
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Re: La Mort en Directe

Postby Thanatos » 09 Oct 2009 08:56

Samwise wrote:O título sugere ainda outras associações cinéfilas...


Ahhhhh! Eu sabia que alguém havia de tropeçar nessa referência. Chegaste a ver o filme? Eu vi-o quando passou cá no Ciclo de Ficção Científica promovido pela Gulbenkian/Cinemateca Portuguesa :smile:


Daqui a nada mais um pedaço do ultimate reality show. :wink:
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Re: La Mort en Directe

Postby Thanatos » 09 Oct 2009 10:03

Voltou a ouvir um ruído de algo pesado a ser arrastado. O outro estava a barricar-se dentro da sala. Sem saber bem o que fazer disse:

Não sejas parvo. Assim não vamos a lado algum. Que te adianta ficares aí dentro? Duvido que tenhas água e comida. Não tiveste tempo. E que tal se conversássemos como gente adulta?

O ruído cessou abruptamente. Chegou-se perto da porta e pensou conseguir ouvir uma respiração ofegante do outro lado. Bateu com a coronha na porta mas continuou sem resposta. Afastou-se. Não ia perder mais tempo ali. Foi até à base das escadas para o piso térreo e verificou que as luzes se tinham ligado ordeiramente como era habitual. Fosse o que fosse que o Roberto tinha ido fazer à sala das máquinas não fora mexer no disjuntor. Ou então ainda não ocorrera nenhuma sobrecarga. E se ele fosse esperto e desligasse todos os sistemas que consumiam energia mas não faziam grande falta talvez conseguisse evitar que a central queimasse. Desde que entretanto nenhum dos infectados se lembrasse novamente de tentar trepar a cerca. Correu pelos corredores até ao centro de operações onde estava a maior parte do equipamento de som e imagem. Na pressa de fugirem os técnicos tinham deixado tudo ligado e se havia algo dispensável dentro do complexo eram aqueles sistemas.

O centro de operações ficava no coração do piso térreo e não era suposto aos participantes irem lá mas, naturalmente, quando ali tinham chegado o produtor fizera um tour do complexo com eles e uma das paragens tinha sido precisamente o centro. Na altura tinham ficado maravilhados com a quantidade e qualidade do material que havia lá dentro. Recordava-se de ter tentado determinar a posição das câmaras ocultas mas os técnicos eram profissionais e quando eles passaram por ali metade dos monitores estavam desligados e os que trabalhavam mostravam inócuas imagens do exterior. Nada que lhe aproveitasse. A porta estava, tal como calculara, trancada mas duas coronhadas bem assentes rebentaram a fechadura. O interior estava iluminado pelo brilho de dezenas de monitores mostrando imagens de todos os cantos, salas e corredores do complexo. Será que era boa ideia desligar as aparelhagens? Tinha ali uma boa base de operações. Dali controlaria os movimentos do outro. E até tinha uma divisão pequena onde estava um mini-frigorífico e alguns enlatados. Não precisava de muito mais. O Roberto em breve teria de abandonar a casa das máquinas. Sem água e comida não ia aguentar muito tempo. Ia ser uma mera questão de tempo e paciência. E tinha ambos de sobra. Preparou-se. Começou por fechar a porta de entrada e meter-lhe uma cadeira a fazer pressão na maçaneta. De seguida abasteceu-se com uma garrafa de água e um pacote de bolachas. De momento era tudo o que conseguia comer. A memória do sangue da Sara a escorrer viscosamente para o ralo ainda estava bem vívida. A mesa de controlo era algo complicada mas alguém tivera o bom senso de etiquetar os botões mais importantes duma forma inteligível. Tinha assim a possibilidade de colocar em qualquer monitor imagens fornecidas pelas câmaras ocultas em todo o complexo. Tinha até a hipótese de ligar câmaras de infravermelhos. As imagens era de alta definição e se quisesse conseguia ter também áudio. Uma maravilha! Sabia que era possível programar a ordem das câmaras para ter uma vista geral do complexo a cada cinco segundos no monitor principal mas isso estava acima dos seus conhecimentos actuais. Ficou-se por ir fazendo um zapping entre as várias câmaras para ter uma ideia de quantos pontos de vista tinha ao todo.

Passou por cento e cinquenta antes de perder o conto.
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Re: La Mort en Directe

Postby Samwise » 09 Oct 2009 10:45

Thanatos wrote:Ahhhhh! Eu sabia que alguém havia de tropeçar nessa referência. Chegaste a ver o filme? Eu vi-o quando passou cá no Ciclo de Ficção Científica promovido pela Gulbenkian/Cinemateca Portuguesa :smile:


Não vi, mas o título gerou ondas concêntricas na minha memória... :wink:

É algo que se recomende?
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Re: La Mort en Directe

Postby Thanatos » 09 Oct 2009 10:49

Samwise wrote:
Thanatos wrote:Ahhhhh! Eu sabia que alguém havia de tropeçar nessa referência. Chegaste a ver o filme? Eu vi-o quando passou cá no Ciclo de Ficção Científica promovido pela Gulbenkian/Cinemateca Portuguesa :smile:


Não vi, mas o título gerou ondas concêntricas na minha memória... :wink:

É algo que se recomende?



Eras capaz de gostar. Não conheces Tavernier?
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Re: La Mort en Directe

Postby Samwise » 09 Oct 2009 11:03

Thanatos wrote:Eras capaz de gostar. Não conheces Tavernier?


Nada. Vi 1(um) filme dele. Um policial realista de que já nem me recordo o nome.
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Re: La Mort en Directe

Postby urukai » 09 Oct 2009 20:07

Gostei.
Continua......

Assim, enquanto espero pelo 66 tenho algo para me adocicar a memória e excitar os sentidos.

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Re: La Mort en Directe

Postby azert » 09 Oct 2009 20:13

Ainda não li o texto (estou sem pc e só venho à net de vez em quando, na casa de alguém), mas já li a introdução e concordo com o que dizes: "(...) a minha escrita é muito evolutiva e vai ao sabor do momento, um pouco como se me estivessem a segredar ao ouvido o que eu deveria escrever." Sinto o mesmo em relação ao que eu escrevo, de tal forma, que por vezes fico espantada ao ler algo que escrevi, pois não me parece ter sido escrito por mim.
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Re: La Mort en Directe

Postby Thanatos » 10 Oct 2009 11:51

Acordou sobressaltado. Algo estava errado. Presentiu-o como uma onda de frio pela espinha abaixo. Revirou-se na cadeira onde adormecera e à primeira vista não viu nada de anormal. Os monitores continuavam a mostrar imagens do complexo, o suave vibrar eléctrico dos discos rigídos dos computadores e do restante equipamento mantinha um som de fundo encantatório. Mas algo estava errado. Levantou-se e foi então que reparou que a cadeira que metera a trancar a porta estava derrubada. Teve novo calafrio. A porta ainda estava fechada. O Roberto estivera ali dentro e saíra. Mas isso não fazia muito sentido. Além do mais como é que o barulho da cadeira a cair não o acordara? A menos que... a menos que tivesse acordado precisamente por causa da cadeira! O Roberto estava do outro lado da porta!

Freneticamente tentou localizar o monitor com a câmara apostada à entrada do centro de operações. Pegou na espingarda atabalhoadamente e apontou-a à porta enquanto tentava passar para o monitor principal as imagens do lado de fora. Por fim conseguiu. Mas as imagens não lhe mostraram vivalma do lado de fora. O corredor permanecia vazio. O Roberto, ao som da queda da cadeira, devia ter fugido. Olhou rapidamente para os outros monitores mas era como procurar uma agulha num palheiro. Ainda não estava familiarizado com os ângulos e eram demasiadas câmaras que faziam zapping em cada monitor. Por baixo de cada monitor alguém tinha colocado etiquetas: SECÇÃO 1; SECÇÃO 2 e assim por diante. Mas sem um mapa de correspondência não fazia ideia a que parte do complexo pertencia cada secção. Mesmo em imagens de alta definição era difícil distinguir o que era o quê.

Percebeu que não ia conseguir ficar ali fechado com o espírito sossegado. Não tinha forma de trancar melhor a porta e o Roberto não ia desistir enquanto não o matasse. Já não lhe restavam dúvidas das intenções do outro. De alguma forma o que começara por ser um embuste televisivo acabara por tornar-se realidade. Era um jogo de gato e rato. Mas quem era o gato e quem era o rato?
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Re: La Mort en Directe

Postby Thanatos » 11 Oct 2009 22:31

Um após outro desligou os monitores até deixar apenas o principal. Dividiu-o em quatro imagens. Com paciência haveria de apanhar o outro em falso. Sentou-se para ficar mais confortável e passou-se meia-hora até que lhe ocorrer que não teria sido possível ao Roberto saber que ele tinha adormecido. Mas a menos que o outro tivesse acesso a alguma câmara oculta dentro da própria sala como poderia ele ter adivinhado o momento mais propício para ir arrombar a porta? Havia ali algo que não batia certo! E só havia uma forma de perceber o que era. Levantou-se e saiu a correr do centro de operações.

A porta da casa das máquinas continuava bloqueada. Bateu forte com o punho.

- Roberto, ouve, temos de falar. A sério. Acho que não estamos sozinhos. Há mais alguém cá dentro. Ouve, eu sei que podes achar que isto é tudo um truque mas ao menos ouve-me.

Passado um momento ouviu o barulho de algo pesado a ser arrastado e por fim a porta entreabriu-se numa nesga. Por ela espreitou o olho assustado do Roberto:

- Podes falar. Estou a ouvir-te. Mas antes disso pousa a espingarda. Como prova de confiança, percebes? Vá lá Rafael. Estou desarmado. Queres ver-me as mãos?
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