Eu também

Maloveci
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Eu também

Postby Maloveci » 10 May 2007 23:46

“ Eu também”


Um dia de chuva que parecia mais um dia de choro/lágrimas.
Elas, as gotas de chuva, batiam no vidro do carro constantemente sem nunca parecerem querer parar, mas o meu estado de espírito hoje também era assim.
Dei por mim dentro do carro, sem conseguir sair daquele local após mais um dia banal de trabalho.

Mas o dia nem foi de tristeza, nem de preocupações, foi apenas mais um dia.
Era daquelas sensações que todos uma vez na vida experimentamos … um dia sem rumo.
Mas aquela sensação de vazio estava a prolongar-se por muito tempo e eu senti-me perdido e … olhando para o telemóvel não sabia a quem telefonar, naquela infindável lista de números, não sabia quem me poderia colmatar aquele silêncio estúpido e sem razão, porquê, porquê???

Um arrepio ao nível do coração, talvez seja a melhor maneira de descrever este sentimento.
A vista que eu estava a ter da rua cada vez mais se desvanecia e desta vez não pela quantidade de gotas de chuva lá fora mas sim por aquelas gotas de água salgada que me caíam da face. Há muito tempo que não sentia esta acidez na boca, apesar de gostar desta sensação porque desanuvia-me a alma.

Mãos no volante em postura de suplicio, foi assim que imóvel e sem saber mais o que fazer, adormeci. Mas não foi um adormecimento normal de quem tem sono, foi mais uma maneira de apagar por breves instantes aquele desassossego de lágrimas.
Não sei quanto tempo passou nesta sonolência, até sentir uma mão calorosa a passar-me pelos cabelos, talvez tenha sido uma eternidade, porque há uma eternidade que não tenho uma mão assim a amparar-me.

Desloquei o olhar lentamente por cima do ombro e vi uma imagem linda, que dentro daquele espectro em que me encontrava, iluminava qualquer imperfeição do mundo.
Há muito tempo que não observava algo lindo assim, há muito tempo mesmo.

Perguntou-me porque estava tão triste e lavado em lágrimas, porque ela estava ali para me fazer ver que o mundo é uma conquista todos os dias e que podia contar sempre com ela.
A conversa prolongou-se por uma enormidade de tempo, mas agora já não me importava que fosse eterno porque em pouco tempo demos por nós a contar as amarguras da vida, aquelas que me atormentam todos os dias, mas …que importa haver um tal discurso entre duas pessoas que se conheceram em pouco tempo?

O que é interessante sim é saber que do nosso lado temos alguém que se importa com o nosso estado de espírito e também fica triste por nós, mas que tem uma voz amiga para proferir palavras como: “és um querido”, “não fiques assim” ou mesmo um “estou aqui”.
Contou-me que uma das suas mágoas (e talvez a maior delas) foi ter descoberto que nem sempre conhecemos as pessoas e que elas de um momento para outro se transfiguram em seres loucos e sem razão.
Não vi se chorou após ter explanado estas palavras mas desta vez fui eu a dizer-lhe: “estou aqui”.

No meio de todo este discurso disse-me: “gosto muito de falar contigo”.
Levantei a cabeça que estava no seu colo e sussurrei-lhe ao ouvido …Eu também.



(Dedicado à ...)
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Re: Eu também

Postby Samwise » 15 May 2007 10:42

Olá, Maloveci...

Gostei muito de ler o teu texto, não pela vertente estilística, mas pelo sentimento dominante.

Tomei a liberdade de o re-escrever ao meu modo. Espero que não te importes com a ousadia. :bye:



“ Eu também”


Um dia de chuva. Um dia que mais parecia um dia de choro e lágrimas.
As gotas de chuva batem no vidro do carro constantemente, não parecem querer parar, e o meu estado de espírito hoje também é assim.
Após mais um dia de trabalho, dou por mim dentro do carro sem conseguir sair do local onde estou estacionado.

O dia nem foi de tristeza, nem de preocupações, foi apenas mais um dia.
É daquelas sensações que uma vez na vida todos nós experimentamos: um dia sem rumo.
A sensação de vazio prolonga-se por muito tempo; sinto-me perdido. Olhando para o telemóvel não sei a quem telefonar - a infindável lista de números -, não sei quem me pode colmatar este silêncio estúpido e sem razão. Porquê, porquê???

Um arrepio ao nível do coração, talvez seja a melhor maneira de descrever este sentimento.
A vista que eu estou a ter da rua cada vez mais se desvanece e, desta vez, não pela quantidade de gotas de chuva que caem lá fora, mas sim por aquelas que me escorrem pela face. Há muito tempo que não sentia esta acidez na boca, e, apesar de tudo, gosto desta sensação: desanuvia-me a alma.

Mãos no volante em postura de suplicio, é assim que, imóvel e sem saber mais o que fazer, adormeço. Não é um adormecimento normal de quem tem sono, é antes uma maneira de apagar por breves instantes o desassossego das lágrimas.
Não sei quanto tempo passo nesta sonolência, até que sinto uma mão calorosa a passar-me nos cabelos. Talvez tenha sido uma eternidade, porque há uma eternidade que não tenho uma mão assim a amparar-me.

Desloco o olhar lentamente por cima do ombro e vejo uma imagem linda, que, dentro deste espectro em que me encontro, elimina qualquer imperfeição que haja no mundo.
Há muito tempo que não observo algo tão lindo assim! Há muito tempo.

Pergunta-me porque estou tão triste, lavado em lágrimas. Ela está ali para me fazer ver que o mundo é uma conquista todos os dias e que posso contar sempre com o seu apoio.
A conversa prolonga-se por uma enormidade de tempo. Já não me importo que seja eterno porque aos poucos e poucos dou por mim a contar as amarguras da vida, aquelas que me atormentam todos os dias.
Mas que importa haver tal discurso entre duas pessoas que se conhecem em pouco tempo?

O que interessa é saber que do nosso lado temos alguém que se importa com o nosso estado de espírito, que fica triste por nós, mas que tem uma voz amiga para proferir palavras como: “és um querido”, “não fiques assim”, ou mesmo “estou aqui”.
Conta-me que uma das suas mágoas (talvez a maior delas) foi ter descoberto que nem sempre conhecemos as pessoas e que elas, de um momento para outro, se transfiguram em seres loucos e sem razão.
Não vejo se chora após ter explanado estas palavras, mas desta vez sou eu a dizer-lhe: “estou aqui”.

No meio de todo este discurso diz-me: “gosto muito de falar contigo”.
Levanto a cabeça, que está no seu colo, e sussurro-lhe ao ouvido … "Eu também".




Sam
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

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Re: Eu também

Postby Maloveci » 16 May 2007 00:30

Samwise wrote:Olá, Maloveci...

Gostei muito de ler o teu texto, não pela vertente estilística, mas pelo sentimento dominante.

Tomei a liberdade de o re-escrever ao meu modo. Espero que não te importes com a ousadia. :bye:


Problemas na escrita... não é? :unsure:
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Re: Eu também

Postby Samwise » 16 May 2007 09:36

Não lhe chamaria "problemas"... as ideias estão lá e são facilmente perceptíveis - de tal modo que o texto me atingiu, fazendo com que me identificasse com ele.

É talvez algum descuidado com o "depois", com a revisão, com os ajustes que lhe permitiriam ficar mais enxuto, mais fluído, gramaticalmente mais correcto.

Sam
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Re: Eu também

Postby Maloveci » 18 May 2007 07:59

Samwise wrote:Não lhe chamaria "problemas"... as ideias estão lá e são facilmente perceptíveis - de tal modo que o texto me atingiu, fazendo com que me identificasse com ele.

É talvez algum descuidado com o "depois", com a revisão, com os ajustes que lhe permitiriam ficar mais enxuto, mais fluído, gramaticalmente mais correcto.

Sam


Foi escrito ao volante do meu carro (parado claro ih ih ih ) e depois passei para o PC, sem muita revisão, foi de impulso, percebes? Precisava que alguém o visse :crying:
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