Festa D'escrita

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Samwise
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Festa D'escrita

Postby Samwise » 21 Jul 2006 13:25

Conversando alegremente, os dois… Seria possível? Nunca acreditaria se não tivesse assistido em pessoa ...

Esta história, chamemos-lhe assim por uma questão de comodidade, iniciou-se precisamente no nada.

Certo, certo, já sei: cliché!

Vejo-vos a abanar a cabeça, desiludidos, a desviarem os olhos para o chão e a pensarem que não há nada de original nestas minhas palavras. O funeral está feito antes de haver cadáver. Reclamam os senhores com alguma razão: tudo nasce do nada e a imaginação não é excepção. Mas deixem-me (posso?) abrir um parêntesis a este "nada". Não é um nada no sentido mais estrito, não! É mais um nada no sentido em que de facto não há história nenhuma. Este texto representa esse nada, essa ausência de ideias. É uma história acerca de não haver história.

Compreendo que lhes seja difícil interiorizarem este conceito, assim sem mais nem menos, assim sem nenhuma base de sustentação concreta... mas continuem a ler, caros senhores, por favor recorram à vossa boa fé, e asseguro-lhes que entenderão melhor as minhas intenções e motivações no final da leitura.

Há largos meses que andava às voltas na minha cabeça aqueeeela vontade de escrever um algo. Um texto, um conto, uma história, uma noveleta, um livro... um algo, sei lá - qualquer porra de coisa! Aposto que os senhores já sentiram essa vontadezita pelo menos uma vez na vida.

No meu caso, com o tempo, a vontade deu lugar a uma necessidade. Todavia, sempre que pousava os dedos sobre o teclado plástico-marfim e olhava aquela tela onde apenas se podia ler "Samsung - Flatron" e "Notepad", parecia-me que a mente se me esvaziava, como se o cérebro, assim repentinamente, tivesse decidido adormecer sem qualquer notificação. Eu bem que puxava por ele: abanava-o, berrava-lhe insultos aos ouvidos, despejava-lhe baldes de água gelada em cima, mas ele nada. Ressonava que nem o Pavarotti depois de uma boa pratada esparguete à bolonhesa. E assim ficávamos durante horas e minutos, eu e o meu amigo encéfalo, a queimar mais um pouco a retina ocular, às voltas com o eco do nada nas paredes cranianas.

Ocorreu-me escrever sobre uma página em branco. Talvez até fazer um livro inteiro de páginas em branco. Havia de fazer inveja aos blocos de notas, aos cadernos de apontamentos e aos fólios de diário. Depois descobri que alguém já tinha tido essa ideia. Ou pelo menos já havia iniciado o trabalho... Merda para ele!

Em desespero de causa, decidi tentar uma abordagem mais racional, e perguntei-me o que fazer quando não há ideias, quando estamos no ponto zero, no ponto "nada". Uma resposta lógica surgiu de imediato: que tal socorrer-me de quem de saber?
Dito e feito.

Organizei uma festa com toda a pompa e circunstância, e convidei algumas das grandes personalidade do meio literário. Alguém havia de me ajudar, julguei. Ou, pelo menos, de me orientar e indicar alguns caminhos plausíveis.
Tirando alguns pequenos incidentes - e já vamos falar deles - a festa revelou-se um sucesso, tendo-me alguns dos presentes congratulado posteriormente e apontado o pioneirismo e importância do acontecimento. Elogios que não ouvimos todos os dias.

Mas à festa...

O primeiro a chegar, creio importante esta menção, foi Sua Excelência o Doutor Vocabulário. Tocou à campainha dez minutos antes da hora marcada e apareceu trajado como se viesse atender a uma recepção diplomática: sapatinho polido, calça vincada nas dobras de alto a baixo, camisa branca acetinada, cravo na lapela e laçarote ao pescoço, casaca a condizer, e, por cima disto tudo, uma cartola de três palmos ao alto que lhe escondia a careca. Cumprimentou-me com uma vénia demorada, enfiou as luvas na cartola e passou-me o conjunto para as mãos juntamente com a bengala. Digo-vos uma coisa, o homem pertence à velha guarda; é daqueles que não verga na vontade por dá cá aquela palha! Entrou hirto, caminhado lentamente, de mãos atrás das costas, e foi elogiando o meu gosto pela decoração do hall, do corredor e finalmente da sala de festa. Enviuvou recentemente, sabiam? Manteve um matrimónio feliz durante mais de cinquenta anos com a Duquesa Cultura Geral, que, para seu infortúnio, veio a falecer de uma doença degenerativa da mente. Acerca de Sua. Exa., sabe-se que guarda um saber verdadeiramente enciclopédico na memória, e que traz na ponta da língua tudo o que de termos há escritos na última edição do dicionário universal da língua portuguesa - obra, recordo-vos, que se encontra dividida em 42 volumes com cerca de 600 páginas cada um.

Uma hora volvida e a sala estava cheia de vida, a resplandecer de graça e claridade.

Quem olhasse para o espaço ao pé da varanda podia observar, em conversa animada, Mestre Índice e Dra. Pontuação. Falavam provavelmente acerca daquelas linhas de pontos que medeiam entre uma entrada na lista do índice e a respectiva página no livro. Ou então sobre a falsa problemática da dicotomia entre o ponto final simples e o parágrafo. Notava-se que a Dra. Pontuação estava um pouco tocada pela bebida, pois uma corzita fulva irrompia-lhe pelas maçãs do rosto acima e as sobrancelhas arqueavam-se ligeiramente pelo meio, assemelhando-se a do lado direito a um assento grave e a outra a um agudo. Quando falava, a ponta do nariz esticava para baixo e curvava, qual ponto de exclamação bem desenhada, e a boca formava um V invertido que fazia lembrar um acento circunflexo. Estava com cara de Acentuação, por assim dizer. Volta e meia olhava em redor, à procura das suas filhas, as Manas Reticências, crianças gémeas à nascença, agora na flor da idade, que corriam pela sala em fila indiana, infligindo todo o tipo de tropelias aos convidados. Quando a da frente travava, lá vinham as outras duas a encarrilar-se-lhe costas adentro. Pareciam pinguins à desfilada. Não se lhes conseguia ensinar as boas maneiras; sempre que alguém tentava incutir-lhes algum bom senso, as catraias fugiam descaradamente a meio do sermão, deixando o pobre pregador pendurado a meio de uma qualquer frase mais ríspida.

No centro da sala, junto à mesa dos queijos e salgados, havia-se juntado um quarteto de peso. Tínhamos então a Sra. Dra. Perífrase, que muito gostava de cochichar com o Dr. Vocabulário acerca de assuntos complicados - coisa que estava a acontecer nesse preciso momento -, o Sr. Neologismo, um tipo vanguardista que trazia sempre novidades de montra para contar, e o Eng. Estrangeirismo, uma espécie de freelancer no seu ramo de negócio, um dandy com ares de yuppie, que gostava de coleccionar flirts ocasionais com misses de estatuto, e que irritava por demais o Dr. Vocabulário de cada vez que abria a boca. Ultimamente parecia não se calar com essa coisa dos blogs. Modernismos, retorquia divertido o Sr. Neologismo.

Ao pé da mesa dos drinks (como diria o nosso amigo Eng.), falava-se da conjuntura económica e do IVA nas publicações literárias. Discutiam esse assunto o Sr. Provérbio, a Madame Retórica e a Sr. Caligrafia, essa donzela elegantíssima, de quem diziam Miguel Ângelo ter tomado o corpo por modelo. Vieram juntar-se-lhes a Dra. Ironia e o Sr. Sarcasmo, um casal jovem e simpático, mas um tanto ou quanto viperino de língua.

Num canto mais afastado, longe dos restante convidados, conspiravam dois jovens emporcalhados e de barba por fazer: o Calão e o Jargão. Falavam alto, de forma grosseira, macarrónica e desconjuntada, sem qualquer tipo de preconceito ou vergonha. Bebiam Super Bock's pelo gargalo das garrafas, arrotavam alto, e, de vez em quando, soltavam grandes bitaites para o ar, gargalhando a seguir de forma pouco discreta. A certa altura, há quem diga, voltaram-se para quarteto a meio da sala e encenaram manguitos trocistas, enquanto mandavam "Piss Offs" ao Eng. Estranjas. O Dr. Vocabulário não deu pelos feitos - há muito que se habituara a ignorar aqueles seres malcriados. Eu cá, apesar de uma certa má onda, apreciava deveras aqueles jovens. Muitas vezes os via na companhia da Menina Má Língua, que por causa de problemas digestivos não pudera comparecer à festa.

Para ficarem com uma ideia, assim muito por alto, do quão concorrida estava a ser aquela celebração, atentem, caros senhores, no conjunto de personalidades ilustres com quem poderiam dar de caras naquela sala: o Dr. Verbo e os seus comparsas, também eles licenciados, o Adjectivo, o Substantivo e o Advérbio; os Meninos Sinónimo e Antónimo; Mestre Heterónimo e Mestre Pseudónimo; Dona Poesia, Madame Prosa e Sir Ensaio; a Aliteração, a Interjeição, a Gradação, a Onomatopeia e o Eufemismo, estudantes finalistas do curso de letras; D. Verso, Dona Estrofe e Menina Rima, velhos conhecidos do mundo poético; e ainda o Dr. Silogismo, que gostava sobremaneira de ler livros de detectives.

Pela sala, não arriscando compromisso duradouros com nenhum dos lobbies instaurados, passeava a Sôtora Gramática, uma mulher de meia-idade, discreta e atinada, que usava sapatos rasos e brincos de madrepérola, e que toda a gente parecia respeitar. Nem precisava de elevar a voz de gazela para domar o mais agressivo rugido dos leões. Até o sebento do Calão se propôs a beijar-lhe a mão, gesto que debalde tentou.

Mas eis que, depois de voltar da cozinha com duas bandejas carregadas de aperitivos nos braços, consigo distinguir, no meio daquela agitação de timbres e vozes, a mais pura e a mais limpa de todas as melodias... aquela tocada pelas mãos dos anjos nas cordas vocais da menina Musa Inspiradora. Era por ela que o meu coração clamava. Valia ela sozinha todos aqueles convivas, duplicados, triplicados, multiplicados por quantos algarismos que fossem. Soube naquela altura que sempre ia haver história para contar. Oh, doce sinfonia, alegre chilrear, maravilhosa tonalidade que pinta cores na teia do meu pensamento. Eis que chegas... Tu que raramente me favoreces com a tua presença, com a tua alegria; tu, que irradias claridade à tua passagem, que és mais brilhante que a iluminação dos trinta e sete bolbos de 125watts que tenho espalhados pela sala, dentro de vários candeeiros e candelabros. Haveis vindo em meu auxílio!

Afastei alguns vultos para o lado e fui seguindo de ouvido o caminho para a libertação. Com quem estaria a Afrodite a falar? Quase larguei a prata dos caviares quando descobri... A Musa Inspiradora e o Arquitecto Cliché! Impossível! E nem sequer o havia convidado, o maganão!

E olhem-me só para o tipo, na descontra, taça de champanhe numa mão, bolso das calças em redor da outra, T-shirt branca com o crocodilo da Lacoste meio descolado, calças de ganga rotas nos joelhos, e botas All-Star cor de laranja nos pés! O cinismo, a afronta do homem! E no entanto, o par parecia estar a divertir-se.

Aproximei-me sorrateiramente e pus-me à escuta. Falavam de amor, tomem lá esta! O canalha do Cliché balbuciava qualquer coisa acerca de cortar lascas nas árvores com um canivete suíço e aí desenhar corações trespassados pela seta do Cupido. A Vénus ria-se com naturalidade - estava achar um piadão ao tipo, puta que o pariu -, e retorquia-lhe que pérolas dessas já nem na literatura light se conseguia encontrar.

Resolvi intervir. Socorri-me dos meus amigos ao canto da sala e pedi-lhes para encenarem uma farsa ao gosto deles - com total liberdade de acção. Depois, convidei a Menina Gradação para companhia, e sentei-me num sofá, atento espectador das alheias desgraças da vida. Vi então aqueles dois casacos de cabedal negro moverem-se por entre a multidão, a aproximarem-se do arquitecto desgraçado, a despejarem-lhe a taça grande do mousse de chocolate por cima, a agarrarem-no por baixo dos braços, um de cada lado, e a arrancarem porta fora com ele. Enquanto o empurravam através da multidão, os jovens sorriam amavelmente para os restantes convidados e enquanto iam dizendo "Sabe, não trouxe convite...". Reparei que o arquitecto ainda levava a taça de champanhe na mão quando saiu para a rua, de tão aparvalhado que estava com o rapto. Mais tarde soube que o deixaram de cuecas na rotunda do Marquês de Pombal e que o obrigaram a subir à estátua e a cantar a canção do Calimero e da Abelha Maia. Toma! Embrulha! Volta cá mais e vais ver o que t'acontece!

Os convidados começaram a sair por volta da uma da manhã, no meio de uma torrente de elogios e incentivos a acções futuras, e cerca das duas já não sobrava ninguém. Ninguém? Não é bem assim! Adivinhem com quem passei uma noite às claras...

Como diria um amigo chegado: Bingo!


Sam
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Re: Festa D'escrita

Postby Aignes » 25 Jul 2006 17:19

curioso texto...sim, é mesmo essa a palavra: curioso. :rolleyes:

As personagens estão deliciosamente descritas e a forma como tudo está a ser demonstrado ao leitor está habilmente construída. E, afinal, a Musa Inpiradora amua com todos, por vezes. :laugh:

Gostei muito :thumbup:
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Re: Festa D'escrita

Postby Ordie » 26 Jul 2006 02:56

Haha. Adoro textos que intervêm com o leitor. Noto uma... "falha" quando começas a iniciar a desrição dos convidados. Mais particularmente o parágrafo 12 sobre o Doutor Vocabulário. Pareceu-me... fraco. Não sei dizer porquê; desculpa-me.

Outra coisa. Apesar de gostar da maneira como apresentaste os convidados, penso que os "títulos" de alguns deles foram bastante clichés - o que é imperdoável num texto tão original. Refiro-me, por exemplo, às "manas reticências" e aos "Meninos Sinónimo e Antónimo". Devias tentar rever isso.

Depois disto tudo restam uns parabéns por uma originalidade captivante e por uma interacção com o leitor que merece elogios!

- Miguel
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Re: Festa D'escrita

Postby Samwise » 26 Jul 2006 09:14

É em textos destes que gostaria de ter um pouco mais de engenho para escrever. A originalidade fica um pouco tolhida pela fraqueza da exposição.

Ordie, em relação a esse parágrafo 12, partilho totalmente a tua opinião... a descrição dos convidados começa de um modo um tanto ou quanto fraquinho... Parece que o texto vai lançado e chega aí e abranda.

Quanto aos clichés... entedo o que queres dizer... mas contra esses "arquitectos", batatas (ou melhor, mousse de chocolate :smile:). A coisa poderia ter ficado mais bem desenvolvida se tivesse deixado as ideias a marinar durante mais tempo, penso eu de que.


Aignes, ultimamente tens sido uma espectadora dedicada, coisa que merece um agradecimento pessoal!

Obrigado aos dois.

Sam


P.S. Proponho um final alternativo... não no conteúdo, mas no formato:

Em vez de
Os convidados começaram a sair por volta da uma da manhã, no meio de uma torrente de elogios e incentivos a acções futuras, e cerca das duas já não sobrava ninguém. Ninguém? Não é bem assim! Adivinhem com quem passei uma noite às claras...


Podia ser assim:

"Os convidados começaram a sair por volta da uma da manhã, no meio de uma torrente de elogios e incentivos a acções futuras, e cerca das duas já não sobrava ninguém. Ninguém? Não é bem assim! Adivinhem quem foi mãe deste filho bastardo...
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Re: Festa D'escrita

Postby Aignes » 26 Jul 2006 10:48

Em vez de
Os convidados começaram a sair por volta da uma da manhã, no meio de uma torrente de elogios e incentivos a acções futuras, e cerca das duas já não sobrava ninguém. Ninguém? Não é bem assim! Adivinhem com quem passei uma noite às claras...


Podia ser assim:

"Os convidados começaram a sair por volta da uma da manhã, no meio de uma torrente de elogios e incentivos a acções futuras, e cerca das duas já não sobrava ninguém. Ninguém? Não é bem assim! Adivinhem quem foi mãe deste filho bastardo...


Sim, penso que acaba por funcionar melhor, é como um retorno ao texto em si, dá-nos a ligação entre a "festa" e a criação da obra.

Aignes, ultimamente tens sido uma espectadora dedicada, coisa que merece um agradecimento pessoal!


Descobri que gosto de ler o que se vai escrevendo por aqui, sendo eu uma aspirante a alguém que escreva qualquer coisa de jeito, é bom ir lendo para aprender. Além disso, apesar dos meus comentários não serem de forma alguma críticas construtivas, sendo apenas opiniões de leitor, gosto de comentar. :wink:
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Re: Festa D'escrita

Postby Ordie » 26 Jul 2006 10:54

"Os convidados começaram a sair por volta da uma da manhã, no meio de uma torrente de elogios e incentivos a acções futuras, e cerca das duas já não sobrava ninguém. Ninguém? Não é bem assim! Adivinhem quem foi mãe deste filho bastardo...


Gosto do conceito, mas penso que és capaz de conseguir trabalhar isso para algo que relacione o conceito de "filho bastardo" com o texto. Afinal de contas, para ser bastardo tens de ser casado - algo que não está nem implícito nem explícito no texto. IMO, há para aí uma combinação perfeita de palavras que servem o propósito perfeitamente; só falta encontrá-las. :shut:

Ou então ignora-me <,< Acho que já estou para aqui a dizer disparates :tongue:
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Re: Festa D'escrita

Postby Samwise » 26 Jul 2006 11:13

Mas eu sou casado... :devil: (ok, ok, essa informação não vem no texto.. e de qualquer forma, o narrador do texto pode não ser a minha pessoa...)

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Re: Festa D'escrita

Postby Ordie » 26 Jul 2006 11:14

Oh :tongue: Tu percebeste<.
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Re: Festa D'escrita

Postby Samwise » 26 Jul 2006 14:50

Dark Angel wrote:Quanto ao fim alternativo... não me convenceu muito. Percebi bem o primeiro, com a frase completa subentendida "Adivinhem com quem passei uma noite às claras a escrever este texto ". O filho bastardo confunde um pouco porque não há referência a uma mãe. Se a Musa Inspiradora no texto fosse referenciada como mãe de muitos filhos aí já ficaria melhor, talvez. Claro que se ela ficasse como mãe de muitos filhos, muito diferentes entre si, tal a diversidade de pais, ficávamos com uma ideia de uma Musa Inspiradora bastante promíscua, o que tirava um pouco o encanto à Musa...


:clap: Este foi dos comentários mais acertados e engraçados que já li! E só posso mesmo concordar com ele.

Em minha defesa (lol) tenho a dizer que cada pessoa tem a(s) sua(s) Musa(s) Inspiradora(s), e que é difícil mantê-la(s) quieta(s) e sossegada(s)... quando aparece(m), normalmente é sol de pouca dura, e há que aproveitar o momento, com toda a promiscuidade que isso possa trazer...

Eu gosto mais do ar meio "medieval" do fim alternativo, mas concordo com as vossas críticas.

Obrigado, Dark Angel.

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