António Lobo Antunes

Escolha um autor e fomente uma discussão sobre a sua obra e a sua vida
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Re: Os Cus de Judas - António Lobo Antunes

Postby Bugman » 08 Feb 2012 22:00

Já que estamos numa de mesclar, porque não foi mesclado com o tópico do autor?
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Re: Os Cus de Judas - António Lobo Antunes

Postby Thanatos » 08 Feb 2012 22:46

Porque a arte de mesclar é uma arte arcana com muitos rituais envolvidos na sia concretização.

Ou seja este foi o que apareceu mais à mão desde que deixou de haver separação em tópicos de autores. Mas como disse nada é perfeito e seria no mínimo ingénuo esperar que com a quantidade de referências contidas num único post que este conseguisse ser encaixado de forma a agradar a gregos e troianos.

Seja como for qual é em concreto o problema em estar aqui? Parece-me mais adequado que no tópico de Dune.
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Re: Os Cus de Judas - António Lobo Antunes

Postby urukai » 08 Feb 2012 23:14

O Bugman quer sangue... :devil:

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Re: Os Cus de Judas - António Lobo Antunes

Postby Bugman » 09 Feb 2012 01:05

Thanatos wrote:Ou seja este foi o que apareceu mais à mão desde que deixou de haver separação em tópicos de autores. Mas como disse nada é perfeito e seria no mínimo ingénuo esperar que com a quantidade de referências contidas num único post que este conseguisse ser encaixado de forma a agradar a gregos e troianos.

Seja como for qual é em concreto o problema em estar aqui? Parece-me mais adequado que no tópico de Dune.


Não me ocorria essa FUUUUUSÃO! De resto para a correspondência de e para o ALA há um tópico de autor do mês.
Não há problema nenhum de resto, só achei que as cartas para o ALA ficavam melhor fora do tópico de uma obra específica. Sangue só quero ver nos tópico de saifai... Acho giro! :whistle:
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Re: Os Cus de Judas - António Lobo Antunes

Postby Thanatos » 09 Feb 2012 09:15

Bugman, fiquei com a ideia que o tópico de autor do mês era para outras discussões mais efémeras.

Seja como for se me meteres aqui o ID do tópico que achas mais correto para o merge eu depois faço isso.

Podes não acreditar mas as ferramentas de moderação deste software são tudo menos intuitivas e obrigam a alguma pesquisa "antes" de fazer as moderações. Admito que não me preocupei muito neste caso mas visto que te queixaste não quero cá insatisfações. Assim, fifty-fifty do trabalho custa menos.

A culpa é do urukai! :twisted:
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Re: Os Cus de Judas - António Lobo Antunes

Postby Tzimbi » 09 Feb 2012 11:52

Thanatos wrote:A culpa é do urukai! :twisted:


:blush: eu também tenho a culpa, o urukai só falou do ALA, porque me meti com ele a propósito de ele não estar a gostar do Golding e do ALA. E isto tudo só para provar que o urukai é um orc com mau gosto... :whistle:

Tentando parecer on-topic, devo iniciar a leitura d'Os Cus de Judas ainda em 2012... :angel:

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Re: António Lobo Antunes

Postby Bugman » 09 Feb 2012 14:38

Frases extensas nesse livro? Isso é mesmo do estilo. Sou capaz de atirar assim ao ar que no "Que cavalos..." há tantos pontos finais quantos capítulos e se falhar não é por muito!
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Re: Os Cus de Judas - António Lobo Antunes

Postby Bugman » 09 Feb 2012 14:40

Thanatos wrote:Bugman, fiquei com a ideia que o tópico de autor do mês era para outras discussões mais efémeras.

Seja como for se me meteres aqui o ID do tópico que achas mais correto para o merge eu depois faço isso.



Nao percebo nada disso de IDs. Ha um tópico na Tertúlia LIterária\Autores destinado ao ALA (aparentemente dei-lhe um encontrao). Se as ferramentas forem tao imaginativas como a ferramenta de pesquisa era há uns tempos... :blink:
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Re: António Lobo Antunes

Postby Bugman » 12 Apr 2012 13:04

No site da Visão, hoje:
António Lobo Antunes wrote:Nação valente e imortal
Agora sol na rua a fim de me melhorar a disposição, me reconciliar com a vida. Passa uma senhora de saco de compras: não estamos assim tão mal, ainda compramos coisas, que injusto tanta queixa, tanto lamento. Isto é internacional, meu caro, internacional e nós, estúpidos, culpamos logo os governos. Quem nos dá este solzinho, quem é? E de graça. Eles a trabalharem para nós, a trabalharem, a trabalharem e a gente, mal agradecidos, protestamos. Deixam de ser ministros e a sua vida um horror, suportado em estóico silêncio. Veja-se, por exemplo, o senhor Mexia, o senhor Dias Loureiro, o senhor Jorge Coelho, coitados. Não há um único que não esteja na franja da miséria. Um único. Mais aqueles rapazes generosos, que, não sendo ministros, deram o litro pelo País e só por orgulho não estendem a mão à caridade.
O senhor Rui Pedro Soares, os senhores Penedos pai e filho, que isto da bondade às vezes é hereditário, dúzias deles.
Tenham o sentido da realidade, portugueses, sejam gratos, sejam honestos, reconheçam o que eles sofreram, o que sofrem. Uns sacrificados, uns Cristos, que pecado feio, a ingratidão. O senhor Vale e Azevedo, outro santo, bem o exprimiu em Londres. O senhor Carlos Cruz, outro santo, bem o explicou em livros. E nós, por pura maldade, teimamos em não entender. Claro que há povos ainda piores do que o nosso: os islandeses, por exemplo, que se atrevem a meter os beneméritos em tribunal. Pelo menos nesse ponto, vá lá, sobra-nos um resto de humanidade, de respeito.
Um pozinho de consideração por almas eleitas, que Deus acolherá decerto, com especial ternura, na amplidão imensa do Seu seio. Já o estou a ver Senta-te aqui ao meu lado ó Loureiro Senta-te aqui ao meu lado ó Duarte Lima Senta-te aqui ao meu lado ó Azevedo que é o mínimo que se pode fazer por esses Padres Américos, pela nossa interminável lista de bem-aventurados, banqueiros, coitadinhos, gestores que o céu lhes dê saúde e boa sorte e demais penitentes de coração puro, espíritos de eleição, seguidores escrupulosos do Evangelho. E com a bandeirinha nacional na lapela, os patriotas, e com a arraia miúda no coração. E melhoram-nos obrigando-nos a sacrifícios purificadores, aproximando-nos dos banquetes de bem-aventuranças da Eternidade. As empresas fecham, os desempregados aumentam, os impostos crescem, penhoram casas, automóveis, o ar que respiramos e a maltosa incapaz de enxergar a capacidade purificadora destas medidas. Reformas ridículas, ordenados mínimos irrisórios, subsídios de cacaracá? Talvez. Mas passaremos sem dificuldade o buraco da agulha enquanto os Loureiros todos abdicam, por amor ao próximo, de uma Eternidade feliz. A transcendência deste acto dá-me vontade de ajoelhar à sua frente.
Dá-me vontade? Ajoelho à sua frente, indigno de lhes desapertar as correias dos sapatos. Vale e Azevedo para os Jerónimos, já! Loureiro para o Panteão, já! Jorge Coelho para o Mosteiro de Alcobaça, já! Sócrates para a Torre de Belém, já! A Torre de Belém não, que é tão feia. Para a Batalha. Fora com o Soldado Desconhecido, o Gama, o Herculano, as criaturas de pacotilha com que os livros de História nos enganaram.
Que o Dia de Camões passe a chamar-se Dia de Armando Vara. Haja sentido das proporções, haja espírito de medida, haja respeito. Estátuas equestres para todos, veneração nacional. Esta mania tacanha de perseguir o senhor Oliveira e Costa: libertem-no. Esta pouca vergonha contra os poucos que estão presos, os quase nenhuns que estão presos por, como provou o senhor Vale e Azevedo, como provou o senhor Carlos Cruz, hedionda perseguição pessoal com fins inconfessáveis. Admitam-no. E voltem a pôr o senhor Dias Loureiro no Conselho de Estado, de onde o obrigaram, por maldade e inveja, a sair. Quero o senhor Mexia no Terreiro do Paço, no lugar de D. José que, aliás, era um pateta. Quero outro mártir qualquer, tanto faz, no lugar do Marquês de Pombal, esse tirano.
Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos.
Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar. Como pedia o doutor João das Regras, olhai, olhai bem, mas vêde. E tereis mais fominha e, em consequência, mais Paraíso. Agradeçam este solzinho.
Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta do jantar.
Abaixo o Bem-Estar. Vocês falam em crise mas as actrizes das telenovelas continuam a aumentar o peito: onde é que está a crise, então? Não gostam de olhar aquelas generosas abundâncias que uns violadores de sepulturas, com a alcunha de cirurgiões plásticos, vos oferecem ao olhinho guloso? Não comem carne mas podem comer lábios da grossura de bifes do lombo e transformar as caras das mulheres em tenebrosas máscaras de Carnaval. Para isso já há dinheiro, não é? E vocês a queixarem-se sem vergonha, e vocês cartazes, cortejos, berros.
Proíbam-se os lamentos injustos. Não se vendem livros? Mentira. O senhor Rodrigo dos Santos vende e, enquanto vender, o nível da nossa cultura ultrapassa, sem dificuldade, a Academia Francesa. Que queremos? Temos peitos, lábios, literatura e os ministros e os ex-ministros a tomarem conta disto.
Sinceramente, sejamos justos, a que mais se pode aspirar? O resto são coisas insignificantes: desemprego, preços a dispararem, não haver com que pagar ao médico e à farmácia, ninharias. Como é que ainda sobram criaturas com a desfaçatez de protestarem? Da mesma forma que os processos importantes em tribunal a indignação há-de, fatalmente, de prescrever. E, magrinhos, magrinhos mas com peitos de litro e beijando-nos um aos outros com os bifes das bocas seremos, como é nossa obrigação, felizes.
:bow: :bow: :bow: :bow: :bow: :bow:
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Re: António Lobo Antunes

Postby Thanatos » 12 Apr 2012 13:36

Há uma espécie que sempre admirei acima de todos os outros: é a do gajo sem papas na língua, sem politicamente correto, sem paninhos quentes, imparcial, isento.

Que nunca a artrite lhes tolhe os dedos nem a mudez os cale!

:bow:
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Re: António Lobo Antunes

Postby Bugman » 12 Apr 2012 13:53

Eu fiquei pasmado porque as crónicas dele nao costumam ser tanto de intervençao, mas muito mais de observaçao. Esta hoje surpreendeu por misturar os dois géneros.
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António Lobo Antunes - Ascensão e queda

Postby pco69 » 22 Feb 2015 17:49

http://observador.pt/especiais/antonio- ... ortuguesa/

Tenho o 'Cu de Judas' para ler. E nunca li nada do homem. Mas não tinha noção :whistle: desta "Ascenção e Queda".....

É o mais importante escritor português, mas o último romance vendeu 1600 exemplares na Fnac, quando há anos se vendiam 10 mil em três meses. Por que abandonámos este minotauro no seu labirinto?
(...)
Quem é que desistiu de Lobo Antunes? Os leitores ou a editora?
(...)
nas montras das livrarias, o grande esforço de marketing da Leya parece ter ido todo para vender o jovem Afonso Reis Cabral, de 24 anos, prémio Leya 2014
(...)
A realidade é que, aos 72 anos, António Lobo Antunes parece ter sido sugado para um mundo intangível pelos leitores, tal como aqueles escritores que ele criticava em 1979: “é um escritor de nicho e, no panorama português, um escritor de nicho vender 1600 exemplares em três meses não é nada mau”, afirma o diretor de comunicação da Fnac.
(...)
Fenómenos desencadeantes de enfarte do miocárdio

Esforços físicos, stress psíquico, digestão de alimentos, coito, tempo frio, vento de frente e esforços a princípio da manhã.

Ou seja, é extremamente perigoso fazer sexo ao ar livre com vento de frente, após ter tomado o pequeno almoço numa manhã de inverno...

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Re: António Lobo Antunes - Ascensão e queda

Postby Bugman » 23 Feb 2015 10:24

Que faremos quando tudo arde Lobo Antunes

Partilhado pelo vampire ontem no blog dele. É mais detalhado do que o artigo do observador.

Eu sinceramente o que sempre me admirou eram os números de vendas, que sempre me pareceram manifestamente exagerados. Há algo de incompatível entre ter Lobo Antunes a vender dezenas de milhares numa sociedade onde Twilights e Sombras de Grey e toda a obra de Margarida Rebelo Pinto são campeões de vendas e paradigmas de publicação. Simplesmente incompatível.

Não sei se Lobo Antunes anda a escrever o mesmo livro há uns anos, porque apenas li o Auto dos Danados, o Não entres tão depressa nessa noite escura e o Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar, livros distintos de períodos distintos e com um intervalo entre eles que sai das barreiras mencionadas.

A verdade é que a forma como as tensões e a dimensão humana das personagens é exposta e explanada, numa crueza que chega a causar dor física, não de sofrimento com a leitura, mas com a interiorização da dor da personagem, não são comuns e podem mudar as personagens e a dor muda e a história fica a mesma. Para se juntar a isto, Lobo Antunes tem uma escrita nada fácil e com o passar dos anos a prosa dele soa cada vez mais a poesia, sendo necessário encontrar um ritmo, uma respiração, é preciso saber usar as vírgulas, os parágrafos, é preciso uma capacidade de abstracção para saltitar entre os pensamentos das personagens e as paisagens que se sobrepõe a que mais ninguém que eu conheça obriga os seus leitores. Ler Lobo Antunes não é uma experiência passiva, é um ler activo.

Concordo com a cena das entrevistas. Em particular depois da operação, Lobo Antunes como que desistiu e aí sim fica evidente que todas as entrevistas são iguais. Há ali um rasgo de originalidade, um certo "ver a luz" no pós-operatório, mas depois ficou em modo autómato e se para quem não conhece uma entrevista de Lobo Antunes é um acontecimento, para quem já conhece é algo que se dispensa e isso tem um impacto na publicidade. Como o Gonçalo Mira explica e bem no seu artigo.

EDIT: E mover-se isto para a secção de autores? Já há por lá um tópico dedicado ao autor...
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Re: António Lobo Antunes

Postby Samwise » 24 Feb 2015 19:33

A mim dá-me ideia de que ele anda a "escrever o mesmo livro" desde para aí o terceiro ou quarto, mesmo considerando que são obras diferentes, com personagens diferentes, mensagens diferentes, e que há algumas evoluções e diferenças na afinação da prosa. A questão é que a estruturação propositadamente "desalinhada" dessa prosa (chamem-lhe stream of consciousness, ou o que for), o tal pormenor que "obriga" o leitor a um esforço e a uma dedicação muitos patamares acima daquilo a que está habituado, mesmo para a generalidade da literatura dita "mais séria", pouco ou nada mudou.

Mas fora isto, que não acredito que seja a questão essencial para esta quebra (já que o argumento também era válido quando ele vendia as tais "dezenas de milhar"), não será que estamos na mó de baixo de um ciclo de "moda"? Não está na moda ler/comprar Lobo Antunes, e há uns tempos estava. Mais concretamente, nos tempos em que havia Saramago para lhe dar luta...
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Re: António Lobo Antunes

Postby Forbidden » 24 Feb 2015 20:01

Eu acho que este senhor e muita areia pra minha camioneta, sinceramente, os livros dele devem dar uma dor de cabeça daquelas mesmo grandes! Digo isto, mas so folhei um ou outro livo dele, e foi a sensaçao com que fiquei! E eu ate gosto de ler (ainda que leie muito pouco, comparado com os membros destes forum) e nao tenho problema em ler clássicos do seculo XIX (que tem uma escrita mais refinada), mas acho que este senhor é complicado demais. Se algum fã do senhor me quiser contrariar e tentar converter está à vontade :rolleyes:
"I took a deep breath and listened to the old brag of my heart: I am, I am, I am."

- Sylvia Plath


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