Glen Cook
Como pouco se fala deste autor em Portugal, deixo aqui o convite a todos os que já lerm livros dele para aqui deixarem a sua opinião.
shadow_phoenix wrote:Após ter lido o omnibus "Crónicas da Companhia Negra" e ter os "Livros do Sul" no armário para ler, recomendo vivamente este autor de fantasia. Dúvido que, como se lê por aí, tenha sido o primeiro autor a fazê-lo, mas os seus livros, apesar de manterem a luta clássica entre o bem e o mal, contêm uma ambiguidade moral bastante interessante e, segundo se diz, a quem muitos autores modernos devem muito. Os livros dele, apesar de serem fantasia, lêem-se quase como aqueles romances de guerra daquela velhinha conlecção de livros de bolso da europa américa (guerra e espionagem).
Este foi o primeiro livro que Glen Cook escreveu sobre a companhia negra, no agora distante ano de 1984. Quando comecei a lê-lo, a primeiro impressão com que fiquei foi de que estava a ler um dos livros da antiga colecção da Europa-América Guerra e Espionagem, e vim mais tarde a descobrir que tal era intencional.
Esta é uma história com uma moralidade bastante cinzenta. Os "heróis" (os membros da companhia) trabalham para o império da senhora negra, e fazem o que necessitam fazer para sobreviver e serem pagos. A maior parte dos vilões têm um lado humano, e a própria senhora negra parece não ser tão má como quer dar a perceber. Por fim, os rebeldes que combatem contra o império não são muito melhores que os vilões.
A história em si é das mais cativantes que me lembro de ler, com algumas reviravoltas e twists interessantes e bem conseguidas, personagens memoráveis (uma das quais morre nos primeiro capítulos, porque, aqui, qualquer um pode morrer) e um narrador pouco fiável (croaker, o doutor e historiador da companhia). Existem diversas cenas fantásticas, como a emboscada na floresta, ou os vários assassinatos contra os lideres dos rebeldes, ou a batalha final, para nomear apenas algumas.
Lembro-me de ler uma crítica de Jeff VanderMeer numa Realms of Fantasy antiga onde ele dizia que, apesar de Glen Cook não ser dos autores de fantasia mais conhecidos, influenciou muitos dos autores que trabalham actualmente no género. Depois de ler este primeiro livro da companhia negra (e os dois que lhe seguem) não tenho quaisquer dúvidas de que isso é verdade.
Podem comprar este livro em conjunto com os dois seguintes no omnibus mostrado abaixo. Encontram-no aqui, na Amazon UK.
Este é o segundo livro sobre a Companhia Negra de Glen Cook e, atrevo-me a dizer, o meu favorito até ao momento. Aqui encontramos todos os elementos que fizeram com que o primeiro livro se destacasse da restante oferta do género (uma moralidade bastante cinzenta, e uma prosa e forma de contar a história que se assemelha mais aos romances passados na guerra do Vietnam do que a um de fantasia), mas achei a história ainda mais apelativa que a do primeiro. Depois da vitória da Lady no primeiro livro, vemos aqui a formação de três facções rivais, coisa atípica numa altura em que a maior parte da fantasia épica se resumia a uma luta entre os bons e os maus. Outro ponto de relevo são as acções que Raven se vê obrigado a tomar para proteger Darling. Ele sabe que está a fazer algo errado, mas é o que precisa fazer para sobreviver.
Destaque também para algumas cenas memoráveis, como o crescimento do castelo negro e o assalto da companhia, a morte de algumas personagens importantes e a "morte" de um dos últimos takens originais.
Infelizmente, os livros da Companhia Negra ainda não se encontram publicados em Portugal. Se os querem ler, terão de o fazer em inglês. Aqui fica o link para o volume que contém os três primeiro livros.

Este é o terceiro livro da série da companhia negra e o último dos Livros do Norte. Aqui, tramas que se haviam antes tocado cruzam-se por fim, amigos reencontram-se, a história do que se passou para dar origem aos acontecimentos do primeiro livro é explicada e a "vilã" mostra que não é bem aquilo por que se tentar fazer passar.
Neste livro, mantêm-se os elementos característicos da série, sendo o mais notável o estilo narrativo e de escrita que se assemelha mais ao de um romance militar (não consigui deixar, em algumas passagens, de recordar os livros da colecção de Guerra e Espionagem da Europa América) que ao de um romance de fantasia. Mantém-se, também, a natureza cinzenta do mundo em que se passa história.
Penso que este será o livro mais imaginativo dos Livros do Norte, em particular nas passagens que descrevem as Planícies do Medo e as descrições de algumas das batalhas, que, usando apenas elementos da literatura de fantasia, nos conseguem remeter para a Guerra do Vietname. O final também merece destaque devido ao seu impacto emocional, talvez um dos mais fortes que me lembro de ler no género.
No geral, é um livro bem escrito e entusiasmante, onde se percebe perfeitamente porque Glen Cook, apesar da sua relativa obscuridade, é considerado um dos principais percursores da fantasia moderna. Recomendo vivamente a leitura deste livro (e dos restantes da série) a todos os fãs do género.
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