A Prostituta

j.t.parreira
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A Prostituta

Postby j.t.parreira » 14 Nov 2006 12:23

Primeiro os seus olhos deixam
penetrar-se pela noite. O corpo
então passa pelas esquinas
como em paredes de cristal,
os cabelos estremecem
sobre os ombros, os lábios
sorriem detrás da flor
carmim, as pernas sobem
dos saltos dos sapatos,
por fim, o peito que aconchega
o frio,
o único mundo que lhe cai aos pés
as meias, a rosa
íntima
e o vestido.

elsefire
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Re: A Prostituta

Postby elsefire » 15 Nov 2006 14:46

j.t.parreira wrote:Primeiro os seus olhos deixam
penetrar-se pela noite. O corpo
então passa pelas esquinas
como em paredes de cristal,
os cabelos estremecem
sobre os ombros, os lábios
sorriem detrás da flor
carmim, as pernas sobem
dos saltos dos sapatos,
por fim, o peito que aconchega
o frio,
o único mundo que lhe cai aos pés
as meias, a rosa
íntima
e o vestido.


é um poema bonito e triste. fez-me reflectir sobre a tristeza destas mulheres, que embora algumas vezes(acredito que poucas) se julguem felizes, não o são. Pensam que são felizes, porque nunca experimentaram a felicidade. e isso deixa-me efectivamente triste.
esta parte é confrangedora:

o único mundo que lhe cai aos pés
as meias, a rosa
íntima
e o vestido.

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Aignes
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Re: A Prostituta

Postby Aignes » 15 Nov 2006 16:15

Concordo com o elsefire...bonito e triste. Triste, sobretudo. Um poema simples que diz e mostra tanto em palavras simples.
«The force that through the green fuse drives the flower
Drives my green age; that blasts the roots of trees
Is my destroyer.
And I am dumb to tell the crooked rose
My youth is bent by the same wintry fever.»


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