Blade Runner

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Re: Qual o último filme que viste e o que achaste

Postby Samwise » 23 Apr 2012 23:31

Rui Ramos wrote:Companheiro, Samwise. A tua terceira perspectiva que achas que me escapou, é aquela que ouço há 20 anos e que há 20 anos me levam a regressar a um filme que não tem volta a dar. Por mais vezes que tente tirar-lhe nabos da pucara e tente ver mais do que lá está, lamento, mas Blade Runner falha. E se não falhasse o Ridley Scott parava de mexer-lhe sempre que se lembra daquilo que fez! ;)

Um título é uma das peças mais importantes de uma obra. Deve conter a pista para o segredo dessa obra, isto, se à partida não é óbvia a relação do título com o conteúdo.

No caso de Blade Runner tens um título e uma introdução logo no início que te induzem em erro, pois dizem mais ou menos isto: Blade Runner força especial que caça andróides renegados assassinos e perigosos. Filme de acção na certa!

Ninguém vai chamar "Uma História de Violência" a uma história quando a violência não é nem nunca foi a sua temática e tudo o que há para mostrar é uma conversa sobre tricot entre avozinhas simpáticas à hora do chá.

O título inicial pensado para o primeiro argumento escrito de Blade Runner, fazia mais jus à história, que desde sempre foi pensada para ser intimista e filosófica: Dangerous Days. Com um título destes, então ok! Já faz mais sentido a história que nos é mostrada no filme: é perigoso ser um psiquiatra especializado em apanhar andróides disfarçados de humanos, num mundo caótico e decadente.


Companheiro Ramos, acho que por alguma razão o teu raciocínio se baralhou aí nalgum ponto de intercepção neuronal e orientou para o mesmo afluente lógico o Blade Runner e o Fúria no Bairro Chinês (este é que não induz em erro, juro). Só assim consigo perceber essa do "filme de acção na certa!"

Blade Runner é um título demasiado cool para um filme pretende ser demasiado intelectual. E que no final, nem é carne nem peixe. É um caso clássico de publicidade enganosa.


Nem imagino que voltas darás para dizer que o título Minority Report indicia porrada da boa, e ainda consegue manter uma aura de intelectualidade sem enganar ninguém. :devil:
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Re: Qual o último filme que viste e o que achaste

Postby Thanatos » 23 Apr 2012 23:40

Basicamente o filme não será mau, as expectativas do camarada Rui é que foram defraudadas.

Acontece. Eu também fui ver o Titanic na vã esperança de que no fim houvesse um twist à la Cameron mas afinal o sacana foi mesmo ao fundo. :mrgreen:
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Re: Qual o último filme que viste e o que achaste

Postby Samwise » 24 Apr 2012 00:47

Thanatos wrote:Basicamente o filme não será mau, as expectativas do camarada Rui é que foram defraudadas.

Acontece. Eu também fui ver o Titanic na vã esperança de que no fim houvesse um twist à la Cameron mas afinal o sacana foi mesmo ao fundo. :mrgreen:


Com a agravante de não haver uma base alienígena à espera para o trazer de volta à superfície... :D

Nada de errado com os horizontes de expectativas, mas aparentemente o título do filme deixou o Rui Lost in Translation.
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Re: Qual o último filme que viste e o que achaste

Postby Rui Ramos » 24 Apr 2012 04:16

Thanatos wrote:
Rui Ramos wrote:(...)
Estamos a falar de uma civilização que ergueu cidades tecnologicamente avançadas (a L.A. de Blade Runner, não é a LA que lhe serviu de base. É uma cidade bastante distante no tempo, cujo, traçado foi remodelado e modernizado). Entretanto a elite dessa civilização partiu, deixando o refugo dos refugos para trás. É a partir deste ponto que se deve decompor e construir a decadência que deveria ser mostrada no filme. Na minha humilde opinião de construtor de fantasias, claro está.

Podes alegar que mesmo nas cidades actuais existem prédios centenários que sobrevivem no meio de edifícios mais recentes, contudo, como apontas bem, não é o que acontece no filme. Tens a esquadra da polícia, por exemplo, um prédio gigantesto que serve de culmeia aos inúmeros carros voadores da polícia, cujo interior parece saído de um policial dos anos 60/70. Não cola!

Ora um prédio daqueles teria sido feito de raíz no Futuro. Quem seria o arquitecto que o teria desenhado e permitido um interior daqueles? Mesmo que decadente, a base teria sido algo criado no Futuro e não uma reconstituição histórica do século XX. Não faz sentido. Mau world building. Parece preguiça intelectual pois não houve o exercício de criar um mundo avançado para depois o tornar decadente. Mostrou-se uma esquadra banal do século XX para nos dizer: ei olhem que isto é suposto ser um filme noir, não se confundam, ok?
(...)



Epá, estou aqui a ler e a reler estes 3 parágrafos e não sei que pensar.. Prédio feito de raizo no futuro? Homem, tu vês bem a data que eles apresentam mal o filme abre? 2019, pá! Queres fazer crer que de vinte em vinte anos os prédios são todos derrubados e fazem-se cidade de raiz? Aliás não foste tu que apontaste as semelhanças estéticas e arquitéctónicas entre o filme e a BD do Moebius? Então na BD já estava tudo muito bem que a decadência fosse apresentada de mãos dadas com algum futurismo mas aqui no filme já não é bem assim? Je ne comprend pas. ;)


E então? Não percebo o que é que não percebes, na minha argumentação. Desde quando afirmar que um interior não cola com um exterior de um edifício implica a reconstrução de uma cidade inteira? Ou me leva a colocar a BD de Moebius em pé de igualdade com a imaginação de Ridley Scott?

Se reparares no filme, os edifícios são demasiado altos demasiado distantes do nosso presente. 2019 é uma data para levar a sério? Existiu um grande salto evolutivo e tecnológico. Quem os construiu fez interiores como a casa de Dereck e a mansão babilónica de Tyrrell. Esses interiores fazem sentido neste universo.

Mas não tenho problemas com os prédios que foram reaproveitados.

Se reparares os prédios que critico são prédios com exteriores do futuro, gigantescos mas com interiores de prédios que existem actualmente. Diz-me se sabes, porque razão uma esquadra da polícia que tem um edifício daquele tamanho, teria necessidade de ocupar o átrio de uma estação de comboios centenária?

Bates bastante na esquadra da polícia. Bem decerto sabes que a "esquadra" é uma estação de comboios centenárias que, vê lá tu, mesmo em 1982 já era centenária. Ou seja ninguém a derrubou e criou de novo só porque na Alemanha, por exemplo, já têm gares de comboios ultra-modernas. Além disso quantos são os edifícios novos que tentam projectar um ar de antiguidade? E quantos não são reaproveitados?


Amigo, mostram-nos um prédio daquele tamanhão, cheio de janelinhas iluminadas, com centenas de andares e o gabinete do chefe fica no meio de um átrio duma estação de comboio vazia!!! Não faz sentido! Há outras formas de introduzir marcos famosos da paisagem urbana e mostrar a decadência.

Quando se está numa fase de declínio já não constróis prédios daquele tamanho para alojar a polícia, ocupam-se edifícios já existentes! Ora, segundo esta lógica, este prédio foi construído antes do declínio. Antes do refugo humano ter sido abandonado. Esse edifício deveria por si só ser um marco da decadência não é preciso associá-lo a uma estação de comboios! Mas percebo que isso vos agrade e até compreendo as implicações inerentes da escolha de Scott e o impacto que poderá ter num habitante de LA quando vê a sua estação reciclada numa esquadra desfuncional. Mas... Eck, não! Continua a não colar. :P

Eu compreendo que gostasses de ver um futuro à la Logan's Run com toda a gente vestida de togas brancas e tudo a viver em alvéolos brancos até ao limite dum THX em que se dispensa toda a mobília a favor dum minimalismo que esse sim vem diretamente das mentes de designers dos anos 70.

Pelos vistos, não compreendeste nada do que estive a dizer e estás mais interessado em gozar. Tudo bem. :tu:

Mas para teres uma ideia, Dark City é visualmente mais coeso que Blade Runner. Já agora, mais cativante, estimulante e imprecionante que Blade Runner. A decadência está presente, a investigação é mais empolgante e as personagens mais interessantes. Minha opinião, claro está.

Eu por mim vivo bastante bem com a miscegenação entre antigo e moderno e um exemplo máximo disso vê-se na sala do Tyrrell quando ele baixa a "cortina". Ou no apartamento claustrofóbico de Deckard.


Esses dois em particular estão bem enquadrados com o ambiente do filme, tem um ar antigo e ao mesmo tempo decadente , naquele universo ficcional, em especial a casa do Dereck. Aqui fizeram um bom trabalho.

Agora o problema com o Bradbury Building. Será que é o Bradbury Building ou apenas usaram o seu interior como cenário? Como poderiam utilizar o interior da Livraria Lello para um edifício ficcional de uma fantasia qualquer, só porque tem uma escadaria fixe. O prédio em causa é bastante mais baixo que o que aparece em BR... mas enfim, pode ter sido reciclado e abandonado mais tarde. Como quiserem. A argumentação da Sofi faz sentido. Não insisto neste ponto.


Não faço ideia se leste a novela do Dick mas... estranhamente aquele é mesmo o mundo que ele conta na novela. Prédios velhos e desabitados, elevadores de caixa metálica com portas de correr, canos rotos, etc. O grave problema do planeta terra é que toda a gente emigrou e só ficaram cá os inadaptados. E como inadaptados que são tratam o seu meio envolvente como o pessoal dos bairros sociais, dos project housings à la Cabrini-Green ou Pruitt-Igoe.


T, estás a repetir exactamente aquilo que disse no post anterior!

Samwise wrote:

Nada de errado com os horizontes de expectativas, mas aparentemente o título do filme deixou o Rui Lost in Translation.


:D :tu:

Acho que aqui o pessoal tem alguns complexos com a palavra: acção! Digo Blade Runner não é o filme de acção que promete ser e atiram-me logo para a beira do Michael Bay? C'mon! :D

Blade Runner é um nome dinâmico. Sugere velocidade (Runner), sugere agressividade (Blade: lâmina - algo cortante). Juntos sugerem: Morte, rápida e eficaz. Quando associada a uma unidade especial de eliminação de andróides renegados e agressivos, ainda mais peso adequire. Não vejo onde é que me perdi na tradução ;)

É um nome completamente inadequado às funções desempenhadas por Dereck, alguém que revela verdadeira falta de jeito para a caça de robôs e, supostamente, é o melhor. O homem é mais um burocrata armado com uma pistola e não um agente de elite de uma unidade de combate a seres fisicamente superiores.

E aqui deixo-vos uma citação da wiki sobre as críticas ao filme aquando da estreia:
Film critics were polarized as some felt the story had taken a back seat to special effects and that it was not the action/adventure the studio had advertised.

Pelos vistos, não fui o único enganado pelo título e pelo estúdio.

Até houve quem sugerisse outro título mais adequado: Sheila Benson from the Los Angeles Times called it "Blade Crawler"

Para terminar, falaram que BR é bom pela ambiencia. Claro que sim, nunca disse que não, mas um teledisco também o é. BR dá um belo teledisco.

http://www.youtube.com/watch?v=3VgNoKc_ ... re=related

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Re: Qual o último filme que viste e o que achaste

Postby Samwise » 24 Apr 2012 11:59

Rui Ramos wrote:Acho que aqui o pessoal tem alguns complexos com a palavra: acção! Digo Blade Runner não é o filme de acção que promete ser e atiram-me logo para a beira do Michael Bay? C'mon! :D


A comparação começou com o Spielberg, por tua sugestão - e o facto é que não te vejo reclamar do Minority Report por não ser o drama de contornos políticos, monótono e burocratizado, que o título "promete".

Blade Runner é um nome dinâmico. Sugere velocidade (Runner), sugere agressividade (Blade: lâmina - algo cortante). Juntos sugerem: Morte, rápida e eficaz. Quando associada a uma unidade especial de eliminação de andróides renegados e agressivos, ainda mais peso adequire. Não vejo onde é que me perdi na tradução ;)


O Blade Runner, apesar de não ser um filme de acção na essência, e de não estar interessado em explorar a via do entretenimento vazio - aquele que se serve exclusivamente desses momentos para entusiasmar a plateia -, até está preenchido com bastantes cenas de acção (é inegável). O dinamismo e a agressividade (no filme e nas personagens) estão lá, mas não pela fórmula habitual que eventualmente Hollywood nos habituou (aquela que estarias à espera).

Perdeste-te na tradução ao interpretares enviesadamente uma expressão: retirando dela apenas um sentido ("acção"), generalizando esse sentido às expectativas sobre todo o filme, e depois ao menorizares o mesmo, limitando-o à sua valia nesse contexto específico. É quase como traduzir à letra uma expressão idiomática. :mrgreen:

É um nome completamente inadequado às funções desempenhadas por Dereck, alguém que revela verdadeira falta de jeito para a caça de robôs e, supostamente, é o melhor. O homem é mais um burocrata armado com uma pistola e não um agente de elite de uma unidade de combate a seres fisicamente superiores.


Discordo da inadequação em relação à funções, um pouco pelo mesma razão daquilo que defendi mais acima: tomas o todo pela parte. Blade Runners foi uma espécie de alcunha que "colou" àquele grupo de agentes. Não foi inventada para epitetar o Deckard em exclusivo.

Em todo o caso, ele, com a sua providencial falta de jeito, encontrou os Replicants todos, ou não?

Burocrata? Nada o sugere. Mas também nada sugere que a profissão dos Blade Runner's fosse semelhante ao grupo de intervenção armada das forças especiais (tipo BOPE). A ideia que dá é realmente a de um investigador discreto que se move nas sombras e que tem ordem específica para encontrar e eliminar.

E aqui deixo-vos uma citação da wiki sobre as críticas ao filme aquando da estreia:
Film critics were polarized as some felt the story had taken a back seat to special effects and that it was not the action/adventure the studio had advertised.

Pelos vistos, não fui o único enganado pelo título e pelo estúdio.


Hmm - há aqui um desajuste entre aquilo que é a tua reclamação e aquilo que é a reclamação dos críticos. Tu falaste na "falsa promessa" no título, e estás agora justificar com outra coisa: a falsa publicidade do estúdio. São coisas diferentes, né? :mrgreen:

Em todo o caso o que os estúdios fazem e dizem cá para fora de modo a "venderem o produto" é algo a que o realizador é alheio quando está a fazer o seu trabalho e que não deve servir para criticar o filme - deve servir para criticar quem gerou essas falsas expectativas.

Para terminar, falaram que BR é bom pela ambiencia. Claro que sim, nunca disse que não, mas um teledisco também o é. BR dá um belo teledisco.

http://www.youtube.com/watch?v=3VgNoKc_ ... re=related


É verdade. Mas é redutor vê-lo apenas por esse prisma. :)
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Re: Qual o último filme que viste e o que achaste

Postby Rui Ramos » 25 Apr 2012 04:46

Samwise wrote:
Rui Ramos wrote:Acho que aqui o pessoal tem alguns complexos com a palavra: acção! Digo Blade Runner não é o filme de acção que promete ser e atiram-me logo para a beira do Michael Bay? C'mon! :D


A comparação começou com o Spielberg, por tua sugestão - e o facto é que não te vejo reclamar do Minority Report por não ser o drama de contornos políticos, monótono e burocratizado, que o título "promete".


:D

É curioso como as mesmas palavras nos sugerem coisas diferentes! :)

A mim o título sugere mistério: para começar, que raio é um retatório minoritário? É caso para investigar. Até parece um policial e... olha! é mesmo um policial! ;)

Samwise wrote:
Blade Runner é um nome dinâmico. Sugere velocidade (Runner), sugere agressividade (Blade: lâmina - algo cortante). Juntos sugerem: Morte, rápida e eficaz. Quando associada a uma unidade especial de eliminação de andróides renegados e agressivos, ainda mais peso adequire. Não vejo onde é que me perdi na tradução ;)


O Blade Runner, apesar de não ser um filme de acção na essência, e de não estar interessado em explorar a via do entretenimento vazio - aquele que se serve exclusivamente desses momentos para entusiasmar a plateia -, até está preenchido com bastantes cenas de acção (é inegável). O dinamismo e a agressividade (no filme e nas personagens) estão lá, mas não pela fórmula habitual que eventualmente Hollywood nos habituou (aquela que estarias à espera). Perdeste-te na tradução ao interpretares enviesadamente uma expressão: retirando dela apenas um sentido ("acção"), generalizando esse sentido às expectativas sobre todo o filme, e depois ao menorizares o mesmo, limitando-o à sua valia nesse contexto específico. É quase como traduzir à letra uma expressão idiomática. :mrgreen:


Hmmm, não. Está a menosprezar a importância de um nome. O Nome de uma personagem é importantíssimo, define a sua personalidade e o seu propósito na história: Skywalker, Jack Shepard, Super-Homem, Indiana Jones, Neo.

Super-Homem é um título, uma alcunha que ficou, pois a personagem chama-se Kal-El. Esse nome/título/alcunha define toda a história e personalidade do herói ao mesmo tempo.

Ao atribuires a uma obra o nome de uma personagem ou cargo que desempenha, estás a dizer muito claramente sobre o que a história vai ser.

Esta linha de pensamento aplica-se a Blade Runner. Alcunha ou não, é um título que foi merecido por alguma razão. Mas quem vê o filme não encontra essa razão assim tão bem explorada. :(

Agora falemos de publicidade enganosa:

Image

Repara no título, refiro-me ao lettering.

Está inclinado no sentido da leitura (da esquerda para a direitra) como se estivesse a correr, para reforçar a ideia, está cortado, sugerindo, as linhas de movimento usadas nos mangas (BD japonesas). Para além do próprio nome o afirmar, o lettering reforça a ideia de dinamismo. E como se não fosse suficiente, ainda acrescentam o Deckard a correr com arma em riste atrás do seu título.

Quem nunca viu o filme, nem faz a mínima ideia do que se trata, é induzido em erro, só de olhar para o cartaz. Logo, é um caso de publicidade enganosa.


Samwise wrote:
É um nome completamente inadequado às funções desempenhadas por Dereck, alguém que revela verdadeira falta de jeito para a caça de robôs e, supostamente, é o melhor. O homem é mais um burocrata armado com uma pistola e não um agente de elite de uma unidade de combate a seres fisicamente superiores.


Discordo da inadequação em relação à funções, um pouco pelo mesma razão daquilo que defendi mais acima: tomas o todo pela parte. Blade Runners foi uma espécie de alcunha que "colou" àquele grupo de agentes. Não foi inventada para epitetar o Deckard em exclusivo.


Tomo o todo pela parte? Não, olho para o todo e chego à conclusão que algumas partes não encaixam, e tanto assim foi que o próprio Ridley Scott tentou mudar o título do filme à última hora. Lê aí o quote da IMDb:
Titles considered for the film include 'Do Androids Dream of Electric Sheep?', 'Android', 'Mechanismo', 'Dangerous Days', and finally 'Blade Runner'. After the film had changed its name from 'Dangerous Days' to 'Blade Runner', Ridley Scott decided he didn't like the new name, and tried to call the film 'Gotham City', but Bob Kane (comic book creator of Batman) wouldn't sell the rights to the name, so it returned to being called 'Blade Runner'.


Como vês, o que ando para aqui a dizer, talvez não seja tão disparatado como isso ;)

Samwise wrote:Em todo o caso, ele, com a sua providencial falta de jeito, encontrou os Replicants todos, ou não?


Que interessa encontrar se não é capaz de os matar? Viste quantos é que ele apanhou realmente? Vai contá-los: duas mulheres, mortas à traição ou por pura sorte. Os andróides macho provaram ser invencíveis. Sem a intervenção da sua amada, que matou um dos brutos, Deckard estaria morto. E no final do filme, o nosso fabuloso Blade Runner, fez jus a seu nome, desata a fugir pela vida, perseguido por um gajo de cuécas. Gajo esse que acaba por morrer de velho à sua frente, sem que Deckard tivesse feito alguma coisa.

Se pensares bem, Deckard é um cepo, um mariquinhas, não merece intitular o filme. O filme ficava melhor chamado de Replicants, afinal eles acabam por ser mais humanos que os humanos que os caçam.

Burocrata? Nada o sugere.


BAsta ver o primeiro agente Blade Runner, logo ao início. Um funcionário público (do ministério da justiça, quiça) que segue um protocolo, umas formalidades (aquele teste manhoso). Aproxima-se mais de um psicólogo do que propriamente de um agente especial da

Samwise wrote:Mas também nada sugere que a profissão dos Blade Runner's fosse semelhante ao grupo de intervenção armada das forças especiais (tipo BOPE). A ideia que dá é realmente a de um investigador discreto que se move nas sombras e que tem ordem específica para encontrar e eliminar.


Nem tanto à terra nem tanto ao mar. Ser investigador discreto, não invalida formação em técnicas marciais e preparação física adequadas à missão de Blade Runner. Deckard está em baixo de forma, é pesado e trapalhão, pouco convincente como caçador de seres superiores.

Samwise wrote:
E aqui deixo-vos uma citação da wiki sobre as críticas ao filme aquando da estreia:
Film critics were polarized as some felt the story had taken a back seat to special effects and that it was not the action/adventure the studio had advertised.

Pelos vistos, não fui o único enganado pelo título e pelo estúdio.


Hmm - há aqui um desajuste entre aquilo que é a tua reclamação e aquilo que é a reclamação dos críticos. Tu falaste na "falsa promessa" no título, e estás agora justificar com outra coisa: a falsa publicidade do estúdio. São coisas diferentes, né? :mrgreen:


Desajuste? Ná, tu é que não postaste o resto.

Sheila Benson from the Los Angeles Times called it "Blade Crawler"


Revelando perceber mais de títulos do que o Ridley e toda a tropa que o rodeou.

Samwise wrote:
Em todo o caso o que os estúdios fazem e dizem cá para fora de modo a "venderem o produto" é algo a que o realizador é alheio quando está a fazer o seu trabalho e que não deve servir para criticar o filme - deve servir para criticar quem gerou essas falsas expectativas.


Sorry, mas um filme é um trabalho colectivo que deve ser avaliado no global e como tal Blade Runner fracassou (é um facto histórico, não é a minha opinião) porque a própria equipa que o realizou não se entendia (episódio da famosa guerra das t-shirts, é um exemplo) e provavelmente, não compreendia o que estava a ser feito. Uns queriam uma coisa, outros queriam outra, o que justifica os vários regressos posteriores de Scott ao filme. Segundo a wiki existem 7 versões diferentes!!!

Samwise wrote:
Para terminar, falaram que BR é bom pela ambiencia. Claro que sim, nunca disse que não, mas um teledisco também o é. BR dá um belo teledisco.

http://www.youtube.com/watch?v=3VgNoKc_ ... re=related


É verdade. Mas é redutor vê-lo apenas por esse prisma. :)


Eu sei, estou só a provocar um pouquinho.

Para terminar, uma para o Thanatos que achou irrealista a minha opinião sobre a cidade do futuro. Não acreditava que em vinte anos uma cidade fosse reconstruida de raíz. Ora, estamos a falar de LA, aquela cidade que passa os anos à espera do Big One... Quem sabe se o Big One não abriu o espaço necessário para a reconstrução da cidade do futuro que vemos no filme?

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Re: Qual o último filme que viste e o que achaste

Postby Samwise » 25 Apr 2012 22:27

Não estou a menosprezar nada (já explico), estou antes a contextualizar o nível de importância, visto que me parece que estás a baralhar as vertentes de argumentação. Dizes que um nome é importantíssimo e eu não pretendo de maneira nenhuma contrariar a tua opinião. Pretendo contudo situar objectivamente essa noção em relação àquilo que estamos a debater, e que é, em concreto, um título.

Um título é sem dúvida importante. É importante para identificar, promover e eventualmente tornar apelativo um filme junto do público. Pode também ser importante para o realizador transmitir/manifestar uma ideia artística que tenha algo que ver com a história, personagem ou com uma temática abordada, com maior ou menor grau de proximidade. Ponto assente. Daquilo que percebi, era desta perspectiva que estarias a falar.

Mas um título deixa de ter qualquer importância quando o interesse é avaliar as qualidades intrínsecas de um filme (sentir se gostamos dele e porque é que gostamos). Um filme não muda em nada o seu conteúdo se o título for A, B ou C, se for mais ou menos ajustado, ou se não for ajustado de todo. Vale a mesmíssima coisa. No caso do Blade Runner, eu não teria gostado mais ou menos do filme se o título tivesse sido Do Androids Dream of Electric Sheep?, ou Lust for Human Life, ou Deckard, you Awkward Ass!. Desta vertente, o título não me interessa rigorosamente para nada. No momento de avaliar a obra, o título vale zero para mim. Isto é diferente do menosprezo que me apontas.

Falando das expectativas criadas pelo do marketing - acho curioso, no mínimo, falares em publicidade enganosa e dares como exemplo uma imagem que por acaso foi mesmo retirada de uma sequência no filme. No que concerne a burlar o espectador, os criativos esmeraram-se com essa escolha, fizeram um excelente trabalho, sem dúvida. :)

Ainda assim, vou mencionar muito por alto o conceito de "liberdade artística" e dar-te como exemplo o poster de um outro filme mencionado por ti. Vê lá se apanhas algum coisa que te faça pensar em "publicidade enganosa"...

Image

Mas Rui, considero estranhíssimo que ao fim de 31 anos ainda continues a acreditar piamente em tudo o que o marketing manda cá para fora a ponto de te servires das falsas ideias para criticar a qualidade de um filme. Tu e aparentemente mais uma série de críticos que usaram desse mesmo argumento. À semelhança do título, o marketing tem um propósito muito concreto e definido, mas não altera em nada a solidez de uma obra. E se me disseres que sim, então termino já aqui a nossa troca de ideias, porque estamos mesmo a trabalhar em comprimentos de onda diferentes.

Não "postei o resto" por uma razão óbvia: não tenho interesse em comentar uma observação que não vem acompanhada de quaisquer argumentos, e muito em particular quando a ideia subjacente é igual a outra que, vinda de ti, temos estado a discutir - é chover no molhado. Mas separemos as águas - essa observação era independente da anterior. Eu comentei a primeira e disse porque é que não fazia sentido argumentares daquela forma (tu falaste no título e eles falaram no marketing dos estúdios), mas tu vens agora tentar juntar as duas como conjunto. Não pega. Continuo a ter razão no que referi, em relação ao parágrafo que comentei.

Para terminar, uma dúvida, porque não sei se li bem ou se interpretei mal: o Blade Runner fracassou? É um facto? O quê???? :blink:

Foi recebido sem consenso pela crítica e não vingou nas bilheteiras na altura, sim, isso é um facto, mas então... e tudo o resto...?

Tu citas bastante a wiki, mas penso que é melhor leres o artigo até ao fim (para veres, entre outras coisas, o que determinou as tais 7 versões...).

--- Edit - só mais uma coisinha... :angel:

A mim o título sugere mistério: para começar, que raio é um retatório minoritário? É caso para investigar. Até parece um policial e... olha! é mesmo um policial! ;)


A mim o título sugere mistério: para começar, que raio é um Blade Runner? É caso para investigar. Até parece um policial e... olha! é mesmo um policial! ;)

:whistle:
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Rui Ramos
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Re: Qual o último filme que viste e o que achaste

Postby Rui Ramos » 26 Apr 2012 14:44

Samwise wrote:
A mim o título sugere mistério: para começar, que raio é um retatório minoritário? É caso para investigar. Até parece um policial e... olha! é mesmo um policial! ;)


A mim o título sugere mistério: para começar, que raio é um Blade Runner? É caso para investigar. Até parece um policial e... olha! é mesmo um policial! ;)

:whistle:


Não encontro a resposta que te dei hoje de madrugada. Deve ter-se perdido nos meandros da net ou do sono. Seja como for, não vou repetir.

Teres ignorado a minha dissertação acerca do lettering, razão pela qual postei o poster de BR, é já de si um sinal que estás a leste do que estou a dizer e preferes enveredar por caminhos que não são aqueles que me levaram a falar de BR, tentando de forma disparatada, ridicularizar-me. :rolleyes:

Da tua argumentação citei a última parte, pois parece-me um exemplo óbvio da tua desconversa.

Para perceberes melhor, posto a conversa toda para veres como estás descontextualizado.

Rui Ramos wrote:
Samwise wrote:
Rui Ramos wrote:Acho que aqui o pessoal tem alguns complexos com a palavra: acção! Digo Blade Runner não é o filme de acção que promete ser e atiram-me logo para a beira do Michael Bay? C'mon! :D


A comparação começou com o Spielberg, por tua sugestão - e o facto é que não te vejo reclamar do Minority Report por não ser o drama de contornos políticos, monótono e burocratizado, que o título "promete".


:D

É curioso como as mesmas palavras nos sugerem coisas diferentes! :)

A mim o título sugere mistério: para começar, que raio é um retatório minoritário? É caso para investigar. Até parece um policial e... olha! é mesmo um policial! ;)


Tentaste ridicularizar a minha opinião quanto ao título BR, pensando que me apanhavas na armadilha dos títulos e o que eles sugerem mas como não correu tão bem como imaginaste, vieste rematar com:

Samwise wrote:A mim o título sugere mistério: para começar, que raio é um Blade Runner? É caso para investigar. Até parece um policial e... olha! é mesmo um policial! ;)

:whistle:


como se estivessemos em desacordo e de alguma forma saiste vencedor graças ao brilhantismo da tua maravilhosa argumentação!!!

Hello? :blink:

Disse alguma vez que BR não era um policial?

Não, antes pelo contrário, o que só valida a comparação inicial com MR, outro policial futurista que nos mostra um potencial futuro, a meu ver mais coerente que o de BR, pela atenção ao detalhe do worldbuilding que lhe foi dado. Em BR, essa atenção é flutuante, muito boa para uns casos, discutível para outros (ler troca de comentários com Thanatos). Mais motivos de comparação, a investigação levada a cabo em MR é, para mim, mais interessante que a de BR, como policial é mais emocionante, cativante e mais dinâmico. BR é tudo menos dinâmico, como já mostraste estarmos de acordo. BR tem momentos flutuantes entre o bocejo e o thriller emocionante, mas não é dinâmico como o título sugere, sendo ultrapassado neste aspecto por MR.

Mas, nota, Scott tem esse efeito em mim. Não é raro o filme seu onde o bocejo não apareça: Gladiador, Reino Perdido, Legend... :lazy:

A comparação entre os dois filmes (MR versus BR) continua a ser válida, pois ambos foram marcos do cinema com implicações directas na vida do dia a dia (neste ponto MR mais que BR) e nas obras que se lhes seguiram. Mas MR superou BR: desde logo, foi um sucesso mundial, enquanto que BR não. BR falhou neste aspecto porque o investimento de milhões exigia que fosse um blockbuster também. O marking vendeu um produto que não correspondia totalmente à verdade e isso pagou-se. Não é por isso que BR deixa de ter o valor artístico/cultural que tem e o tempo acabou por recompensá-lo (não preciso da wiki para mo dizer), basta ver a legião de fãs que o filme tem e a quantidade de autores que inspirou. Nunca o neguei. Sempre o deixei claro, desde o meu primeiro post.

Tentaste enveredar por caminhos que não foram os que me levaram a dissertar sobre BR. Falei da importância de worldbuilding coerente e da necessidade de ter atenção aos nomes que se arranjam para os títulos, personagens, profissões etc, na construção de fantasias e realidades especulativas. Como construtor de fantasias valorizo bastante estes aspectos, se tu não, é contigo. Apresentei as minhas razões, tu atiras-me com os erros de outros filmes, como se isso desculpassem os erros de BR. Dizer que MR é melhor que BR, não quer dizer que não tenha problemas também. Dizer que Star Wars tem um worldbuilding mais coerente que BR não quer dizer que também não tenha feito cartazes com publicidade enganadora. E aqui volto a repetir, era sobre lettering que estava a falar e não sobre a ilustração do cartaz, mas preferiste armar-te em carapau de corrida.

Contudo, as críticas que apontei ao filme, em nada invalidam as qualidades técnicas do filme, ou o teor universal dos dilemas e complexidades das personagens, mas trazem com certeza toda uma outra dimensão que não encontrei em BR.

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Re: Qual o último filme que viste e o que achaste

Postby Samwise » 26 Apr 2012 16:24

Camarada Rui, em altura nenhuma te tentei ridicularizar, mas uma discussão em que duas opiniões contrárias estão em cima da mesa passa sempre por fazer com que as ideias próprias façam mais sentido do que as dos outros. Uma das formas de o fazer é "reverter" a lógica alheia - usar a força dessa lógica nos argumentos colocados pelos outros. O que pretendi demonstrar ao repetir aquela frase, trocando-lhe apenas o título do filme, foi simplesmente que o argumento que serve para achares que o título do Minority Report se ajusta à história é o mesmo que também serve ao Blade Runner. Usando uma expressão tua, foi uma "provocação" - mas uma provocação inocente, colocada "em rodapé", num "EDIT" à margem do prato principal - esse sim, onde refuto com mais "substância" o teu texto anterior.

Não falei no Worldbuilding porque houver outros foristas a endereçar esse assunto (com muito melhores argumentos do que os que tinha) e não me foquei no lettering porque considerei (e continuo a considerar) que é um assunto marginal, algo que já está MESMO a fugir à questão da adequação do título ao filme - quer dizer... o que é que vem a seguir? As cores e a fonte das letras? O papel do poster em que foram impressas? A tinta e a impressora utilizadas? :D

Quando referes que estavas a falar especificamente sobre o lettering, e que eu preferi "armar-me em carapau de corrida", esqueces que foste tu que lançaste para o debate a imagem do Deckard. :rolleyes: Eu limitei-me a fazer o follow-up - não para me servir dos "erros de outros filmes para desculpar o BR" (sic), mas para distinguir entre "Liberdade Artística" e "Publicidade Enganosa".

Quanto ao MR, não sei se sabes ou não, mas partilho do teu entusiasmo sobre o filme. Teve muito mais impacto sobre mim do que o BR (em qualquer das versões que vi). Não precisas de me tentar convencer de que o filme é bom porque eu já estou desse lado. :bye:
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Re: Blade Runner

Postby croquete » 26 Apr 2012 18:16

Vi o filme há anos e na altura em que o vi pela primeira vez pareceu-me muito interessante.

Quanto mais não fosse pelo facto de destoar com as séries/filmes de ficção científica a que estava habituado ver ( Galáctica / Buck Rogers, etc...) e outros que, mais simples, juntavam as fórmulas dos westerns, como a infalibilidade do herói e o tiro fácil, a cenários futuristas.

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Re: Blade Runner

Postby nimzabo » 26 Apr 2012 18:25

Só para dizer que com tanta discussão sobre o filme já o vi e que não tenho outro comentário a fazer que dizer que os penteados das mulheres que lá aparecem são muito foleiros, se bem que a risca nos olhos da Daryl Hannah até lhe fica bem. Ah, e é sempre de noite.

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Re: Qual o último filme que viste e o que achaste

Postby Cabeças » 29 Apr 2012 18:02

Thanatos wrote:Rui, só uma pergunta: preferes penas de pato ou de ganso com o teu alcatrão? :twisted:


Thanatos, já tenho a data relativa à "espera" ao Rui... e já estão confirmadas pelo que sei mais 50 mil pessoas! :blink:

Como admirador do Blade Runner desde o 1º dia e sendo este um dos filmes da minha vida, tenho investido bastante na qualidade do alcatrão que estou a pensar levar, bem como nas penas. Levo penas de pombo, os pobres vagabundos têm comido os patos todos dos jardins. :rotfl:

Quanto ao Rui, embora respeite a argumentação dele obviamente não concordando com ela de todo, fico sinceramente com pena que ele não consiga apreciar o Blade Runner e sentir a sua magia! :(

Vou-me escusar de repetir argumentos, que penso não servem de nada para o caso... o Rui tem a opinião dele, que respeito, além de que a fundamentou. Quem perde todavia é ele, na minha opinião... :(

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Re: Qual o último filme que viste e o que achaste

Postby Rui Ramos » 03 May 2012 15:06

Samwise wrote: não me foquei no lettering porque considerei (e continuo a considerar) que é um assunto marginal, algo que já está MESMO a fugir à questão da adequação do título ao filme - quer dizer... o que é que vem a seguir? As cores e a fonte das letras? O papel do poster em que foram impressas? A tinta e a impressora utilizadas? :D


:D

Compreendo a tua posição, mas depois de dois cursos de Banda Desenhada e leitura sobre o assunto, já não posso menosprezar a importância que o lettering tem no processo complexo de contar uma história visualmente. O lettering certo apoia uma ideia, transmite um conceito, independentemente daquilo que nós os dois possamos achar. :friends:

Se dissertei sobre o lettering foi exactamente para expor o conceito transmitido, validando aquilo que defendi quanto ao que as palavras BR sugerem. Palavras, como já expus, estão nos antípodas do filme.

Se o próprio Scott teve dúvidas quanto ao título BR (que não foi de sua autoria) e chegou mesmo a pensar noutro, já dá uma boa indicação que o autor não o achava o mais adequado para o filme que tinha em mente.

Samwise wrote:Quando referes que estavas a falar especificamente sobre o lettering, e que eu preferi "armar-me em carapau de corrida", esqueces que foste tu que lançaste para o debate a imagem do Deckard. :rolleyes: Eu limitei-me a fazer o follow-up - não para me servir dos "erros de outros filmes para desculpar o BR" (sic), mas para distinguir entre "Liberdade Artística" e "Publicidade Enganosa".


Ok, já percebi o teu ponto. Mas uma pode ( "Liberdade Artística") levar à outra ("Publicidade Enganosa"). ;)

Samwise wrote:Quanto ao MR, não sei se sabes ou não, mas partilho do teu entusiasmo sobre o filme. Teve muito mais impacto sobre mim do que o BR (em qualquer das versões que vi). Não precisas de me tentar convencer de que o filme é bom porque eu já estou desse lado. :bye:

:D :bye:

Cabeças wrote:
Quanto ao Rui, embora respeite a argumentação dele obviamente não concordando com ela de todo, fico sinceramente com pena que ele não consiga apreciar o Blade Runner e sentir a sua magia! :(

Vou-me escusar de repetir argumentos, que penso não servem de nada para o caso... o Rui tem a opinião dele, que respeito, além de que a fundamentou. Quem perde todavia é ele, na minha opinião... :(


Todo este tópico começou por ter visionado o documentário Dangerous Days sobre este clássico incontornável do cinema. Ainda por cima, não o tinha visto até ao fim. :P

Logo, as minhas opiniões apoiaram-se na minha memória das duas versões que tinha visto, uma em 1992 no cinema e a outra, mais tarde,. que dava volta e meia da telly. A estas juntei a informação do referido doc até ao ponto que tinha visto.

Quando falei de worldbuilding e critiquei a opção de certos interiores, não sabia que os interiores criticados eram edifícios icónicos de LA. :blush: Depois da nossa discussão sobre o assunto e depois de ter terminado o visionamento do doc, dou o braço a torcer quanto ao uso do edifício Bradbury. Faz todo o sentido o seu uso e ainda confere toda uma dimensão simbólico/hermética ao conflito final entre Deckard e Batty.

Quanto à estação de comboios convertida em arranha-céus-esquadra da polícia... já não. Continuo a não encontrar sentido na opção, mas também é só uma cena que dura breves momentos, não afecta a qualidade do filme. os veículos terrestres também deixam a desejar, vêem-se muitos cadillacs com uns adaptadores quaisquer no tejadilho misturados com carros do futuro, mas porque não se vêm carros dos anos 70, 80,90, também? Dizer que o worldbuilding pode ser melhor, ou que gostaria de outras opções artísticas, não invalida a qualidade seja do que for. Apenas lhe confere outra dimensão e não propriamente qualidade.

Adiante.

Foi com prazer que assisti no documentário a opiniões sobre o filme de elementos da produção, concordantes com a minha. O filme desiludiu. O próprio realizador confessou que algo falhava no filme. A produção quis uma coisa, o realizador quis outra e o filme não agradou a ninguém. O Scott chegou mesmo a ser despedido (com a desculpa de ter ultrapassado o orçamento) e os produtores disseram algo do género: agora vamos colocá-lo (o filme) à nossa maneira. Mas naquele ponto do campeonato já era demasiado tarde. Scott voltou e concordou em incluir o voz-off.

Mesmo assim, o filme não resultou. Foi preciso, muito amor e carinho de uma minoria para o salvar do esquecimento e do fiasco total.

Há filmes que precisam de vários visionamentos para serem percebidos na sua quase totalidade e apreciados, filmes como 2001 - Odisseia no Espaço (Woody Allen, por exemplo, detestou-o da primeira vez que o viu e depois de o ver outra vez com outros olhos, passou a apreciá-lo como devia ser). Blade Runner também pode cair nesta categoria, embora, seja de compreensão mais directa na minha opinião.

Ontem, pude ver finalmente, a última versão de BR, a de 2007 que suponho é a versão que Scott aprova. Confesso que nunca gostei tanto de ver BR como ontem. Acho que aparecem cenas das quais não não me lembrava e que fazem toda a diferença.

Sob o ponto de vista técnico é genial, contrastes e jogos de luz e sombras, posicionamento de câmara, mise en place dos actores, os cenários, guarda-roupas, os exteriores, efeitos especiais que ainda se aguentam muito bem (melhores que muitos que andam por aí mais recentes, não estou a falar mal de CGI e a vangloriar as técnicas antigas, como é frequente ouvir-se, porque em BR também se nota onde está o Matte Painting, mas estes detalhes nunca me impediram de apreciar as qualidades de um filme).
BR é realmente genial sob muitos aspectos.
Contudo, sob o ponto de vista de história, plot, encontro algumas falhas. Aquelas que sempre encontrei. Não basta que o filme tenha várias camadas de informação (aspecto que adoro nos filmes: 2001 (volto a repetir este porque eu adoro 2001), Mulhollan drive, Tree of Life, etc) é preciso que essas camadas funcionem todas e em BR não consigo, por mais voltas que dê, aceitar certos aspectos que para mim não são outra coisa que não falhas. Posso estar errado, Cabeças companheiro, tu que percebeste o filme ilumina-me aqui.

A falha mais grave começa logo com o que são os Blade Runners. Para que é que servem? Detectar e abater Replicants. Muito bem. Mas se não são uma unidade especial, com nenhum atributo marcial especial, que hipótese têm eles contra Replicants de elite com capacidades físicas superiores e intelecto semelhante ao dos seus criadores, logo, acima da média do comum dos mortais?

Se um blade runner não passa de um homem comum, sem nenhum treino especial e a sua única forma de apanhar um Replicant é através de um questionário e uma pistola, não faria mais sentido, estar acompanhado por uma escolta da Swat para o ajudar e proteger?

A morte do blade runner logo ao início, é a prova como o método é ineficaz e descabido. O próprio Deckard das quatro vezes que confronta os Replicants, só vence 1, todas as outras vezes ou foi salvo no último momento por alguém de fora (pessoa que inrompe no camarim e interrompe a morte de Deckard completamente dominado e asfixiado às mãos da bailarina, ou então, salvo por Rachael quando o Replicant feioso está prestes a matá-lo de morte macaca), ou foi salvo pelo prórpio oponente que ele caçava. Deve ser a unidade policial mais incompetente de LA, com uma taxa de sucesso muito reduzida!!!

Se a sua função especial é a detecção e trabalha em colaboração com a polícia, não faria mais sentido, em vez de ir sozinho caçar andróides mais fortes e violentos que ele, se enviasse unidades militarizadas mais capazes e mais eficientes?

Só aqui toda a credibilidade da história vai ao charco.

Nunca foi uma reclamação de BR não ser um Indiana Jones aos saltos e aos tiros e a distribuir pancadaria de criar bicho contra robôs assassinos e sedentos de sangue humano. Não. É uma reclamação contra uma inconguência, contra algo que não é verosímil, que não faz sentido no universo criado, na minha muito humilde opinião.

Falha seguinte:

No filme falam-nos de 4 replicants fugitivos, três assumem um papel activo para se infiltrarem na residência do seu criador, mas um quarto trabalha num cabaret!!! Porquê? Porque fugiu num vaivém com os camaradas, participa no massacre da tripulação e passageiros e depois refugia-se num cabaret?

Mais: porque não acabou de matar Deckard quando já faltava tão pouco? A interrupção com a entrada de alguém no seu camarim não seria o suficiente para demover alguém fisicamente superior e que participou num massacre num espaço confinado como um vaivém.

Aqui pode haver uma explicação, cuja resposta está na foto que Deckard explora.

A cena da exploração da foto é uma das melhores do filme. Há qualquer coisa de hermético naquela foto. Toda a sua composição. A ambiência sombria e decadente, que sugerem que algo soturno está envolver os dois replicants envolvidos. Os amantes estão separados, um mergulhado em sombras e a outra em lágrimas? na banheira. Discutiram? Terá a mulher replicant decidido abandonar o grupo? Ambandonar o mundo da violência para se dedicar ao espectáculo? Decisão que já havia sido tomada previamente, pois o vestido de bailarina encontra-se igualmente presente na foto. Estarei a querer ver mais do que está lá só para encontrar justificar para uma falha possível no plot? Diz-me tu companheiro Cabeças.

Não me ofende os sentidos se não é falha e que a segunda interpretação que fiz ou outra possa fazer algum sentido. Neste aspecto, BR é excelente, pois permite as mais variadas interpretações, na tentativa de tentar preencher os espaços deixados em aberto. Sou o primeiro a aplaudir de pé quando um autor não nos revela tudo e abre o caminho à interpretação e especulação.

BR é grande no final! E muito o deve a Rutger Hauer e à sua famosa citação:
I've seen things you people wouldn't believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I watched C-beams glitter in the dark near the Tannhauser gate. All those moments will be lost in time... like tears in rain... Time to die.

Frases como estas conferem a qualquer obra um manto de imortalidade. Abrem a nossa imaginação a um mundo muito mais vasto que vai para lá do mundo claustrofóbico que Scott filmou.

Continuando.

Se esquecermos que BR é uma unidade policial especial, e aceitarmos que é apenas um título com pouco ou nenhum significado, então a prestação de Ford como detective relutante, com problemas morais-existênciais é igualmente muito boa.

Mas aqui surge outro problema:

Será que Deckard é um replicant? Segundo esta nova versão de 2007, não há muitas dúvidas que é. E se a polícia usa replicants para caçar outros replicants (pois decididamente o polícia esquisito que faz origamis, sabe que ele é um), porque é que não usam um fisicamente mais capaz de cumprir a missão? Será que foi por isso que os outros replicants não o mataram logo e até o deixaram vivo, por saberem que é um deles?

Se assim é, não cai um pouco por terra a temática quem é que é mais humano, se nós ou os nossos andróides?

Cabeças, ajuda-me aqui nestas dúvidas.

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Re: Qual o último filme que viste e o que achaste

Postby Cabeças » 23 Jun 2012 17:41

Rui Ramos wrote:
Cabeças, ajuda-me aqui nestas dúvidas.


Olá Rui,

Peço desculpa, só hoje é que li este teu último comentário, onde explicitamente pedes a minha opinião.

Há que colocar as coisas em contexto. E o "meu" contexto é que vi o filme com 20 anos acabados de fazer, num tempo em que ter 20 anos não era de todo o mesmo que ter 20 anos hoje. O Blade Runner mexeu comigo de variadissimas formas, umas ligadas à minha juventude de então e outras ligadas a uma grandiosidade cinematográfica que até então nunca tinha encontrado e a um "casamento" entre o filme e a banda sonora que, em termos de analogia, até hoje só encontrei paralelo no Once Upon a Time in America e com a colaboração entre o Leone e o Morricone.

Era um outro tempo então e estávamos muitos de nós, pela juventude, muito mais receptivos e impressionáveis face ao tipo de experiência de sentidos que o Blade Runner nos proporcionou na altura. E não tinhamos também visto muitos dos outros filmes que referiste, facto que, tal como ter muitas namoradas mata um bocado a capacidade de encantamento face a uma nova, também contribui para que nos sintamos menos maravilhados por um filme novo, que se tivesse sido visto 20 anos antes teria tido nos nossos espíritos um impacto muito maior. Basta ver o que diz hoje a juventude em termos gerais do "Exorcista"... uns dizem que é giro mas nem por isso é nada de especial... outros que se fartaram de rir... e estamos a falar de um filme que fez algum do público que o viu na altura desmaiar em plena sessão!

O que penso que já terás compreendido pretendo transmitir, é que, mais do que arranjar argumentos para desconstruir a tua linha crítica, o que não é de todo o meu mote, estou a apresentar-te o que para mim foi importante para considerar o Blade Runner um dos filmes da minha vida, a par com o Once Upon a Time in America. O contexto histórico do filme, a minha juventude, e obviamente o meu tipo de sensibilidade fizeram com que tivesse ficado apaixonado pelo filme. O tempo decorrido depois, como acontece em muitas "relações", acabou por transformar a paixão inicial num amor profundo.

E o amor... não se explica, na maior parte dos casos. Não é lógico, pelo menos em termos racionais muitas vezes não é. Mas é assim que as coisas funcionam nas relações, humanas ou neste caso entre humanos e um filme. Sei perfeitamente que o filme em termos racionais tem muitas lacunas e coisas mal explicadas e muitos dos teus argumentos fazem sentido do ponto de vista estritamente crítico. Mas penso por exemplo que a não publicitação de que o Deckard era um androide, poderia ter a ver com a questão de que não interessaria politicamente passar para a opinião pública que os humanos precisavam de androides para eliminar outros androides. Equivaleria a dizer que um humano não o conseguiria fazer, o que seria extremamente complicado para uma sociedade que ao que parece não tinha problemas em criar réplicas nossas superiores em termos mentais, físicos e com uma consciência própria... e depois utilizá-los como escravos, como bestas de carta e colocar-lhes até um término pré-estabelecido para que inclusive não permitir que ainda por cima pudessem ser imortais. E não poderia ser convincente ter um androide policia entre os humanos se ele tivesse capacidades que parecessem sobre-humanas. Seria melhor que parecesse um tipo normal. Seria ainda melhor se "ele" estivesse convencido de que era um tipo normal!

Esta questão do Deckard ser uma réplica, foi apenas uma linha de argumentação relativamente a uma das interrogações que levantas. Como referi, muitas delas podem fazem sentido e todas podem ser rebatidas. Mesmo em termos urbanos... hoje em dia vêm-se coisas tremendamente ilógicas e sem qualquer sentido em qualquer cidade. Se nos anos 80 me tivesssem dito que o Cinema Império (Lisboa) se transformaria numa igreja de um culto, eu não teria acreditado. Ou que iriam encerrar as piscinas do Areeiro, da Penha de França e do Campo Grande...ou que o Café Monte Carlo se transformaria numa loja de roupa... ou que o Café Roma se transformaria numa casa de hamburgueres...ou que o Tivoli e o Condes e o S. Jorte terminariam como Cinemas... são tudo coisas que achamos "normais" pois vimo-las suceder... mas se nos anos 80 eu tivesse visto um filme passado em Lisboa em 2012 onde desse conta destas coisas.... se calhar teria achado uma parvoíce da parte do realizador.

Sempre achei que não devemos deixar que a racionalização estrague o encantamento relativamente aos filmes que são importantes para nós e isso sucede comigo e com o Blade Runner e com muitos outros filmes.

Há um outro pormenor importante que gostaria de deixar contigo e que acredito até que já saberás, mas que ajuda a perceber uma certa maneira de ver as coisas relativamente ao encantamento puro. O David Lynch, que é um dos meus realizadores preferidos, um dia cansado das críticas relativas á complicação que eram os argumentos dos filmes dele, referiu que gostava que os filmes que fazia fossem simplesmente "sentidos" e adiantou que nunca tinha ouvido ninguém queixar-se de não ter "percebido" a 9ª Sinfonia de Beethoven. E esta é uma ideia que me é grata relativamente aos filmes dele, que para mim sempre valeram pelas sensações que me transmitem (principamente a trilogia "negra") e não pelos meandros da história ou do argumento e da necessidade (que sinceramente não sinto) de os desconstruir até ao átomo á procura de falhas. A minha experiência com os filmes do Lynch, é toda ela fundamentalmente ligada aos sentidos e não á racionalidade. O tipo consegue sempre levar-me ao Inferno. Mas é um Inferno que eu adoro.

Com o Blade Runner é a mesma coisa, juntamente com o factor ligado ao contexto que te referi acima. Eu apaixonei-me (logo) pela Rachel! Invejei o Deckard, quis ser o Deckard! Senti um misto de antipatia e de simpatia pelo Roy e a morte dele e o que ele refere na altura é ainda hoje para mim um dos grandes momentos do Cinema em termos de beleza estética e dramatismo. Tenho uma necessidade compulsiva de ver de tempos a tempos o Blade Runner. As versões todas. E continuo apaixonado pela Rachel! :D

Um abraço! :bye:


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