Análise anti-sinóptica ao poema páscoa

elsefire
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Análise anti-sinóptica ao poema páscoa

Postby elsefire » 10 Nov 2006 12:03

análise feita em 5/09/2006 em http://www.circulo-escritores.web.pt/ .
páscoa

as luzes
também se acendem com as cicatrizes
assim como
existem jardins translúcidos
suspensos num sorriso
que são adubados pela dor

um tropeção
uma pedra,
simbolizando a noite
debruçada sobre o corpo
podem ser uma manhã
ainda descalça
fiando uma meia-volta
de uma borboleta.

sei leitor
que por vezes tropeças
em arco-iris
que elefantes terríveis
caminham entre os teus cabelos
e ombros.
mas vê a imagem magnífica
de um coração futuro
pedalando numa bicicleta
subindo
ao topo das árvores.

e sorri.

achei interessante fazê-lo, até para tirar do obscurantismo alguma coisa que eu escreva, embora me arrisque aquilo que alguns poetas dizem: que um poema desvendado é um poema morto. Mas enfim fica aqui como um rebuçado esta análise auto-critica a este poema que parece a primeira vista sem sentido.
mas enfim... nao o voltarei a fazer, presumo.

A 1ª parte do poema começa com :
as luzes
também se acendem com as cicatrizes

julgo ser esta a frase chave do poema, aqui vê-se o verdadeiro sentido do poema. ou seja é possivel através das feridas cicatrizadas alcançar alegria, paz interior, tudo de bom que a luz significa, como pensamentos férteis etc, etc. aliás o título páscoa faz todo o sentido aqui, porque foi a partir das cicatrizes de Cristo que muitos alcançaram paz, embora muitos continuem a errar, ressentidos contra Deus.
Deve haver pessoas que não acreditam, mas Cristo é verdadeiro.
depois continua com a mesmíssima ideia em que a dor pode ser o fertilizante de um sorriso, ou melhor ainda, de algo que ainda torna o sorriso mais frutouso: de um jardim que deixa passar a luz(translúcido) .

na 2ª estrofe continua com a mesma ideia:

um tropeção, ou a noite,a escuridão as trevas, o mau, que se prepara para tomar conta do corpo, simbolizada numa pedra, ou melhor o peso desta(é dificil explicar estas coisas porque eu sinto estas imagens e podem os leitores não as sentir "a imagem não significa , é") , podem ser enfim uma manhã , que é enfim o começo dos dias, um começo de uma nova vida, um novo fôlego. "ainda descalça fiando a meia-volta de uma borboleta"
ainda descalça reforça a ideia de recomeço, uma manhã acabada de levantar.

"fiando a meia-volta de uma borboleta" (considero isto das coisas mais bonitas que alguma vez escrevi, se me permitem alguma vaidade por isso), enfim vejo as borboletas como seres que voam livres, algo soltos, aos zig-zags, parecendo algo perdidas, mas no entanto como já disse livres. sempre vejo borboletas como pensamentos bons e enfim se substituir borboleta por pensamento acha-se o sentido do verso.

na 3ª estrofe a ideia do tropeçar do sofrer continua patente
enfim por vezes tropeça-se efectivamente em arco-iris, coisas muito belas mas que não trazem nada de bom- fogo de vista. A ideia dos elefantes surgiu-me, confesso que hesitei, mas por fim lá deixei estar. queria dar a ideia de pesados pensamentos, dos fardos, das patadas fortes sofre a cabeça, sobre os ombros. Enfim o surrealismo serve-se muitas vezes destas coisas e eu gosto de surrealismo, como aquela imagem icone do surrealismo em que uma pessoa aparece com os olhos cortados.
mas continuando na senda de que aquilo que dói pode trazer alegria continuo :
mas vê a imagem magnífica
de um coração futuro
pedalando numa bicicleta

um coração futuro cheio de saúde
cheio de força e alegria

subindo
ao topo das árvores.
brincando como brinca na inocência das crianças

e sorri.

para terminar páscoa é acima de tudo, tempo de mudar de vida( todo este poema fala disso), para mim foi há dois anos atrás, espero que seja para mais alguém.
houve um tempo em que julgava que só eu é que sofria, fechava-me no semi-círculo da minha cabeça e pensava como Deus era mau e injusto para mim. Hoje continuo a ter problemas até maiores e acho que tudo o que passei valeu a pena e tem um sentido e que Deus foi até misericordioso comigo.vejo que o sofrimento é um meio para a plena felicidade. para muitos isso será dificil de compreender, para outros será inaceitável, para outros a esperança da luz numas simples palavras amo-vos como irmãos.
um abraço

Ordie
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Re: Análise anti-sinóptica ao poema páscoa

Postby Ordie » 13 Nov 2006 06:44

"que um poema desvendado é um poema morto."

Nonsense. Poesia é como tudo o resto: linguagem que tem como objectivo transmitir alguma mensagem. Deixar tal mensagem por desvendar simplesmente em nome de algum conceito altíssimo como "a quase-transcendência do poema & poeta" é tão estranho como desnatural e paradoxal.

Keep it up.
He who thinks greatly must<br />err greatly.

elsefire
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Re: Análise anti-sinóptica ao poema páscoa

Postby elsefire » 13 Nov 2006 15:54

sim tens razão, em dizer que um poema quer transmitir uma mensagem e de facto transmite, mas a diferença fundamental, entre a poesia e outros modos de linguagem, é que existem partes substanciais do poema que são deixadas à interpretação e reflexo do leitor, no que está escrito. um poema tem um bocado a "presunção educada" ,de ser. Assim como, um ser pode ter a humildade de ser um poema. Isto significa que o Mundo olha para ele, o poema, de diferentes formas. Uns acham-no simpático, outros absurdo, outros, pensarão que ele pensa de uma forma, que outro individuo pensará que de facto não pensa. Enfim... o ser é assim mesmo: complexo e rico.

um abraço e obrigado pela opinião.


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