poema de natal

elsefire
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poema de natal

Postby elsefire » 14 Dec 2006 14:38

(este texto já foi escrito no ano passado)

vem pela madrugada, luzir na aurora alva
que é o ventre de tua mãe
vem nascer no coração dos homens
como a sagrada e santa videira de sangue
vem com a semente de fogo na língua
plantar nos peitos inexplorados.
vem regá-los com o teu sangue
suor milenar de redenção
vem abrir regos na carne fértil
onde brotarão espigas de palavras da tua boca
vem amar os condenados, os pecadores,
os presos, as prostitutas, os que roubam e saqueiam,****
os que amarguram nas trevas ou no limbo,
fá-los sentar no mesmo banco em que me sento,
para que festa seja feita no céu
por cada alma que se converte ao teu amor.
vem Menino Jesus nascer a cada dia
como uma primavera eterna
que se recicla a cada pulsar de um coração de gente.

****nunca é tarde para uma aula de catequese, este texto dá-me a oportunidade de o fazer, especialmente na parte que contém as estrelinhas ****:
Mt 9,11-13
E os fariseus, vendo isto, disseram aos seus discípulos: Por que come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores?
Jesus, porém, ouvindo, disse-lhes: Näo necessitam de médico os säos, mas, sim, os doentes.
Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e näo sacrifício. Porque eu näo vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento.

Lc 7, 37-50
E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento;
E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o ungüento.
Quando isto viu o fariseu que o tinha convidado, falava consigo, dizendo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora.
E respondendo, Jesus disse-lhe: Simäo, uma coisa tenho a dizer-te. E ele disse: Dize-a, Mestre.
Um certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos dinheiros, e outro cinqüenta.
E, näo tendo eles com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Dize, pois, qual deles o amará mais?
E Simäo, respondendo, disse: Tenho para mim que é aquele a quem mais perdoou. E ele lhe disse: Julgaste bem. E, voltando-se para a mulher, disse a Simäo: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e näo me deste água para os pés; mas esta regou-me os pés com lágrimas, e mos enxugou com os seus cabelos.
Näo me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, näo tem cessado de me beijar os pés.
Näo me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com ungüento.
Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe säo perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama.
E disse-lhe a ela: Os teus pecados te säo perdoados.
E os que estavam à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este, que até perdoa pecados? E disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz.

Lyquid
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Re: poema de natal

Postby Lyquid » 20 Dec 2006 15:15

Conseguindo abstraír-me da minha arreligiosidade posso dizer que adorei este poema. Tem um traço de amargura/ironia (isto é a minha percepção e não uma tentativa de me imiscuir na alma de quem o escreveu, Elsefire) que me aquece o sangue. Eu nem tento escrever um texto Natalício porque nesta altura da minha vida sairia qualquer coisa de insuportável portanto agradeço que o tenhas feito, apesar de já ter uma noite de idade.

Como diriam nos AA de um qualquer filme rasca americano "Thank you for sharing"
Amo todas as palavras... especialmente as que não podem ser ditas em voz alta para não quebrar o encantamento, por isso são escritas e são entregues de peito aberto a quem quiser entrar nos nossos sonhos, nas nossas dores.

elsefire
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Re: poema de natal

Postby elsefire » 22 Dec 2006 11:30

ora essa quem agradeçe sou eu.

Senta-te agora no meu banco e ouve.

afinal o poema dá-nos esta liberdade de vermos nele aquilo que queremos que ele seja, aquilo que mais íntimo desejamos que seja. Nesse sentido dás-me a oportunidade de aprofundar o sentido do poema e o tornar mais claro, com as notas que lhe acrescentei. Para quem não conhece nada da bíblia( e orgulha-se disso, pois isso será um sinal de inteligência suprema(lembro-me bem o que pensava quando era agnóstico, felizmente Deus viu algo de bom em mim e salvou-me da escravidão, do ser infeliz que era aquilo que eu era e não sabia que havia felicidade tão grande como aquela de acreditar em Jesus e estar com ele continuamente. Depois disso todos os problemas são pequenos e o sorriso vive continuamente. Aliás segundo uma estátistica social que se fez, os crentes riem muito mais dos que não crêem.)), dizer :

Jesus vem amar os condenados, os pecadores,
os presos, as prostitutas, os que roubam e saqueiam

é motivo de escândalo ou ironia. no entanto também te digo que o leite se mistura com o café para o tornar mais claro, assim como Jesus se mistura com os pecadores para os salvar, para apascentar as suas ovelhas. Infelizmente para ti irmão és arreligioso, até ao fim da vida ainda tens muito tempo para aprender. Assim Deus olhe por ti e assim olhará, por muito que penses que te abandonou. Afinal amigo se um pai ou uma mãe fazem tudo pelo seu filho, imagina o Pai do céu perfeito, senão fará ainda mais. O sentido deste texto que escrevi é também esse: diz Jesus será maior a festa no Céu pela ovelha que tendo se perdido volta a casa do que as outras 99 que se mantêm dentro da cerca.
Bendito seja Deus.

Lyquid
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Re: poema de natal

Postby Lyquid » 27 Dec 2006 10:04

elsefire wrote:Afinal amigo se um pai ou uma mãe fazem tudo pelo seu filho, imagina o Pai do céu perfeito...


Não seria por aqui que eu me convencia, porque se Deus fizesse mais por mim do que os meus pais o máximo que me podia acontecer era nascer duas vezes...

Mas aceito a religiosidade dos outros com o mesmo respeito que peço para a minha arreligiosidade.
Amo todas as palavras... especialmente as que não podem ser ditas em voz alta para não quebrar o encantamento, por isso são escritas e são entregues de peito aberto a quem quiser entrar nos nossos sonhos, nas nossas dores.


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