Fim do Mundo I

Lyquid
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Re: Fim do Mundo I

Postby Lyquid » 19 May 2006 14:53

Diana, isto:

"Hoje, a noite pertence-lhes.
talvez amanhã não nasça o sol
nem existam asas que sintam o céu.
somente a marca da tortura nas
costas do mundo e nós, amor
sejamos os únicos sobreviventes"

é o que eu sinto pela mulher que amo dito por outra pessoa e com palavras que não me lembrei que existissem, parece que uma coisa em comum temos, a necessidade de nos alhearmos do mundo e vivermos de e para o amor... Obrigado por nos deixares espreitar o teu amor

Jorge O.
Amo todas as palavras... especialmente as que não podem ser ditas em voz alta para não quebrar o encantamento, por isso são escritas e são entregues de peito aberto a quem quiser entrar nos nossos sonhos, nas nossas dores.

Ordie
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Re: Fim do Mundo I

Postby Ordie » 30 May 2006 18:40

Usas a pontuação duma maneira incorrecta.

"Já é tarde amor.
a noite deita-se nua no mundo
como uma amante virgem que
espera o prazer no corpo…"

Devia ter uma vírgula a seguir a "tarde". Também, como sugestão pessoal, evita o uso de reticências.

"Vem para dentro amor,
e deixa o vento maltratar
os campos por ceifar, e as
águas engolirem o paraíso de Eva."

A mesma coisa que acima, mas a vírgula a seguir a ceifar também está mal usada.

"Hoje, a noite pertence-lhes.
talvez amanhã não nasça o sol
nem existam asas que sintam o céu.
somente a marca da tortura nas
costas do mundo e nós, amor
sejamos os únicos sobreviventes."

Outra vez, vírgula a seguir a amor. Também, de notar que "talvez" tem de estar capitalisado: está no início de uma frase (o mesmo se aplica a "somente").

Ok, agora para o poema em si. Na E2V4 apareces com a expressão "paraíso de Eva", que me aparenta estar bastante fora de contexto. O que é que "ela vir para dentro" iria influenciar a destruição do Paraíso pela Água? Não compreendo; será que tu compreendes?

"somente a marca da tortura nas
costas do mundo e nós, amor[,]"

Tens aí um enjabment que não resulta assim lá muito bem. Se eu fosse a ti, das duas uma: ou reescrevia os versos de maneira a criares aí um fim fixo no verso, ou unia os dois versos duma das seguintes maneiras:

"somente a marca da tortura nas costas do mundo e nós, amor[,]" 18 sílabas, parece, e é, excessivamente longo quando comparado com o resto do poema.

Outra opção que eu, se fosse tu, consideraria, seria

"somente a marca da tortura nas costas do mundo
e nós, amor[,]"

14 e 4 sílabas, respectivamente. Parece-me bastante mais aceitável.

Aqui está a minha opinião, feel free to ignore it.

- Miguel
He who thinks greatly must<br />err greatly.

elsefire
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Re: Fim do Mundo I

Postby elsefire » 01 Jun 2006 17:59

Ordie wrote:
Outra vez, vírgula a seguir a amor. Também, de notar que "talvez" tem de estar capitalisado: está no início de uma frase (o mesmo se aplica a "somente").




aqui acho que está enganado imensos autores não capitalisam as palavras a seguir ao ponto final e muitos deles famosos como Lobo Antunes, Al Berto e bastantes outros. Acho que por uma questão estética ou simples sentimento de não-euforia.
e eu gosto assim devo dizer.

Ordie
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Re: Fim do Mundo I

Postby Ordie » 01 Jun 2006 19:25

Pois, são opiniões. Já que falamos em opiniões, aqui uma:

While capitalizing the first word of every line can seem pretentious to the modern reader, it has one distinct advantage for any poem: it emphasises the importance of the line over the sentence. One thing that has certainly been lost in modern readers of poetry is the awareness of the line, how it functions, how there's a miniscule mental and auditory pause at the end of each one to punch that final word and place a secondary stress on the first word of the following line. What capitalizing the first word of every line can do with a modern reader is to force that emphasis a little more, make it more relevant and obvious. While the general convention has been not to use this tool in free verse, I personally think it should remain in a writer's arsenal regardless of form. If you write a poem where you feel it is important for a reader to really pay attention to the interplay between lines, the possible differing meanings between a line versus a sentence, and the change in emphasis created by the lines, then capitalising the first word of each line could be a valuable tool to you.

Rachel
He who thinks greatly must<br />err greatly.


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