O Meu Amor Matou-me

Lyquid
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O Meu Amor Matou-me

Postby Lyquid » 19 Jun 2006 13:13

O meu coração não bate,
parou no tempo, insensível,
como um relógio de sol num dia de chuva.
Os meus lábios não beijam,
desaprenderam a amar, secos,
como um rio indolente que se cansou do mar.
Os meus olhos não veem
cegos de tanto te amar,
como uma nuvem errante perdida do céu.
As minhas mãos não tocam,
tornaram-se vazias de vontade
como a chuva insistente sem chão para molhar.

O meu amor matou-me
com o olhar pétreo de quem não amas.

2006, Lx
Jorge O.
Amo todas as palavras... especialmente as que não podem ser ditas em voz alta para não quebrar o encantamento, por isso são escritas e são entregues de peito aberto a quem quiser entrar nos nossos sonhos, nas nossas dores.

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Samwise
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Re: O Meu Amor Matou-me

Postby Samwise » 22 Jun 2006 18:33

Este é outro belo (e amargo) poema, com um título à altura e que chora um pranto que, lentamente, friamente, se dilui natureza fora... como um corpo em decomposição!

Os dois versos finais afundam o machado com um gesto de olhar.

Sam
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Lyquid
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Re: O Meu Amor Matou-me

Postby Lyquid » 23 Jun 2006 11:15

Sam e Deirdre, nem tenho palavras para vos agradecer os comentários, a sério.
Amo todas as palavras... especialmente as que não podem ser ditas em voz alta para não quebrar o encantamento, por isso são escritas e são entregues de peito aberto a quem quiser entrar nos nossos sonhos, nas nossas dores.


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