A Única Verdade

Lyquid
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A Única Verdade

Postby Lyquid » 25 Oct 2006 18:06

O amanhã não existe,
fecha os olhos minha criança,
deixa-te adormecer agora
e esquece a infelicidade.

O ontem não existiu,
levanta-te da cama minha mulher,
abandona o abandono agora
e esquece a tristeza.

A vida é uma desculpa para magoarmos os outros.
A morte é a culpa de termos vivido assim.
Há uma única verdade no hoje...
Não posso estar contigo.

Lx, 2006
Jorge O.
Amo todas as palavras... especialmente as que não podem ser ditas em voz alta para não quebrar o encantamento, por isso são escritas e são entregues de peito aberto a quem quiser entrar nos nossos sonhos, nas nossas dores.

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Re: A Única Verdade

Postby Aignes » 25 Oct 2006 23:32

Gostei da quase oposição entre o passado/futuro e como está relacionado com a criança e a mulher. Como se consolam duas pessoas diferentes, de maneiras que vão de acordo com o que importa para estas, com aquilo que as preocupa. Também os dois primeiros versos da última estrofe resumem a lição de vida e a conclusão que se tira desta...Acho que estão muito bem para o resto do poema. Só não percebi mesmo os dois últimos versos, que acho que destoam e fogem do tema...mas isto é a forma como o li e provavelmente não a forma como o escreveste. :wink:
«The force that through the green fuse drives the flower
Drives my green age; that blasts the roots of trees
Is my destroyer.
And I am dumb to tell the crooked rose
My youth is bent by the same wintry fever.»

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Re: A Única Verdade

Postby Lyquid » 26 Oct 2006 08:24

Aignes wrote:Só não percebi mesmo os dois últimos versos, que acho que destoam e fogem do tema...mas isto é a forma como o li e provavelmente não a forma como o escreveste. :wink:


São o que se chama em "Netlandês" um offtopic propositado e compreendo que seja de difícil apreensão. Apesar de nunca o ter feito, pela forma como o leste, julgo que mereces um "espreitar cá para dentro". Quanto à quase-oposição do ontem e do amanhã (Passado/Futuro) compreendeste exactamente o sentido. Quanto aos últimos dois versos são relacionados com o facto de não poder estar nem com a menina do amanhã nem com mulher do ontem. O agora a que tanta gente dá importância neste poema é destruído pelo último verso. Não sei se faz sentido, mas como disseste e bem, é a forma como o escrevi.

Obrigado pelo comentário Aignes.

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Re: A Única Verdade

Postby Aignes » 26 Oct 2006 21:50

Percebi perfeitamente, agora...faz todo o sentido, sim. :smile:

Agora posso dizer que gostei bastante do poema como um todo. :thumbsup:
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Re: A Única Verdade

Postby Lyquid » 27 Oct 2006 09:59

Fico contente por isso.

Jorge O.
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Re: A Única Verdade

Postby Samwise » 27 Oct 2006 10:38

O tais dois primeiros versos da terceira estrofe estão ao nível (ou acima) das melhores coisas que já escreveste, pelo menos daquelas que li.

O resto do poema está dentro dos limite que considero "normais" (seja eles quais forem).

A existência passada e futura - que acabas por reduzir ao PRESENTE - HOJE - AQUI - não passa de uma epsécie de sofrimento constante. A constância da vida...

Sam
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?

My taste is only personal, but it's all I have. - Roger Ebert

- Monturo Fotográfico - Câmara Subjectiva -

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Re: A Única Verdade

Postby Lyquid » 27 Oct 2006 15:54

Sam, no dia em que uma qualquer insana Editora decidir editar o meu livro prometo-te que um dos agradecimentos vai para o teu nick...
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