2º Conto BBDE

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isabelucha
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Re: 2º Conto BBDE

Postby isabelucha » 23 May 2005 20:36

Os olhos das quatro pessoas que se encontravam na casa, olharam na mesma direcção: pela janela era possível ver uma força policial bastante intimidatória... Homens armados até aos dentes, em posição de ataque, parecendo apenas aguardar ordens para avançarem pela casa dentro.
- A bófia... Por esta é que eu não esperava! - dizia Choo.
- Como é que eles chegaram aqui? Quem os chamou? - inquiria Manel.
- O que me preocupa não é o facto de eles aqui estarem, mas... O que vão eles fazer-nos!
Sem o saber, Margarida tinha lido os pensamentos dos três homens com quem estava.

-x-

- Não quero ouvir mais nenhum barulho! Eu disse para se aproximarem em silêncio e vocês fazem-me um escabeche destes?! É sempre a mesma coisa... Silêncio, e atenção às minhas ordens! - sibilava Joaquim pelo comunicador. Tendo chegado a este ponto, não sabia o que fazer.

Depois do incidente com o alemão, ele e Thanatos tinham estado a falar com aquele que parecia um cientista louco, e, embora a história que lhes havia contado fizesse sentido, parecia demasiado incrível para ser verdade...
Um agente da Interpol infiltrado para desmascarar os verdadeiros criminosos? Não, não podia ser verdade... Se assim fosse, porque teria o alemão deixado a situação chegar até ali? O rapaz já estava infectado com os genes de lobo e a situação da rapariga ainda não era inteiramente conhecida...!
Havia ali alguma coisa que não estava a ser bem contada... E ele não podia arriscar que uma operação destas fosse pelo cano abaixo!
Chamando discretamente Thanatos àparte, segredou-lhe qualquer coisa ao ouvido, enquanto este acenava afirmativamente.
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Pedro Farinha
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Re: 2º Conto BBDE

Postby Pedro Farinha » 25 May 2005 00:25

Sentado atrás de um arbusto com o rádio na mão, Joaquim olha á volta enquanto vê os atiradores posicionarem-se ao redor do edifício. Levanta-se um pouco e tenta espreitar para dentro das janelas mas os malditos estores de bambú não permitem ver nada.

Abre a boca para gritar uma ordem de comando mas as palavras extinguem-se brutalmente na garganta. Vindos do túnel que desagua na praia saiem uns vinte lobos. Mas estes lobos caminham sobre duas patas e vêem munidos de AK-47.

Incapaz de pronunciar palavra, toca no ombro de Thanatos que se volta. – Estamos entre dois fogos – diz este. Mas a verdade é que ainda ninguém disparou um único tiro.

É então que se ouve um estrondo vindo do interior da casa. Pouco depois a porta abre-se e uma rapariga estranhamente vestida com uma bata branca suja e rasgada lhes faz sinal – entrem depressa !

Joaquim hesita, mais uma vez, mas os disparos que se iniciam decidem-no e é sob uma forte saraivada de balas que os policías entram a trote na sede do CREDO.

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Samwise
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Re: 2º Conto BBDE

Postby Samwise » 31 May 2005 12:17

Nesse dia o sol pôs-se vermelho, afundando-se no horizonte como um navio moribundo. As nuvens afastaram-se a medo, não fosse o astro incandescente deixar-lhes marcas de queimaduras. No céu em redor algumas cores atropelavam-se em tentativas vãs de protagonismo. Começou o azul, depois o cor-de-laranja, seguiu-se o rosa e, por fim, transportado num véu apaziguador, o negro pintalgado.

Fim de tarde. Lusco-fusco. Hora de jantar.

Fernando olhou para o livro à sua frente. A página exibia o número "1", centrado em baixo. Às vezes a imaginação pregava-lhe destas partidas. O seu corpo passara a tarde na esplanada, com um livro ao colo. A sua mente noutros lugares. Talvez conseguisse aproveitar alguma coisa. Talvez pegasse nesses fragmentos de memória e os juntasse no papel. Talvez...
- A sua conta, senhor.
O empregado largou o pires metálico em cima da mesa e recolheu a chávena e o copo, vazios. Os candeeiros em volta do largo iluminavam a rua circundante. A fonte não se via, escondida nas sombras. Ouvia-se, apenas. Continuava calor.
Fechou o livro sobre o dedo indicador, num gesto minado pelo hábito, como que a marcar o local de leitura. Olhou para o papelito. Tirou da carteira uma nota de cinco e colocou-a na mesa, com o pires por cima. Pegou nos óculos e guardou-os no bolso.

Preparava-se para se levantar…
Uma palmada forte nas costas. O livro para o meio do chão. Quem…?
- Olá, maninho. Lembras-te de mim?

Fim
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?

My taste is only personal, but it's all I have. - Roger Ebert

- Monturo Fotográfico - Câmara Subjectiva -


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