3º Conto BBDE

- Projecto Inacabado -
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Agnor
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Re: 3º Conto BBDE

Postby Agnor » 22 Jul 2005 11:46

... um rapaz olhava cuidadosamente para cada canto do aeroporto, espelhando-se na sua face um sentimento contagiante: um misto de alegria e surpresa.

Tentava segurar os seus cabelos longos e castanhos, pois ondulavam constantemente cada vez que uma aeronave se preparava para a aterragem, devido ao vento. Mesmo a cerca de um quilómetro de distância, era muito mais forte do que ele alguma vez sentiu na Colónia, onde este era criado artificialmente, para dar uma "sensação de como seria viver ao ar livre".

Sentia-se livre e vivo como nunca, apreciando a vastidão da zona de aterragem, tentando vislumbar o fim, mas sem o conseguir, apreciando pela primeira vez a vida fora da monotonia da Colónia.

Mas não estava ali para apreciar as vistas...

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anavicenteferreira
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Re: 3º Conto BBDE

Postby anavicenteferreira » 26 Jul 2005 15:31

...estranha afecção que atormentava tanta gente, desde que o meteorito atingira Tunes, podia estar mesmo ali. E ele acreditava que estaria, fora uma das razões porque aceitara aquela missão.

Tentou atravessar o espaço que o separava da pista de aterragem de forma casual. Estava tão ocupado a manter um ar despreocupado que não viu a rapariga que se aproximava dele, as mãos remexendo cada um dos muitos bolsos do seu longo casaco bege.

Chocaram a dois passos das portas deslizantes de vidro e metal que os separavam da pista. Como ela vinha meio dobrada e o atingiu em cheio no peito, foi ele que acabou estendido no meio do chão, olhando para um rosto maquiado com listas em tons de azul e púrpura, sob uma juba de cabelo rosa-claro.

A rapariga olhava-o, furiosa. Joel levantou-se e murmurou uma qualquer fómula apologética, mas ela afastou-se sem uma palavra, as mãos ainda nos bolsos, procurando qualquer coisa.

Encolhendo os ombros, ele atravessou as portas e dirigiu-se à nave.

Não havia ninguém naquela parte da pista. Tinha acabado de chegar uma aeronave anfíbia de uma das biosferas subatlânticas e a equipa de solo atarefava-se à volta dela.

Joel olhou para trás, antes de se arriscar a entrar na nave. Não queria ter de dar demasiadas explicações.

A rapariga com que chocara uns minutos antes estava parada junto às portas, um ar de incredulidade espalhando-se-lhe no rosto, enquanto o seu olhar alternava entre ele e um papel que tinha nas mãos.

Ele não sabia que papel era aquele, mas...
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Venom
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Re: 3º Conto BBDE

Postby Venom » 27 Jul 2005 17:30

...desconfiava que tinha algo a ver com ele. Assim que ia começar a subir as escadas para a aeronave sucederam-se uma série de explosões. Olhando para o espaço aéreo que o rodeava, Joel avistou 5 naves que reconheceu imediatamente como sendo as Legionárias. Um misto de bombardeiro e caça, com a vantagem de poder entrar na atmosfera terrestre e sair, algo que a maioria dos caças e dos bombardeiros da altura não podiam fazer. Pertenciam a um grupo de piratas chamados “Visigodos”, de descendência maioritariamente Portuguesa, eram actualmente o maior grupo de piratas do espaço conhecido. Tecnologicamente mais avançados que a maioria das facções na terra, poucos lhes faziam frente. As naves pareciam os antigos caças furtivos que agora só se encontravam num museu. Uma nova vaga de explosões quase apanhou a aeronave de Joel. Mas este já se tinha refugiado no aeroporto e observava aterrorizado.

-“Daqui aero……… Ota 5 nav………legio………Visi……A todas as ……ajudem ……………………………”
-“Aeroporto espacial da Ota daqui Templário Alpha zero um. Estamos a caminho. Aguentem. Esquadrão mudar de rota. Novo destino: aeroporto da Ota.”
-“Afirmativo Alpha zero um, a mudar a rota.”
-“Roger Alpha zero um.”
-“Rota marcada Alpha zero um.”
-“Afirmativo Alpha zero um”.
-“Base Militar de Tomar, daqui Templário Alpha zero um, preciso de reforços no aeroporto da Ota.”
-“Afirmativo Alpha zero um, daqui Base Militar de Tomar, de momento só temos um esquadrão disponível na zona. O esquadrão Delta será enviado ao local.”
-“Afirmativo, obrigado pela ajuda.”
-“Sempre as ordens Alpha zero um.”

-“Chefe, apanhei 2 esquadrões dos templários nos scanners de longo alcance.”
-“Não temos tempo para isso, o nosso trabalho aqui ta feito. Aquele idiota não apanhou o “avião” pás “Caraíbas” e os camaradas na orbita não aguentam muito mais. Definir rota para a Lusitânia.”
-“ok chefe.”
-“hooooo não podemos nos divertir um bocado na orbita?”
-“Cala a boca Tony, isto não e um jogo. Certo chefe a definir a rito para a Estação Espacial Lusitânia.”
-“hahahahahaha, Tony depois de almoçarmos vamos assaltar alguém”
-“Assaltar que palavra feia Pedro, prefiro a expressão “Trocar de dono”.
À excepção do chefe todos se riram.
-“Calem-se e façam o que vos mandei.”
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Re: 3º Conto BBDE

Postby da_big_ticket_21 » 29 Jul 2005 23:37

Entretanto, no aeroporto os alarmes ressoavam. B-pods apagavam as chamas, enquanto H-dróides procediam no tratamento de feridos e baixas. Era um verdadeiro caos o panorama no aeroporto espacial da Ota. Nesta confusão, a equipa de solo que estava junto da nave, dispersou-se. Joel, aproveitando a situação, esquivou-se sorrateiramente para a beira da nave, sem que ninguém desse conta de si. Carregou no botão e de imediato a porta abriu-se. Cautelosamente entrou na nave. Após alguns minutos, em que verificou que a nave estava vazia, dirigiu-se velozmente para a área da mercadoria.
A área da mercadoria estava repleta de caixas. Joel dirigiu-se logo ao posto electrónico de controlo, para saber o que as caixas continham. Seus olhos fitavam o ecrã ansiosamente, suas mãos suavam nervosamente. Até que a resposta a todas as suas interrogações apareceu, ali mesmo naquele ecrã. Joel não conseguia acreditar no que estava a ver...
Subitamente, um ruído alarmou Joel. A porta da nave acabava de ser accionada. Joel ainda não se tinha recomposto da surpresa, mas rapidamente reagiu e escondeu-se no meio da carga.



Lá fora, a situação encontrava-se mais calma. Passado alguns minutos os dois esquadrões de Templários chegaram, no entanto, outra nave já tinha aterrado no aeroporto. A FIL estava no terreno a investigar o ataque!
-“Comandante, que pensa que os ‘Visi’ pretendiam com este ataque?”
Comandante Kenn Costa olhava atentamente o cenário à sua volta.
-“Penso que o real objectivo deste ataque era desviar a nossa atenção. Conseguiram localizar a rota que eles seguiram?”
-“Sim, comandante! Estão a dirigir-se para Lusitânia”
-“Só gostava de saber o que esses patifes andam a planear… Preparem-se para partir dentro de poucos minutos!”
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Re: 3º Conto BBDE

Postby Archie » 03 Aug 2005 08:00

- x -

O barulho parecia ter parado. Ele tinha que sair dali. Dirigiu-se à porta de mercadorias e ficou estático. A luz verde tinha acendido. Alguém ia entrar! Com grande agilidade, graças aos seus implantes biónicos, rápidamente se escondeu atrás de uma das caixas. Um oficial da FIL tinha acabado de entrar juntamente com outros dois homens. Atrás deles a porta ia-se fechar mas estranhamente parou a meio, voltando a abrir e fechando de seguida.

- Estranho...tu! Quando voltarmos trata de verificar o que se passa com a porta - disse o Comandante Costa para um dos seus acompanhantes.

Sentaram-se nos seus lugares e a nave levantou o trem de aterragem, ficando suspensa no ar. O mesmo fizeram as várias naves de guerra que a ladeavam e partiram.
- "Merda, e agora?" - pensou Joel.
Era tarde demais para sair. Para onde iria a nave?
Entretanto, num canto da nave, Leelo verificava o estado da bateria do seu campo invisível. Não queria ser descoberta. Não agora que finalmente tinha encontrado o homem que procurava, ali agachado atrás de um contentor.
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Pedro Farinha
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Re: 3º Conto BBDE

Postby Pedro Farinha » 11 Aug 2005 00:29

Tirou o papel do bolso e confirmou pela décima vez – não havia dúvida, era ele, o sinal gravado a azul na mão confirmava-o, no entanto esperava alguém diferente. Talvez mais velho, ou mais experiente. Mais viril sim, ela esperava um guerreiro e agora olhando para aquele rapaz de aspecto algo frágil e aturdido, Leelo não podia deixar de pensar que o grande arquitecto bem podia ter escolhido alguém mais apropriado para tão perigosa missão. No entanto Leelo era uma crente e sabia que o grande arquitecto traçava caminhos que só ele percebia.

Aproximou-se dele e olhou-o mais de perto. Não, não era o que ela esperava e no entanto havia uma determinação no olhar daquele rapaz a que Leelo não foi insensível. Foi nessa altura que ele virou a cara para ela e olhou-a nos olhos. Espantada Leelo estremeceu – então o escudo invisível não estava a funcionar ?

- Não te vejo mas sei que estás aí – disse o Joel – tenho um chip de presença que nunca falha.

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Re: 3º Conto BBDE

Postby Agnor » 24 Sep 2005 15:43

Esperaria, talvez, um homem de aspecto carrancudo e com barba por fazer. Talvez um jovem uns dez anos mais velho do que ele, apontando uma arma com firmeza. Mas quem estava à sua frente era uma simples rapariga, que aparentava ter mais de 25 anos, a mesma com quem momentos antes chocara.

Os seus olhos aparentavam incredulidade, mas não mais do que os olhos do rapaz emanavam. Aproveitou aquele momento para observar o seu cabelo cor de rosa suave e a sua cara, maquiada que revelava traços severos e de inoncência: uma antítese que surpreendemente a tornava bela.

"Deus, como é bela!", pensou Joel. As únicas mulheres que vira até então foram as carrancudas instructoras do seu curso, mais velhas do que ele muitas vezes dez anos, e que eram donas de uma beleza que metia pena aos céus, uma beleza nula. As extremas condições ditatorias da Colónia não permitiam a junção entre rapazes e raparigas com menos de vinte anos. No entanto aqui estava ele, junto a uma rapariga jovem pela primeira vez. Involuntariamente o rapaz baixou um pouco a arma, o seu dedo já não preso ao gatilho.

Leelo também aproveitou para observar o rapaz. Vê-lo ali em carne e osso era uma confirmação do que a excitou tanto desde o momento em que recebeu o papel com a sua fotografia. As semelhanças com o seu irmão mais novo eram quase inconfundíveis. Talvez alguns traços na cara, as proporções do corpo, o penteado e a cor dos olhos eram diferentes. Porém algo no seu olhar, na sua expressão, recordava-a o seu irmão. Pensamentos de fraternidade, misturados com horror e morte, amoleceram-lhe o coração e uma voz trouxe-lhe de volta ao presente:

- Quem és tu? - perguntou Joel, tentando ocultar o facto de ter baixado a guarda.

- Aqui sou eu quem faz as perguntas - disse enquanto apertou mais fortemente a sua arma.

- Não me vais matar, já o poderias...

- Nem tu! A minha vida não significa nada aos meus mestres. No momento em que os meus sinais vitais diminuirem drasticamente um explosivo que tenho imbutido no corpo irá detonar tudo num raio de 20 metros.

Joel vacilou durante um momento. Saberia que a rapariga não o mataria, os seus olhos mostravam-lhe isso e, além disso, teve melhores oportunidades antes. Também não sabia se ela estava a fazer bluff, mas de qualquer modo não a queria matar a não ser que fosse extremamente necessário.

- Ok - disse inconformado, mas ainda a segurar a sua arma apontada à cabeça dela. Não estava a ver como iria sair daquela situação, mas sabia que tinha uma vantagem.

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Re: 3º Conto BBDE

Postby anavicenteferreira » 10 Oct 2005 19:09

Leelo recostou-se, sentindo a maquinaria a zumbir por baixo dos panéis de hepta-polieturano. O rapaz continuava a olhá-la com desconfiância, mas a arma que ele lhe apontava tinha descaído vários milímetros. Ele não ia disparar.

Fechou os olhos, tinha de reorganizar as ideias. Correra tudo mal. Estavam na nave errada. Estavam na pior nave possível. Se Ken Costa os descobrisse tudo estaria perdido. Não pelo comandante em si, mas pelas pessoas a quem ele daria - voluntariamente ou não - conhecimento da presença deles ali.

Não podiam utilizar o gerador de invisibilidade; era um Invigen 276 alfa, só tinha potência suficiente para cobrir uma pessoa. Não podiam enfrentar o comande e os seus homens, seriam derrotados. Ela talvez conseguisse tratar de dois ou três, mas o rapaz, pelos vistos, mal sabia segurar um arma.

- ... nome?

Ela olhou para ele, desconcertada, o ruído da maquinaria embalara-a e ela deixara-se cair no estado de semi-consciência em que os seus pensamentos fluiam mais livremente.

Ele repetiu a pergunta:

- Tens nome?

- Sim.

- E é...?

- Leelo. - O idiota nem sabia fazer perguntas de forma adequada. E por momentos chegara a pensar que pudesse ser Lorech. A ser verdade, seria sem dúvida a maior das piadas genéticas.

Um estrondo abalou o casco da nave interrompendo-lhe os pensamentos. As luzes da nave apagaram-se e foram substituídas pela luz verde doentia emitida pelas gambiarras de emergência. A gravidade artificial foi desligada; a carga manteve-se firme - os tensores magnéticos que a retinham tinham baterias independentes - mas ela e Joel começaram a flutuar.

Leelo soltou o pior palavrão que conhecia. Joel olhou-a, espantado e, mesmo sob a luz verde, ela ia jurar que ele tinha corado.

- Não é assim tão mau, - disse ele. - Podemos segurar-nos às barras laterais até aterrarmos.

Mas ele não sabia mesmo nada?

- Um dos geradores deve ter sido comprometido. A nave está a encerrar todos os sistemas não-essenciais e a reencaminhar a energia para o motor e para os sistemas da ponte de comando e dos aquartelamentos.

- E daí?

-E daí, grandessíssimo bachmosh, que um dos sistemas não-essenciais é o sistema que garante as condições de suporte de vida no porão de carga. Que - ora, deixa ver - é onde nós estamos!
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Re: 3º Conto BBDE

Postby Samwise » 25 Oct 2005 16:11

E daí? - respondeu Joel - Temos oxigénio mais que suficiente para vivermos aqui durante meses...
- Quem foi o génio que aparafusou os teus neurónios? O problema não é o oxigénio, espertalhão, o problema é a temperatura. Daqui a poucos minutos teremos 234º negativos de temperatura ambiente.
- Hmmm... Podemos tentar apoderarmo-nos desta fragata...
- Não. Seríamos rapidamente dominados, acredita, eu vi o arsenal que eles têm lá fora. Mas espera... que tipo de carga temos aqui?
- Leelo, sabes pilotar cruzadores tipo X-25, classe 23?
- O Papa vive em Roma?
- Quem?
- Esquece. Claro que sei. Fui treinada para isso. Temos cá um...?!
- Temos cá um! Está dentro daquela estrutura plasto-carbónica. Vi na lista da carga.
- YES! Joel, preciso que confies em mim. Não me faças perguntas agora, não há tempo para isso. Explicarei tudo quando estivermos longe daqui. Vamos ao trabalho...
- O que posso fazer?
- Primeiro de nada temos de recuperar a gravidade. Ajuda-me a retirar os sensores magnéticos deste caixote...

Foi nesse momento que um segundo estrondo se fez ouvir.

Lá se foi o segundo gerador - pensou Leelo - isto está cada vez a melhor.

As luzes de emergência apagaram-se, deixando-os a flutuar na escuridão.

- AAAAARRRGGGHHHH
- Leelo?
- Sim?
- Tenho medo do escuro...
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?

My taste is only personal, but it's all I have. - Roger Ebert

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Re: 3º Conto BBDE

Postby Archie » 28 Oct 2005 13:00

- Pelo amor de Zod! Mas tu afinal és um homem ou não? - a escuridão não permitia Joel vislumbrar o ar de fúria de Leelo.
- Calma, estava a gozar.
- Meu bachmosh! Escolhes belas alturas para mostrares o teu grande sentido de humor. Vamos retira os sensores e coloca-os no suporte das tuas botas, a flutuar não vamos a lado nenhum.

Rapidamente removeram os sensores das caixas e os adaptaram às botas. Dirigiram-se para a estrutura.

- Err...Leelo, como vamos abrir isto? Provavelmente só o Kenn a pode abrir...a não ser que rapidamente arranjes aí o braço dele e a retina.
- Bem, antes de mais...prepara-te para o que vais ver e não te assustes. Não queremos agora alertar niguém para a nossa presença.

E à frente dele Leelo começa a sofrer transformações no corpo, o cabelo mudando de cor e ficando mais curto, o corpo menos delgado e mais robusto. Até que já não era a Leelo que estava ali mas sim Kenn Costa.

- Metamorphonics, os melhores 10 mil zaphods que gastei na minha vida. - e em menos de nada estava a porta aberta e o cruzador pronto a ser embarcado.

Iam a entrar na estrutura e Leelo, entretanto na sua forma original, agarra Joel e para espanto dele enfia a sua cara na dele, num longo beijo, deixando Joel sem fôlego.

- Para que foi isso?! - questiona Joel incrédulo.
- Não te excites puto, somente te passei uma sonda vital igual à que carrego comigo. Ordens do arquitecto...também não me agrada depender de ti assim, tendo em conta que és um rapaz 'cheio' de recursos.
- Depender de mim? Não estou a perceber?!
- Tu não sabes mesmo nada pois não? Graças a essa sonda vital...se tu morreres...eu morro, se te envenenarem, eu também fico envenanada, se te cair um trovão em cima, eu também apanho uma descarga eléctrica...e vice-versa. Por isso trata de fazer o que te digo e não te armes em "wiseguy".

Enquanto Joel tentava digerir toda aquela informação, Leelo não podia deixar de pensar que nunca teve tanto prazer em 'plantar' uma sonda...
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Re: 3º Conto BBDE

Postby Pedro Farinha » 29 Oct 2005 18:20

Sentado na cadeira de comando, Keen Costa tenta controlar a nave. Dois geradores já se foram - pensa ele - resta apenas o gerador de recurso.

Qualquer outro comandante espacial entraria em pânico, ou pelo menos seguiria o protocolo Zeta, isto é, ejectar-se-ia dentro de uma cápsula telecomandada para o espaço indo aterrar na aerogare mais próxima consoante os sinais apanhados pelo radar. Mas não tinha sido por acaso que Keen tinha subido apenas em três décadas, ao nível Omega.

Com um sorriso ao canto da boca, ajeitou o capacete e abriu a escotilha - antes do mais, livrar-me de toda a carga inútil.

O compartimento abriu a sua grande bocarra em direcção ao espaço. Enquanto Leelo se agarrava tenazmente a um varão num estranha dança ao vento, Joel foi sugado no meio de contentores das mais variadas formas e feitios em direcção ao espaço. Na completa ausência de gravidade, e enquanto dava um último relance a uma cabeleira rosa que se afastava velozmente, Joel agitou os braços até conseguir encontrar um fato espacial que flutuava ao seu lado.

Vestiu-o e quando pode finalmente respirar, veio-lhe um ataque de tosse fortissímo. Por entre as lágrimas que lhe assomaram aos olhos viu ao longe, muito ao longe, duas formas em movimento que reconheceu imediatamente...

- X -

Completamente só no enorme compartimento Leelo colocou a mão sobre o seu coração. Batia. Vivo, ele ainda está vivo.


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