Barbarella

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Thanatos
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Barbarella

Postby Thanatos » 15 Aug 2013 15:29

Nota do autor: Já não faço a mínima ideia porque escrevi o texto abaixo mas hoje ao remexer no PC dei com ele e como até lhe acho alguma piada (no sentido de pastiche science-fantasy) aqui fica o dito.

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Durante dias sem fim o foguetão rasou planetas áridos, mundos sem vida. Por fim, ajudada pela própria fatiga, os traços do homem responsável pelo seu sofrimento tornaram-se desfocados. Agora era-lhe possível confrontar novos rostos. Lançou-se numa rota para Lythion. Tinha lá uma tarefa por terminar e Barbarella não era de deixar pontas soltas ou missões inacabadas.

A aproximação ao planeta foi sem novidades. O problema começou na entrada do labirinto que rodeava a cidade de Sogo. Dois guardas, vendo-a sozinha e voluptuosa, pensaram que lhes tinha sido dado o beijo da sorte de Thethys, a deusa da chance. O mais atrevido dirigiu-se a ela:

– Cidadã, vai ter de ir à revista! Ninguém entra em Sogo sem ser revistado. Nunca se sabe que armas proibidas podiam entrar não licenciadas.
– Mas – respondeu Barbarella – acha que posso ter armas escondidas nesta roupa!

O guarda olhou lascivamente para Barbarella. Vestia apenas um fato de látex negro que lhe subia das virilhas em duas tiras finíssimas que mal cobriam os seios até se juntarem por detrás do pescoço. A complementar esta indumentária apenas umas botas negras de salto stiletto e cano alto, com uns bons 10 centímetros acima do joelho.

O outro guarda meteu-se na conversa:
– Vá, nada de discussões senão temos de a deter por desobediência qualificada. As ordens são para cumprir e aplicam-se a todos, sem excepção. Vamos até à casa-da-guarda para passar a revista.
– Meus caros guardas, acredito que essas sejam as vossas ordens mas devo-vos avisar que tenho muita urgência em entrar em Sogo. Tenho uma audiência com La Reine Noire.

À menção da rainha que regia Lythion com mão de aço os guardas hesitaram mas passado um instante o mais afoito voltou à carga:
– Ai sim? E suponho que tenha consigo uma prova dessa alegada audiência.
– Concerteza. E terei todo o gosto em vos mostrar se me assegurarem que posso depois entrar no labirinto sem mais delongas.
– Se assim for, pois claro que sim, – asseverou o guarda que tinha quase a certeza de que tal prova de audiência seria impossível de ter. A Rainha era reclusiva e dificilmente concederia uma audiência a esta criatura que mais parecia ter saído dum bordel de Safos. - até chamarei um hovercarro para mais depressa a transportar ao palácio da mui excelentíssima Rainha.
– Pois seja então. Aqui está ela. - e Barbarella tirou dum quase invisível bolso na indumentária, um chip.

Os guardas entreolharam-se e depois o que anteriormente falara avançou para pegar no chip ao mesmo tempo que tirava do cinto o leitor de chips. Mas mal se aproximou, desprevenido, de Barbarella esta, acto contínuo, puxou-o contra ela laçando-lhe o pescoço num forte amplexo do braço direito enquanto com a mão livre sacou do coldre do guarda a pistola de raios laser e num tiro certeiro matou o outro guarda que mal teve tempo de recuperar da estupefacção. Encostou o cano da arma à têmpora do guarda.

– Ainda pretendes fazer a revista?
– N-- N-- Não! - gaguejou o guarda enquanto sentia um calor descer-lhe pernas abaixo.

Barbarella largou-o empurrando-o com um joelho de encontro ao cadáver do camarada. O guarda desequilibrado caiu de bruços e assim se ficou tremendo como varas verdes.

– Está descansado que não te vou fazer mal. Vou só assegurar-me que consigo ter algum tempo de avanço para o que preciso fazer.
Barbarella ajoelhou-se por detrás do infeliz e em gestos rápidos e certeiros arrancou-lhe as calças do uniforme, usou o cinto para lhe prender as mãos atrás das costas e, rasgando umas tiras da farda do camarada morto, prendeu-lhe os tornozelos. Barbarella ergueu-se para contemplar o serviço. Não pode deixar de sorrir. O desgraçado parecia um carneiro a caminho do matadouro, tremendo, de olhos esgazeados, com a urina a secar-lhe nas pernas.

Arrastou os dois corpos para dentro da casa-da-guarda e com mais um bocado de tecido e uma bola de papel que fez dentre os documentos que encontrou em cima duma secretária, amordaçou o guarda vivo. Antes de entrar em Sogo ainda teve tempo para reparar na tarjeta do nome na camisa do guarda, e despedir-se ironicamente:

- Adeusinho Thanatos! Espero sinceramente que nos voltemos a encontrar quando eu voltar a passar por aqui. Fiquei com vontade de ser revistada por ti. - e com um sorriso malicioso e um piscar de olhos desapareceu no labirinto de Sogo.


(c) Ricardo Loureiro, 2009
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

-- um membro qualquer do BBdE!

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