Abreviaturas - Pronomes de tratamento, números ordinais, etc

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Abreviaturas - Pronomes de tratamento, números ordinais, etc

Postby vampiregrave » 24 Mar 2014 14:56

Números ordinais
http://www.ciberduvidas.com/idioma.php?rid=2680
Spoiler! :
A abreviatura é a representação escrita de uma ou mais palavras com a omissão de certas letras, visando economia de espaço e de tempo. As abreviaturas podem ser constituídas por letras isoladas ou reunidas, ou mesmo por sinais não alfabéticos. Para mostrar que se trata de uma abreviatura, utiliza-se o ponto abreviativo: esse ponto indica que houve supressão de letras.

Os numerais ordinais apresentados sob a forma de números – 1.º, 1.ª, 2.º, 2.ª, 3.º, 3.ª, etc. – correspondem às palavras primeiro, segundo, terceiro, etc. Estes numerais são muito utilizados em diversas áreas, nomeadamente na enumeração de artigos das leis (artigo primeiro, artigo segundo) e na indicação do lugar ocupado em diversos tipos de seriação. Assim, são frequentemente objecto de abreviação, devido à funcionalidade deste processo. Por exemplo, é mais funcional escrever «art.º 83.º» do que «artigo octogésimo terceiro».

Neste processo de abreviação, o numeral ordinal (ordinal porque indica a ordem) é reduzido a um número seguido do ponto de abreviação e da terminação o ou a (consoante a palavra seja masculina ou feminina), após o ponto e em posição superior à linha. Esse o ou a colocado em situação de expoente não é um símbolo: é mesmo a última letra do numeral em causa. Se se consultar qualquer código civil, penal ou administrativo português ou qualquer gramática, poderá observar-se este processo de abreviar os numerais: número + ponto de abreviação + terminação «o» ou «a».

Quanto ao sublinhado dessa vogal o (1.º) ou a (1.ª), trata-se de uma opção de natureza gráfica, disponível em algumas fontes de letras (por exemplo, Batang, Kartika, Microsoft Sans Serif, Monospac821BT, Palatino Linotype, PmingLiU, Vrinda) e genericamente presente nas correspondentes teclas de máquinas de escrever e de computadores.

Em síntese, o ponto abreviativo é obrigatório, visto ser a marca da abreviatura; já o referido sublinhado da vogal não é obrigatório, podendo, no entanto, coexistir com o ponto abreviativo, por uma opção gráfica, mas sem o substituir. Tal acontece, naturalmente, não só com a abreviatura de numerais como com a das restantes palavras: 1.º ou 1.º, 2.ª ou 2.ª, eng.º ou eng.º.

A existência simultânea do ponto da abreviação e do pormenor (gráfico) do sublinhado da vogal o (ou a) aparece documentada em várias obras impressas, com especiais cuidados de revisão. Das mais recentes, é o caso do livro Memória de Tortura e Resistência, de Joaquim Monteiro Matias, edição Temas e Debates/Círculo de Leitores (Lisboa, 2013): «8.º» (pág.16), «…cela n.º 22- 2.º» (pág. 123) , «1.º de Maio, dia do Trabalhador» , «1.º de Dezembro (pág. 191), «3.º piso » (pág. 194), etc..


Pronomes de tratamento
Sobejamente utilizados nos clássicos que temos vindo a editar. Esta caso divide-se em duas problemáticas:

Maiúsculas
Nalgumas edições, nos pronomes de tratamento (tanto por extenso como abreviados), é utilizada minúscula, com a possível excepção dos pronomes mais formais (Vossa Senhoria, Vossa Excelência, etc.). O mais usual é o uso de maiúscula.
Vou listar algumas abordagens que já encontrei ao longo dos últimos meses:

1 - Pronomes de tratamento desenvolvidos, embora o original utilize abreviaturas:
senhor, senhora, doutor, Vossa Excelência

2 - Pronomes de tratamento abreviados, maiúscula:
Sr.ª/Sr.
Dr.ª/Dr.

3 - Pronomes de tratamento abreviados, maiúscula nos formais, minúscula nos de uso comum:
sr.ª/sr
V. Ex.ª

4 - Pronomes de tratamento abreviados, sem expoente (superscript):
Sra.
V. Exa.

Questões relacionadas, a ponderar:

- Em geral, nos cargos temos vindo a utilizar minúscula, o que, dependendo da abordagem a adoptar quanto aos pronomes, pode causar situações problemáticas como
«Sr. padre» ou «Sr. professor».
- Casos cujo expoente é diferente de «o» ou «a». Não existindo um símbolo correspondente, em termos de código tenho de escrever, por exemplo, «Ex.<sup>mo</sup>». Ora, ao efectuar upload para as diferentes lojas (Kobo, Google Play, etc.), o ficheiro EPUB sofre um processo de conversão, que leva a que nem sempre o que está especificado no ficheiro origem seja respeitado. Existem também casos em que o próprio software utilizado pode não reconhecer certas funções. Isto para dizer que já me aconteceu algumas vezes essa tag <sup> ser ignorada, tendo como resultado algo do género «Ex.mo».

Resta-nos portanto debater quais as melhores opções, tanto para prosa como para poesia, tendo em conta as situações acima descritas, sendo fundamental decidir se devemos também uniformizar sempre estes casos, ou se porventura haverá casos em que se justifica seguir o original.

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Re: Abreviaturas - Pronomes de tratamento, números ordinais,

Postby Samwise » 24 Mar 2014 20:17

Alguns comentários:

Quanto aos numerais ordinais, não tenho nada a contrapor, apenas penso que devemos de alguma forma tentar uniformizar o formato para todas as publicações que saírem pelo Adamastor, ou seja: numeral + ponto + expoente (sem sublinhado - penso que fica melhor).

Quanto aos pronomes, aquilo que penso que se deve fazer:

- Quando aparecem por extenso na edição original (ou na ne varietur), deixar por extenso.

1 - Pronomes de tratamento desenvolvidos, embora o original utilize abreviaturas:
senhor, senhora, doutor, Vossa Excelência


Se o original/ne varietur utiliza abreviaturas, manter as abreviaturas

2 - Pronomes de tratamento abreviados, maiúscula:
Sr.ª/Sr.
Dr.ª/Dr.


Deixar assim.

3 - Pronomes de tratamento abreviados, maiúscula nos formais, minúscula nos de uso comum:
sr.ª/sr
V. Ex.ª


Deve ser visto obra a obra, mas penso que dentro de uma mesma obra o critério que for escolhido deve ser aplicado uniformemente, independentemente daquilo que a edição indicar em casos pontuais que são desvios à norma.

4 - Pronomes de tratamento abreviados, sem expoente (superscript):
Sra.
V. Exa.


Emendar para Sr.ª e V. Ex.ª .

- Em geral, nos cargos temos vindo a utilizar minúscula, o que, dependendo da abordagem a adoptar quanto aos pronomes, pode causar situações problemáticas como
«Sr. padre» ou «Sr. professor».


Tratar de acordo com o que estiver na edição original, mas, tal como sugeri para o ponto 3, aplicar o critério uniformemente dentro de uma mesma obra.

- Casos cujo expoente é diferente de «o» ou «a». Não existindo um símbolo correspondente, em termos de código tenho de escrever, por exemplo, «Ex.<sup>mo</sup>». Ora, ao efectuar upload para as diferentes lojas (Kobo, Google Play, etc.), o ficheiro EPUB sofre um processo de conversão, que leva a que nem sempre o que está especificado no ficheiro origem seja respeitado. Existem também casos em que o próprio software utilizado pode não reconhecer certas funções. Isto para dizer que já me aconteceu algumas vezes essa tag <sup> ser ignorada, tendo como resultado algo do género «Ex.mo».


Continuar a usar o <sup>. A não ser que haja uma alternativa a esta tag que seja uniformemente reconhecida por todos os conversores nos diversos sites/plataformas, contra estas alterações nada podemos fazer. O que podemos fazer é garantir que nos dlds feitos a paritr site do Adamastor os textos estejam em condições.

----

Questões adicionais:

Admito que estas sugestões possam ter excepções no caso de se tratar de poesia, ou de textos em que o formato do frase e da letra é uma parte integrante do "efeito artístico", por assim dizer (o Gonçalo M. Tavares tem uma histórias assim, por exemplo).

Outra questão é se estes critério devam ser norma para todas as conversões do Adamastor por igual, e aqui já penso que não. Sou partidário de critérios uniformes dentro da mesma obra, mas se houver situações diferentes em obras diferentes, os casos devem ser convertidos contextualmente.
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Re: Abreviaturas - Pronomes de tratamento, números ordinais,

Postby Bugman » 25 Mar 2014 10:30

Várias coisas...

Normalmente os numerais nas obras que temos são indicados por extenso. Pelo menos não me ocorre nenhuma em que tenha sido utilizado o número em detrimento da palavra. Não sei se isso é uma rgra oficial, mas lembro-me vagamente de nas aulas de português o uso de algarismos em texto corrido ser fortemente desencorajado.

Quanto aos Ex.mos e afins, sem caracter correspondente, sou mais a favor de que mantenha sem levantamento. O que o vampire refere, das diferentes plataformas, é bastante pertinente e acho que deve orientar-nos. Sim, estamos a rever, mas face à possibilidade de danificarmos o aspecto geral da obra por causas alheias, devemos tomar medidas que previnam isso. Nos Padrões de Qualidade chamam-lhe "medidas preventivas" :P .

Quanto aos outros pontos concordo genericamente com o Sam. Não sei se a questão da maiúscula para o "Sr. Professor" está contemplada enquanto regra, mas como o diz o Sam, pegue-se numa norma e faça-se dela norma dentro da obra.

...E vai de re-rever os 22 capítulos de Morgadinha revista!
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Re: Abreviaturas - Pronomes de tratamento, números ordinais,

Postby vampiregrave » 25 Mar 2014 11:13

Quanto aos numerais:

Samwise wrote:Alguns comentários:

Quanto aos numerais ordinais, não tenho nada a contrapor, apenas penso que devemos de alguma forma tentar uniformizar o formato para todas as publicações que saírem pelo Adamastor, ou seja: numeral + ponto + expoente (sem sublinhado - penso que fica melhor).


Bugman wrote:Normalmente os numerais nas obras que temos são indicados por extenso. Pelo menos não me ocorre nenhuma em que tenha sido utilizado o número em detrimento da palavra. Não sei se isso é uma rgra oficial, mas lembro-me vagamente de nas aulas de português o uso de algarismos em texto corrido ser fortemente desencorajado.


A questão é mesmo uniformizar a nomenclatura quando os numerais são abreviados. Nos casos em que os numerais são apresentados por extenso, naturalmente, seguiremos o original. Creio portanto que este ponto não causa grande controvérsia.

Passando aos pronomes, a avaliar pelo que já foi dito, existem duas questões fulcrais para decidirmos qual a melhor abordagem:

- A nível de estilo, fará sentido uniformizar certos critérios, independentemente do original? Coloco esta questão também porque, muitas vezes, não tendo acesso ao manuscrito, não há forma de termos a certeza de que dado critério foi aplicado por vontade expressa do autor, ou se foi uma opção tomada pelo editor, tendo em conta as práticas correntes da época.
O exemplo dos cargos é um bom ponto de partida para análise:

Samwise wrote:
- Em geral, nos cargos temos vindo a utilizar minúscula, o que, dependendo da abordagem a adoptar quanto aos pronomes, pode causar situações problemáticas como
«Sr. padre» ou «Sr. professor».


Tratar de acordo com o que estiver na edição original, mas, tal como sugeri para o ponto 3, aplicar o critério uniformemente dentro de uma mesma obra.


Será que se justifica a aplicação de diferentes critérios (nuns casos os cargos a maiúscula, noutros a minúscula)? Posso estar enganado, mas não creio que a utilização da maiúscula servi-se qualquer propósito especial, tratando-se de mera convenção.
A questão só se coloca para casos como o que apontei acima. Em tudo o resto, procuraremos sempre respeitar ao máximo o original.

- Até que ponto os constrangimentos tecnológicos devem influenciar os nossos critérios?
Como já referi, existem casos em que, se nos limitarmos a reproduzir as práticas até agora aplicadas no livro em papel, resultam em situações problemáticas. O exemplo que referi deve-se a problemas de conversão ou leitura do software. Vou transcrever uma explicação que dei à Miriam, dado que ilustra outro caso interessante, o das notas de rodapé:

vampiregrave wrote:Ao contrário do que acontece no livro físico e em formatos fixos como é o caso dos ficheiros produzidos pelo word ou o PDF, nos eBooks não existe propriamente um rodapé. O texto adapta-se consoante o tamanho do ecrã e as definições estabelecidas pelo utilizador (tipo de letra, espaçamento, tamanho de letra, etc.).
No caso dos nossos eBooks as notas são, normalmente, incluídas no fim dos capítulos ou no fim do livro; o leitor, quando se depara com a numeração que indica a existência de uma nota, pode clicar nessa numeração para ser direccionado para a nota respectiva, podendo depois regressar ao ponto de origem. Nalguns casos, o software chega mesmo a detectar a ligação, e, quando o leitor clica na numeração, é apresentada uma caixa de texto com a respectiva nota.

Texto1 – este é o formato normalmente utilizado no livro físico.

Nas nossas edições, após alguns testes, acabámos por adoptar esta: Texto [1]
Nos dispositivos com ecrã táctil, especialmente os eReaders (que possuem uma capacidade de zoom bem menos desenvolvida que os tablets), o primeiro formato tornava, em certos casos, quase impossível activar com o toque o link que redirecciona para a nota. O segundo formato permite proporcionar uma área de toque, chamemos-lhe assim, mais alargada, facilitando portanto a vida ao leitor.

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Re: Abreviaturas - Pronomes de tratamento, números ordinais,

Postby Samwise » 16 Apr 2014 20:50

vampiregrave wrote:- A nível de estilo, fará sentido uniformizar certos critérios, independentemente do original? Coloco esta questão também porque, muitas vezes, não tendo acesso ao manuscrito, não há forma de termos a certeza de que dado critério foi aplicado por vontade expressa do autor, ou se foi uma opção tomada pelo editor, tendo em conta as práticas correntes da época.
O exemplo dos cargos é um bom ponto de partida para análise:

- Em geral, nos cargos temos vindo a utilizar minúscula, o que, dependendo da abordagem a adoptar quanto aos pronomes, pode causar situações problemáticas como
«Sr. padre» ou «Sr. professor».



Se não houver acesso ao original - ou pelo menos a uma edição que nos dê um certo grau de certeza em relação às intenções do autor (como uma ne varietur), penso que devemos então seguir um critério uniforme pré-estipulado. Fora isso, é seguir a a tendência dos casos e aplicá-los de maneira uniforme dentro de uma mesma obra.

Será que se justifica a aplicação de diferentes critérios (nuns casos os cargos a maiúscula, noutros a minúscula)? Posso estar enganado, mas não creio que a utilização da maiúscula servi-se qualquer propósito especial, tratando-se de mera convenção.
A questão só se coloca para casos como o que apontei acima. Em tudo o resto, procuraremos sempre respeitar ao máximo o original.


Penso que vale a pena pensar em diferentes critérios, sim, tendo em conta que os há na realidade, e conforme temos ou não acesso ao tal original - ou aproximado, com um certo grau de certeza.

vampiregrave wrote:- Até que ponto os constrangimentos tecnológicos devem influenciar os nossos critérios?
Como já referi, existem casos em que, se nos limitarmos a reproduzir as práticas até agora aplicadas no livro em papel, resultam em situações problemáticas. O exemplo que referi deve-se a problemas de conversão ou leitura do software.


Quanto aos levantes, as opções que temos são as seguintes:

1 - Grafar com levante e depois termos várias versões dos livros a circular, conforme forem sendo alterados/convertidos por plataformas que não controlamos.

2 - Grafarmos sem levante ("Ex.mo") e mantermos as edições uniformes em todo o lado (salvo as vítimas de selvajaria informática localizada... :mrgreen: )

A mim não me faz grande confusão que haja essas versões diferentes, por um lado porque o sentido ou essência do texto não é alterado em nada, e por outro porque acho importante que cada edição base do Adamastor seja organizada de origem com o melhor que podemos colocar dentro de si, sem fazer concessões àquilo que poderá eventualmente suceder noutras plataformas. Penso que o futuro, ainda que distante, se encarregará de fazer os ajustes necessários para melhorar as conversões entre plataformas/linguagens, por forma a manter a maior aproximação possível quanto aos conteúdos originais.

Mas é só a minha opinião - seguirei aquilo que for decidido sem refilar. :mrgreen:

Vem isto a propósito de ter alguns destes casos n'O Mandarim, e necessitar de ter este assunto debatido durante os próximos tempos. ;)

Ex:
A minha existência era bem equilibrada e suave. Toda a semana, de mangas de lustrina à carteira da minha repartição, ia lançando, numa formosa letra cursiva, sobre o papel Tojal do Estado, estas frases fáceis: «Il.m o e Ex.mo Sr. — Tenho a honra de comunicar a V. Ex.ª ... Tenho a honra de passar às mãos de V. Ex.ª, Il.mo e Ex.mo Sr. ...»
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Re: Abreviaturas - Pronomes de tratamento, números ordinais,

Postby vampiregrave » 16 Apr 2014 21:23

Ora vamos lá então:

Se não houver acesso ao original - ou pelo menos a uma edição que nos dê um certo grau de certeza em relação às intenções do autor (como uma ne varietur), penso que devemos então seguir um critério uniforme pré-estipulado. Fora isso, é seguir a a tendência dos casos e aplicá-los de maneira uniforme dentro de uma mesma obra.


Parece-me bem. Acho que o projecto se deve pautar pelo respeito ao original. Felizmente, na maioria dos casos temos tido acesso à última edição publicada em vida do autor, ou uma das edições publicadas pouco após a morte deste. Nos casos em que tal não for possível, e tivermos ao nosso dispor apenas uma edição lançada muito após a morte do escritor (muito provavelmente integrará já diferentes alterações introduzidas pelos editores), recorreremos então aos critérios que formos estabelecendo aqui.

Penso que vale a pena pensar em diferentes critérios, sim, tendo em conta que os há na realidade, e conforme temos ou não acesso ao tal original - ou aproximado, com um certo grau de certeza.


No caso dos cargos e pronomes de tratamento, alguns critérios caíram em desuso. Por exemplo: snr.

Quanto aos levantes, as opções que temos são as seguintes:

1 - Grafar com levante e depois termos várias versões dos livros a circular, conforme forem sendo alterados/convertidos por plataformas que não controlamos.

2 - Grafarmos sem levante ("Ex.mo") e mantermos as edições uniformes em todo o lado (salvo as vítimas de selvajaria informática localizada... :mrgreen: )

A mim não me faz grande confusão que haja essas versões diferentes, por um lado porque o sentido ou essência do texto não é alterado em nada, e por outro porque acho importante que cada edição base do Adamastor seja organizada de origem com o melhor que podemos colocar dentro de si, sem fazer concessões àquilo que poderá eventualmente suceder noutras plataformas. Penso que o futuro, ainda que distante, se encarregará de fazer os ajustes necessários para melhorar as conversões entre plataformas/linguagens, por forma a manter a maior aproximação possível quanto aos conteúdos originais.

Mas é só a minha opinião - seguirei aquilo que for decidido sem refilar. :mrgreen:

Vem isto a propósito de ter alguns destes casos n'O Mandarim, e necessitar de ter este assunto debatido durante os próximos tempos.


Ora quanto a isto, lembrei-me que já tive um caso destes, logo no início d'A Queda dum Anjo. Optei pela primeira opção que referes, e retestei agora para:

EPUB original - Naturalmente, sem problemas.
Kobo EPUB - Ignora a tag <sup> (testei no meu eReader e no software para desktop)
MOBI - Testei através do Kindle for Desktop, não encontrei problemas também.
Preview no Google Play - Sem problemas. Falta-me testar num tablet ou smartphone através da respectiva app.

Resumindo, só dá barraca na Kobobooks. Comprovando-se que é o único caso em que ocorre, posso criar uma versão alternativa para upload para a loja Kobo mas, para tal, teríamos de assinalar todos os casos em que for utilizado superscript. Ou isso ou desenvolver as abreviaturas evitando estes casos.

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Re: Abreviaturas - Pronomes de tratamento, números ordinais,

Postby Samwise » 21 Apr 2014 19:12

vampiregrave wrote:Ora quanto a isto, lembrei-me que já tive um caso destes, logo no início d'A Queda dum Anjo. Optei pela primeira opção que referes, e retestei agora para:

EPUB original - Naturalmente, sem problemas.
Kobo EPUB - Ignora a tag <sup> (testei no meu eReader e no software para desktop)
MOBI - Testei através do Kindle for Desktop, não encontrei problemas também.
Preview no Google Play - Sem problemas. Falta-me testar num tablet ou smartphone através da respectiva app.

Resumindo, só dá barraca na Kobobooks. Comprovando-se que é o único caso em que ocorre, posso criar uma versão alternativa para upload para a loja Kobo mas, para tal, teríamos de assinalar todos os casos em que for utilizado superscript. Ou isso ou desenvolver as abreviaturas evitando estes casos.


Que ovelha ranhosa, esse Kobobooks :td: :mrgreen: .

De todas as opções, a que me parece menos interessante é a de "desenvolver as abreviaturas" - se percebi a idea, é deixarem de ser abreviaturas, passar de "Ex.mo" para "Excelentíssimo" - porque é a única opção que altera de alguma forma o texto original.

Quanto à versão alternativa para o Kobo - há forma de fazer com que ele respeite o superscript? Se sim, não me parece má ideia, embora dê um pouco mais de trabalho à conta dessa versão a mais...
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Re: Abreviaturas - Pronomes de tratamento, números ordinais,

Postby vampiregrave » 21 Apr 2014 19:23

Samwise wrote:De todas as opções, a que me parece menos interessante é a de "desenvolver as abreviaturas" - se percebi a idea, é deixarem de ser abreviaturas, passar de "Ex.mo" para "Excelentíssimo" - porque é a única opção que altera de alguma forma o texto original.


É precisamente isso. Já o fiz nalgumas obras. Nestes casos os critérios adoptadas hoje em dia variam bastante, pelo que o que acaba por guiar a nossa decisão aqui é novamente a questão da fidelidade ao original.

Samwise wrote:Quanto à versão alternativa para o Kobo - há forma de fazer com que ele respeite o superscript? Se sim, não me parece má ideia, embora dê um pouco mais de trabalho à conta dessa versão a mais...


Isso não sei. É possível que nos casos em que podemos inserir como caracter especial (ª e º) funcionem bem, mas fora isso não conheço ainda maneira de contornar o problema. Vou tentar investigar.

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Re: Abreviaturas - Pronomes de tratamento, números ordinais, etc

Postby Bugman » 18 Mar 2015 00:52

Pergunta relevante: como é que ficámos nos pronomes de tratamento, por extenso ou abreviados? :blink:
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Re: Abreviaturas - Pronomes de tratamento, números ordinais, etc

Postby vampiregrave » 18 Mar 2015 10:23

Bugman wrote:Pergunta relevante: como é que ficámos nos pronomes de tratamento, por extenso ou abreviados? :blink:


Creio que não ficámos :P

Eu estou tentado a desenvolver as abreviaturas, até porque é difícil avaliar se as mesmas foram escolha do autor ou mera aplicação dos critérios correntes na época, por parte do editor.

Em edições recentes tenho visto todos os exemplos que dei aqui inicialmente. Só não encontrei nenhuma que seguisse o original em abreviaturas que caíram em desuso, como snr., como já referi.

No projecto, até à data, adoptei dois critérios: o de desenvolvimento e o da abreviaturas com maiúscula inicial e superscript.

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Re: Abreviaturas - Pronomes de tratamento, números ordinais, etc

Postby Bugman » 18 Mar 2015 13:00

Ok. Vou deixar os pronomes de tratamento da Morgadinha no limbo até termos uma opinião definitiva (ou não faltar mais nada).
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