O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby Samwise » 14 Oct 2014 23:12

This dread was not exactly a dread of physical evil—and yet I should be at a loss how otherwise to define it. I am almost ashamed to own—yes, even in this felon's cell, I am almost ashamed to own—that the terror and horror with which the animal inspired me, had been heightened by one of the merest chimaeras it would be possible to conceive. My wife had called my attention, more than once, to the character of the mark of white hair, of which I have spoken, and which constituted the sole visible difference between the strange beast and the one I had destroyed. The reader will remember that this mark, although large, had been originally very indefinite; but, by slow degrees—degrees nearly imperceptible, and which for a long time my Reason struggled to reject as fanciful—it had, at length, assumed a rigorous distinctness of outline. It was now the representation of an object that I shudder to name—and for this, above all, I loathed, and dreaded, and would have rid myself of the monster had I dared—it was now, I say, the image of a hideous—of a ghastly thing—of the GALLOWS!—oh, mournful and terrible engine of Horror and of Crime—of Agony and of Death!

Vampire wrote:Este pavor não era exactamente um pavor do mal físico, no entanto, não saberia como defini-lo de outra forma. Quase tenho vergonha de reconhecer, sim, mesmo nesta cela de criminoso, quase tenho vergonha de reconhecer que o terror e o horror que o animal me inspirava, haviam aumentado graças a uma das mais simples quimeras que seria possível conceber. Por mais de uma vez, a minha mulher chamara-me a atenção para a natureza da mancha de pêlo branco de que falei, que constituía a única diferença visível entre o estranho animal e aquele que eu havia matado. O leitor recordar-se-á que esta mancha, embora grande, fora originalmente bastante indefinida; mas, de forma gradual, gradual ao ponto de ser quase imperceptível, e apesar de, por muito tempo, a minha Razão se ter debatido por rejeitar como fantasiosa, acabou por assumir uma rigorosa distinção de contorno. Era agora a representação de um objecto que tremo ao nomear, e por isto, acima de tudo, abominava e temia o monstro, e ter-me-ia livrado dele se tivesse ousado. Era agora, digo, a imagem de uma coisa hedionda, de uma coisa pavorosa dos PATÍBULOS! Oh, terrível e fúnebre motor de Horror e de Crime, de Agonia e de Morte!


Uma alternativa, que também necessita de ser trabalhada.

Este pavor não derivava propriamente de uma ameaça física, e no entanto não encontro melhor maneira para o formular. Sinto-me quase envergonhado de admitir - mesmo na reclusão desta cela prisional, sinto-me quase envergonhado de admitir - que o terror e o horror que o animal me transmitia haviam sido acentuados por uma das mais simples quimeras possíveis de conceber. Por mais de uma vez, a minha mulher tinha-me alertado para a singularidade da mancha branca no pêlo do animal, da qual eu já falei, e que constituía a única diferença discernível entre esta estranha criatura e aquela que eu havia destruído. O leitor há-de recordar-se que esta mancha, apesar de abrangente, se mostrava inicialmente bastante indefinida; mas, aos poucos e poucos, de forma quase imperceptível, e de uma maneira que a minha Razão recusou aceitar, a mancha transfigurou-se até assumir contornos rigorosamente delineados. Apresentava agora a forma de um mecanismo que estremeço ao mencionar – e era por esta razão, acima de tudo, que eu odiava e temia, e que me teria feito livrar do monstro se a tal me atrevesse – esta marca apresentava agora, dizia, a forma de um horrendo e assustador mecanismo: de um CADASFALSO! Oh, pavoroso e terrível engenho de Horror e de Crime, de Agonia e de Morte!
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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby Bugman » 11 Nov 2014 14:02

This dread was not exactly a dread of physical evil—and yet I should be at a loss how otherwise to define it. I am almost ashamed to own—yes, even in this felon's cell, I am almost ashamed to own—that the terror and horror with which the animal inspired me, had been heightened by one of the merest chimaeras it would be possible to conceive. My wife had called my attention, more than once, to the character of the mark of white hair, of which I have spoken, and which constituted the sole visible difference between the strange beast and the one I had destroyed. The reader will remember that this mark, although large, had been originally very indefinite; but, by slow degrees—degrees nearly imperceptible, and which for a long time my Reason struggled to reject as fanciful—it had, at length, assumed a rigorous distinctness of outline. It was now the representation of an object that I shudder to name—and for this, above all, I loathed, and dreaded, and would have rid myself of the monster had I dared—it was now, I say, the image of a hideous—of a ghastly thing—of the GALLOWS!—oh, mournful and terrible engine of Horror and of Crime—of Agony and of Death!

Então vamos lá a isto sem ler as vossas:

Este pavor não era bem pavor de um qualquer mal físico, mas torna-se difícil explicá-lo de uma outra forma. Quase que sinto evergonhado, sim, mesmo condenado nesta cela, quase que me envergonho, de ter deixado que o terror e o horror que o animal inspirava em mim tivessem sido exacerbados por uma das poucas quimeras concebíveis. Por mais do que uma vez a minha mulher me havia chamado à atenção para a particularidade do tufo de de pêlo branco, o qual já mencionei, e que constituia a única diferença visivel entre o estranho animal e o que eu destruíra. O leitor lembrar-se-á que este tufo, apesar de grande, não tinha uma forma bem definida; mas aos poucos, de forma quase que imperceptível e que a minha Razão durante muito tempo rejeitou como sendo caprichosa, ela foi assumindo um contorno bem distinto. Por esta altura era j]a a representação de um objecto que eu tremo só de mencionar, e principalmente por este motivo odiei e apavorei-me e ter-me-ia desfeito do monstro se para tal tivesse coragem. Dizia eu que a mancha era agora a imagem de, de uma coisa pavorosa, de uma forca! Oh, lúgubre e terrível engenho do Horror e do Crime, da Agonia e da Morte!


Para lá de grande é complicado! A única parte que me deixou plenamente satisfeito foi a última frase! :blink:
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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby Samwise » 11 Nov 2014 14:09

É boa altura para pegarmos novamente nisto? ^_^

Vou ler ambas as três versões ( :mrgreen: ) e depois passo a comentar.
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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby Bugman » 11 Nov 2014 14:17

Entretanto vou tentar unificar as três propostas (já que gostei mais das vossas do que da minha):

Este pavor não derivava propriamente de uma ameaça física, no entanto, não saberia como defini-lo de outra forma. Quase que tenho vergonha em reconhecer, sim, mesmo condenado nesta cela, quase que me envergonho em reconhecer que o terror e o horror que o animal me transmitia haviam sido acentuados por uma das mais simples quimeras possíveis de conceber. Por mais de uma vez a minha mulher me alertou para a singularidade da mancha branca no pêlo do animal, da qual eu já falei, e que constituía a única diferença discernível entre esta estranha criatura e aquela que eu destruíra.
O leitor recordar-se-á que esta mancha, apesar de grande, não tinha uma forma bem definida; aos poucos, no entanto, e de forma quase que imperceptível, de tal forma que a minha Razão sempre a rejeitou por caprichosa, a mancha transfigurou-se até assumir contornos distintos. Era agora a representação de um objecto cuja menção me arrepia e, acima de tudo, por este motivo eu odiava e temia o monstro e dele me teria livrado, se para tal tivesse coragem. Esta marca apresentava agora, como eu contava, a hedionda imagem de uma FORCA! Oh, lúgubre e terrível engenho do Horror e do Crime, da Agonia e da Morte!


(Mesmo assim ainda mudei coisas... :whistle: )
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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby vampiregrave » 11 Nov 2014 14:50

Vou então ler com mais atenção as vossas (vou presumir que a tua sugestão é esta última Bug).

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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby Bugman » 11 Nov 2014 15:04

A "minha" sugestão é a penúltima. Esta última sou eu a tentar fazer o trabalho de aglutinar, como que para compensar o ter andado distante. ;)
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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby vampiregrave » 11 Nov 2014 15:05

Bugman wrote:A "minha" sugestão é a penúltima. Esta última sou eu a tentar fazer o trabalho de aglutinar, como que para compensar o ter andado distante. ;)


Por isso mesmo, se já andaste por aí a fazer corte e costura, pego nessa :angel:

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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby Samwise » 13 Nov 2014 20:38

1. "FORCA" parece-me a expressão mais indicada para o uso o nosso texto.

2. Apesar de ter sido um termo sugerido pela minha versão( ), não gosto do "acentuados" na frase «...o terror e o horror que o animal me transmitia haviam sido acentuados por uma das mais simples quimeras possíveis de conceber...». Prefiro qualquer uma das vossas sugestões "aumentados" ou "exacerbados".

3. Não gosto da cadência/fluência de leitura do início desta frase: «Por mais de uma vez a minha mulher me alertou para a singularidade da mancha branca no pêlo do animal, ». Sugiro alterar a ordem das palavras para «A minha mulher alertou-me por mais de uma vez para...»

4. «O leitor recordar-se-á que esta mancha, apesar de grande, não tinha uma forma bem definida; aos poucos, no entanto, e de forma quase que imperceptível, de tal forma que a minha Razão sempre a rejeitou por caprichosa, a mancha transfigurou-se até assumir contornos distintos.»

Este frase usa o termo "forma" três vezes de enfiada. Penso que podemos reformular para fazer uma diferenciação pelo menos entre o primeiro e o segundo uso (já que entre o segundo e o terceiro há uma sequência deliberada de repetição). Sugiro "não tinha contornos bem definidos", seguindo a tua primeira proposta, Bugman.

EDIT - Sugiro ainda outras pequenas alterações. A frase no final poderá ficar assim:

«O leitor recordar-se-á que esta mancha, apesar de grande, não tinha os contornos bem definidos; aos poucos, no entanto, e de forma quase que imperceptível, de uma forma que a minha Razão sempre a rejeitou por caprichosa, a mancha transfigurou-se até assumir uma imagem distinta.»

5. «Era agora a representação de um objecto cuja menção me arrepia e, acima de tudo, por este motivo eu odiava e temia o monstro e dele me teria livrado, se para tal tivesse coragem.»

Esta soa um bocado a estranho. Qualquer uma das versões não me soa bem, mesmo considerando que a versão original é já de si bastante "complicadística". Talvez se a tornarmos a "partir" através do uso de pontuação:

«Era agora a representação de um objecto cuja menção me arrepia. Acima de tudo por este motivo, eu odiava e temia o monstro - e dele me teria livrado se para tal tivesse coragem.» Esta ou outra variação que considerem interessante.
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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby vampiregrave » 14 Nov 2014 16:39

Ora aqui vai nova sugestão, tendo em conta os comentários do Sam, com excepção talvez do ponto n.º 3:

Este pavor não era bem o pavor de um mal físico, e no entanto não encontro outra forma para o definir. Sinto-me quase envergonhado ao admitir, sim, mesmo condenado nesta cela, sinto-me quase envergonhado ao admitir que o terror e o horror que o animal me inspirava, haviam sido aumentados por uma das mais simples quimeras possíveis de conceber. Por mais de uma vez a minha mulher me havia chamado à atenção para a particular mancha de pêlo branco de que já falei, e que constituía a única diferença visível entre o estranho animal e aquele que eu havia matado/destruído. O leitor recordar-se-á que esta mancha, embora grande, era inicialmente bastante indefinida; mas, aos poucos, duma forma quase imperceptível e que durante muito tempo a minha Razão rejeitou como fantasiosa, acabou por assumir contornos bem delineados. Assemelhava-se agora a um objecto que sou incapaz de nomear sem estremecer e, acima de tudo por esse motivo, abominava e temia o monstro, e ter-me-ia livrado dele se tivesse coragem para tal. Assemelhava-se agora, dizia eu, à imagem de uma coisa hedionda, de uma coisa pavorosa, de uma FORCA! Oh, lúgubre e terrível engenho de Horror e de Crime, de Agonia e de Morte!

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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby Samwise » 15 Nov 2014 00:51

Matado/destruído -> Não gosto particularmente de nenhuma, mas à falta de outras alternativas que sirvam, e considerando que o texto do Poe usa "destroyed", ia para "destruído".

Por mim, siga para o próximo trecho.
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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby Bugman » 15 Nov 2014 14:13

Tens razão, se calhar não há necessidade de usar três vezes o elemento. Proponho então:

Este pavor não era bem o pavor de a um qualquer mal físico, e mas no entanto não encontro outra forma para de o definir. Sinto-me quase que envergonhado ao admitir, sim, mesmo condenado nesta cela, quase me sinto queenvergonhado ao admitir que o terror e o horror que o animal me inspirava, haviam sido aumentados por uma das mais simples quimeras possíveis de conceber. Por mais de uma vez a minha mulher me havia-me chamado à atenção para a particular mancha de pêlo branco de que já falei, e que constituía a única diferença visível entre o estranho animal e aquele que eu havia destruído. O leitor recordar-se-á que esta mancha, embora grande, era inicialmente bastante indefinida; mas, aos poucos, duma forma quase que imperceptível e que durante muito tempo a minha Razão rejeitou como fantasiosa, acabou por assumir contornos bem delineados. Assemelhava-se agora a um objecto que sou incapaz de nomear sem estremecer e, acima de tudo por esse motivo, abominava e temia o monstro, e ter-me-ia livrado dele se tivesse coragem para tal. Assemelhava-se agora, dizia eu, à imagem de uma coisa hedionda, de uma coisa pavorosa, de uma FORCA! Oh, lúgubre e terrível engenho de Horror e de Crime, de Agonia e de Morte!
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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby vampiregrave » 01 Dec 2014 11:20

Hmmm, dessas sugestões faz-me alguma comichão os «quase que». Segundo o ciberdúvidas, tanto uma como outra versão estão correctas, sendo o «que« utilizado para dar ênfase.

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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby Bugman » 01 Dec 2014 11:46

Porra, fiz "edit" e não quote. É ver o texto anterior.
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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby vampiregrave » 01 Dec 2014 11:52

Bugman wrote:Porra, fiz "edit" e não quote. É ver o texto anterior.


Parece-me bem. Vou alterar no meu ficheiro Word e colocar na primeira página aqui do tópico. Aproveito já para deixar aqui o próximo parágrafo:

And now was I indeed wretched beyond the wretchedness of mere Humanity. And a brute beast —whose fellow I had contemptuously destroyed—a brute beast to work out for me—for me a man, fashioned in the image of the High God—so much of insufferable wo! Alas! neither by day nor by night knew I the blessing of Rest any more! During the former the creature left me no moment alone; and, in the latter, I started, hourly, from dreams of unutterable fear, to find the hot breath of the thing upon my face, and its vast weight—an incarnate Night-Mare that I had no power to shake off—incumbent eternally upon my heart!

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Re: O Gato Preto - Edgar Allan Poe [Tradução]

Postby Bugman » 27 Feb 2015 15:41

And now was I indeed wretched beyond the wretchedness of mere Humanity. And a brute beast —whose fellow I had contemptuously destroyed—a brute beast to work out for me—for me a man, fashioned in the image of the High God—so much of insufferable wo! Alas! neither by day nor by night knew I the blessing of Rest any more! During the former the creature left me no moment alone; and, in the latter, I started, hourly, from dreams of unutterable fear, to find the hot breath of the thing upon my face, and its vast weight—an incarnate Night-Mare that I had no power to shake off—incumbent eternally upon my heart!

Agora encontrava-me pervertido para lá da perversão do comum dos Homens e ter de ser um animal, cujo companheiro eu despeitadamente destruíra, um animal a ter de me ajudar, a mim um homem, criado à imagem do Deus que está no Alto, a ajudar-me no meu pesar. Ai de mim que nem de dia, nem de noite tinha já a benção de Repouso. Durante esse período a criatura nunca me deixava sozinho e à noite eu acordava de sonhos de um medo inenarrável apenas para ser confrontado com o hálito quente da criatura a bafejar-me o rosto e o seu peso imenso repousado sobre o meu coração, um pesadol incarnado que eu não conseguia afastar!


Como me estou a sentir corajoso, vamos lá então abordar este parágrafo. Até agora foi o mais difícil de traduzir. Frases com imensas subordinações, uma linguagem pouco comum e já faz tempo desde que traduzi qualquer coisa, portanto alguns vocábulos podem não estar coerentes com traduções anteriores. Vamos acabar este livro este ano? ;)
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