2º Conto BBDE

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Re: 2º Conto BBDE

Postby Drops » 20 Apr 2005 22:41

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Margarida é invadida por um sentimento estranho... lembrava-se vagamente da noite anterior, vestira-se a rigor para a festa que ia "animar", haviam-lhe dito que não ia ter que fazer nada, só beber, dançar e fazer muito boa figura ao lado de um determinado senhor. Era basicamente tudo o que desejava destes trabalhinhos, divertidos e sem ter que... enfim, o contacto tinha sido feito através da Soraia, nunca fora com a cara dela, já ouvira muitas histórias a seu respeito, mas precisava muito do dinheiro, tinha a renda atrasada, e a mesalidade da faculdade para pagar.
Respirou fundo e foi reconstruindo a noite na sua mente, lembrava-se de onde tinha sido a festa, das pessoas que vira, muitas caras conhecidas, gente influente, lembrava-se de ter começado a dançar e depois... claro! O tal alemão, um tipo com um nome estranho oferecera-lhe uma bebida, e depois disso não se lembrava de mais nada. Tinha sido ele que a prendera ali, de certeza, a conversa que ouvira há pouco era em alemão.
Enquanto pensava nisto continuou a tentar desatar os nós, mas as suas mãos estavam tão geladas, e quase dormentes, que praticamente não lhe obedeciam. Acabou por esfregá-las uma na outra, encostou-as aos lábios soprou, e como não funcionava, acabou por colocá-las entre as pernas até aquecerem um bocado.
Voltou aos nós, e foi-se insultando em voz alta, claro que era apenas para afastar o medo, o facto de ir falando dava-lhe uma certa segurança. Acabou por se libertar dos nós e após uma breve hesitação transpôs a porta aberta pelo lobinho.
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Riobaldo
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Re: 2º Conto BBDE

Postby Riobaldo » 21 Apr 2005 21:54

E ao transpor a porta, Margarida deve ter pensado que o mundo é realmente injusto e que há pessoas com muito pouca sorte: o tal alemão estava mesmo ali a olhar para ela, com dois assistentes com ar de seguranças a ladeá-lo. Tanto trabalho para ir cair... na boca do lobo.
Os dois seguranças agarram-na por entre gritos e tentativas de dentadas e levaram-na para a mesma sala onde estivera Manuel. O procedimento foi o mesmo, excepto que para Margarida foi necessário o recurso a sedativos.
_______

O doutor encaminhou Manuel até uma divisão que representaria um quarto. Mas um quarto muito básico: tinha apenas uma cama com colchão. Mais nada. Na cama, uma rapariga dormia, completamente nua. Margarida.
Manuel encaminhou-se para a cama. O doutor saiu e fechou a porta, deixando-os a sós. Segundo o que tinha percebido, Manuel teria agora que acasalar (fora esta a expressão utilizada pelo doutor) com a rapariga. E segundo a mesma fonte, ela não acordaria nas próximas horas, nem que o mundo acabasse.
Por entre estas hesitações, Manuel já tinha dado tempo ao seu subconsciente para começar a fabricar pensamentos moralistas. Afinal de contas, o que o doutor lhe pedia era que violasse uma rapariga sob o efeito de drogas. Tão simples quanto isso. Mas porquê? Depois de ter sido injectado para uma qualquer experiência que ainda não percebera e depois de ter visto a rapariga submeter-se ao mesmo tratamento, porque quereriam eles que agora... "acasalassem"? Tudo isto começava a cheirar muito mal. Sentou-se no chão, afastado da cama, embrenhado nos seus pensamentos.
Por entre estas hesitações, os seus olhos dirigiram-se para a rapariga. Nua. E era muito atraente. Pensando bem, ninguém saberia que ele o teria feito. E que poderia ele fazer senão submeter-se a isto? Afinal, era a única forma de obter o dinheiro de que tanto precisava. Desabafou em voz alta:
- Mas porque é que a mente humana nos lixa nos momentos mais importantes?
E levantou-se.
Dirigiu-se à porta e tentou abri-la: inútil. Estava fechada. Começou então a bater com força e a gritar. Não demorou muito até que aparecesse o doutor:
- Então? Já fizeste o prrometido?
- Não sou capaz. Não vou violá-la.
- OK.
OK? Era só isso que ele ia dizer? Sim. Não ia dizer mais nada. Mas, em compensação, tirou rapidamente uma seringa do bolso e espetou-a no braço de Manuel. Este caiu desamparado no chão.
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Re: 2º Conto BBDE

Postby Gokuu » 23 Apr 2005 00:21

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Manuel acordou lentamente, e sentiu o seu corpo gelado... Tentou mover os braços e apenas os dedos moviam, e muito pouco. Com o tempo, o seu corpo começou a responder e Manuel pôde tomar mais atenção ao local onde se encontrava.
Sabia que estava deitado. Ao mexer o braço, este chegou ao fim da superfície onde se encontrava e, tal como um pêndulo, ficou a baloiçar no ar. Experimentou abrir os olhos. Branco. Tudo branco à sua volta. Após algum tempo recompôs-se totalmente e sentou-se. O lençol branco que o cobria caiu e Manuel reparou que a sala onde se encontrava parecia uma sala de operações. Virou-se para o lado da marquesa e pôs as pernas para baixo. Algo lhe fazia cócegas no pé esquerdo. Uma etiqueta? "Nome: Manuel Costa. Hora da morte: 10:23"
- Ora esta! Querem ver que morri e não me avisaram?!

Tal como nos filmes, o que se passou antes de desmaiar volta-lhe ao pensamento. As hormonas de lobo, a rapariga nua, a seringa.
- Hmmm... A seringa provavelmente continha uma dose de veneno suficiente para matar um humano. Mas por qualquer razão ainda estou vivo. Mas que raio de cheiro intenso a perfume é este?

Do outro lado da porta da sala, através do pequeno vidro redondo, Manuel distingue uma silhueta feminina a passar apressadamente.
- Claro! As hormonas do lobo devem-me ter apurado o olfacto! E por alguma razão absurda, reagiram com o veneno, e impediram-no de me matar. A RAPARIGA!

No seu interior, Manuel achou que tinha de tentar salvar a rapariga nua.

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Re: 2º Conto BBDE

Postby Archie » 27 Apr 2005 12:15

No entanto algo o intrigava. O irmão, Fernando. Será que ele estava metido naquilo? Ou, como ele, teria sido enganado pelo alemão? O irmão sempre fora tão pacato, não parecia do género de tentar matar o próprio irmão. Como ele estava enganado.

-x-

- Wolfie, livraste-me de boa. É menos uma preocupação que tenho. E agora? O Manel não pode desaparecer assim sem mais nem menos. A minha mãe liga-lhe todas as semanas. Eventualmente alguém vai dar conta do desaparecimento dele.
Wolfgang mantinha a calma. Noutras situações revelara tal frieza. Mas isto não era um problema como os anteriores. Este era o irmão dele. Alguém podia indentificá-lo. Afinal de contas ele esteve sentado a tomar café ao lado dele.
- Mein herr. Cálma. Está tudo trratado. O Ferrnando vai 'morrerr' vitima de uma overrdose. Afinal tu disseste que ele tinha prroblémas com a drroga. Basta colocá-lo num desses becos com uma borracha à volta do antebrráço, serringa na mão e herroína nas veias e está resolvido.
Realmente Wolfie tinha pensado em tudo. Wolfgang pegou no intercomunicador. "Prreparrem o corrpo. Vamos a caminho."
Dirigiram-se para a pequena morgue do complexo. O som dos seus passos ecoava por todo o corredor. Quase que conseguia ver a sua cara com perfeição no reflexo metálico das paredes. No que ele se tinha tornado? Quando era miúdo nem conseguia matar uma mosca. A mínima visão de sangue era o suficiente para o deixar KO. O irmão é que sempre gostava de torturar pequenas mosquinhas arrancando perna atrás de perna, terminando nas asas. De repente o intercomunicador de Wolfgang apita.
- Doutor, o corpo desaparreceu. Procuramos por todo o lado e nada.
- Como pode serr isso possível? Eu acompanhei o corrpo até aí. Eu mesmo verrifiquei os sinais vitais! Scheiße!
- Não é tudo doutor. A rapariga também desapareceu
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Re: 2º Conto BBDE

Postby isabelucha » 30 Apr 2005 17:33

Margarida tenta gritar, mas a sua voz não sai... Nunca tinha visto tal coisa, um homem com a cara e mãos completamente cobertas de pêlo!
Manel apercebe-se do terror que inspira na rapariga, por isso mantém a mão a tapar-lhe a boca, enquanto fala num murmúrio:

- Não tenha medo; não lhe vou fazer mal, aqueles que andam atrás de si também me procuram a mim!

Margarida arregala os olhos e parece querer dizer alguma coisa, mas limita-se a puxar Manel para junto de si e encostar-se ao máximo à parede...

-x-

- Bolas, pareceu-me ter ouvido alguém falar mas não está aqui ninguém... Sigam-me! - diz um homem de voz forte.

-x-

Entretanto, Wolfie e Fernando revistam a sala onde havia pouco tempo Manel estava deitado, supostamente morto; parecem não acreditar que ele tenha desaparecido. Nisto, Fernando aproxima-se da marquesa onde o irmão tinha estado deitado... Ao aproximar-se repara num pequeno monte de pêlo... Comprido. Escuro. Não-humano.
Mal sabia Fernando de onde vinha aquilo.
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Re: 2º Conto BBDE

Postby Pedro Farinha » 30 Apr 2005 23:49

Joaquim de Sousa está sentado numa cadeira em frente à secretária. Enquanto os seus dedos espalham recortes de jornais sobre o tampo de madeira que já conheceu melhores dias, o seu olhar fixa-se pela centésima vez no velho aparelho de fax colocado numa pequena mesinha lateral. Nada.

Põe os pés em cima da mesa e lastima-se de não fumar cachimbo ou charuto para ajudar a compôr o quadro. Joaquim de Sousa está sozinho mas representa para um público invisível.

Lentamente estende a mão para um dos papeis que lhe cobrem a mesa e lê:"Encontrado cadáver de rapariga no rio Tâmega com marcas de dentes de lobo no pescoço". Endireita-se na cadeira e tenta num só olhar abarcar todas aquelas notícias. Ao todo são já sete o número de casos todos eles com o mesmo modus operandis, uma rapariga, normalmente jovem, morta com mordeduras no pescoço e atirada para um rio, lago ou qualquer outro local com água. A de Viseu apareceu numa cisterna.

Finalmente o fax dá sinal de si. Será que a Interpol tem registos de casos semelhantes noutros países ?

Joaquim de Sousa levanta o seu corpo pesado com uma agilidade surpreendente e arrebata o papel do fax. Imbecis ! - exclama. O documento está escrito em alemão e ele não percebe patavina. Tinha tido tanto cuidado em enviar o pedido de auxilío em inglês porque raio de razão lhe respondem em alemão.

Pega no telefone e pede um tradutor. Dizem-lhe que lhe vão mandar um tal de Thanatos. Está bem, resmunga ele, afinal apesar da nudez das raparigas, esta investigação tem muito mais de Thanatos que de Eros.

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Re: 2º Conto BBDE

Postby Samwise » 03 May 2005 18:21

Os dois homens cumprimentaram-se com um aperto de mão. Joaquim convidou Thanatos a entrar e ofereceu-lhe lugar numa cadeira desconfortável no escritório.

Thanatos começou por explicar a Joaquim que aquilo eram procedimentos normais da Interpol. A informação viera directamente da Alemanha em simultâneo para a central e para o seu fax. Era sempre assim. Cabia ao receptor pedir auxílio caso não conseguisse entender a mensagem.

O tradutor pegou na folha - um lençol de papel térmico com cerca de 1 metro de comprimento - e começou a ler. Leu primeiro na sua memória, de maneira a ter uma ideia global do documento e a evitar erros de tradução. A meio da leitura já o seu queixo tinha caído.

'Então homem? O que diz aí?'
'Aaaaaa... um momento... deixe-me acabar de ler...' murmurou Thanatos, sem levantar os olhos da folha.

Uma hora depois os dois agentes estavam enfiados dentro do AX 10 de Joaquim. O destroço ziguezagueava furiosamente através do transito, com destino à zona industrial da cidade.
'De certeza que o automóvel não se vai desintegrar?' Thanatos agarrava-se ao assento com as duas mãos.
'Não se preocupe homem! Já o tenho à 18 anos e nunca me deixou pendurado.'
'Assim fico mais descansado...'

Nem o ruído engasgado do motor mantinha a atenção de Thanatos longe dos contornos sinistros do caso. Cientistas alemães... experiências animalescas com humanos... Yakuzas... tudo no mesmo pote. E os cadáveres multiplicavam-se de país para país. A meio de uma recta o tradutor verificou a sua .38. Nunca a tinha usado fora da linha de treino. Uma situação que estava prestes a alterar-se.

Sam
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

Nemo vir est qui mundum non reddat meliorem?

My taste is only personal, but it's all I have. - Roger Ebert

- Monturo Fotográfico - Câmara Subjectiva -

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Re: 2º Conto BBDE

Postby acrisalves » 07 May 2005 00:02

Fernando senta-se numa cadeira ... com os cotovelos apoiados nas pernas e a cabeça entre as mãos. Reflectindo... pensando no irmão e no que vai acontecer quando ele contactar os pais... Se conseguir contactar os pais... Tenta manter a calma... afinal, o irmão é um mentiroso nato, conhecido na família por inventar histórias mirabolantes.... por outro lado... é difícil sair daqui sem ser apanhado... os lábios esboçam um ligeiro sorriso, e Fernando levanta-se.

Thanatos e Joaquim dirigem-se ao mesmo edifício onde tinha entrado, horas antes, Manel. Com o carro estacionado tocam à campainha. Ninguém atende... optam por contornar o edifício e verificar outras entradas... tudo fechado...deserto... Voltam a dar a volta, desta vez verificando as janelas. Uma delas está entreaberta. Joaquim espreita e vê duas pessoas de bata, a correr.

A saída do túnel desemboca numa praia imunda, cujo cheiro a podre penetra as narinas de Manel e Margarida. A luz forte e quente encandeia os olhos já tão habituados à escuridão. Mas o asiático parece não se sentir incomodado pelo excesso de estimulação dos sentidos, que choca os dois fugitivos. Margarida estremece ao olhar para Manel... Mas o som de passos vindo do túnel, parece trazê-la à realidade. Juntamente com Manel, segue o asiático, embora tropegamente.

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Re: 2º Conto BBDE

Postby Cerridwen » 10 May 2005 20:55

Os três formam um grupo estranho. Todos eles viram as suas vidas mudarem de rumo, sem que nada pudessem fazer para abrandar a súbita mudança. No entanto, nenhum deles consegue prever a catástrofe que poderá advir se Fernando avançar com o seu plano diabólico. Devido ao qual ele se dirige, nesse mesmo momento, para a Central Nuclear, local onde Mikhail já o espera, ansiosamente.

Mikhail nem queria acreditar no que estava a ouvir, quando recebeu o telefonema do seu velho amigo, e estava curioso por saber que motivos o levaram a cometer tal acto, depois de já terem passado tantos anos após o témino da sociedade a que pertenciam ambos, juntamente com um pequeno grupo de cientistas jovens e ambiciosos. Uma sociedade desconhecida por parte dos grupos de amigos e familiares de Fernando, mas desconhecida também, por parte das próprias autoridades, pelo menos durante os anos em que esteve no activo, já que apenas mais tarde começaram a ser visíveis os efeitos das experiências científicas comercializadas por este grupo desconhecido.

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Re: 2º Conto BBDE

Postby Drops » 13 May 2005 23:19

Wolfgang dá um murro na mesa:
- Meus grrandes... grrandes... Scheiße, como deixaram escaparrr aquelex doix?
- Mas senhor...
- Mas nada!!!! IMCOMPETENTES!!! chama-me o Porrrtuguês, o irrmão é dele, ele vai terr que pagarrr!
- Ele também desapareceu senhor... ninguém o viu sair, estáv...
- #$&%$$%&# Não querro saberr. Sai, vai porrcurrá-los, não me incomodem sem terrem boas notícias.
Jaime baixa a cabeça e sai sem dizer mais nada, aquele filho da... mãezinha dele! Não fosse o ordenado ser tão generoso, e o mercado estar tão mau, já lhe tinha dado uma pêra muito bem dada. Percorreu os corredores que o separavam da cave sem levantar a cabeça. Toda a gente sabia que os fugitivos estavam no forte junto à praia, que era a casa de um chinoca maluco, mas nenhum deles tinha a ousadia de se aproximar sequer dali.
Claro que também toda a gente sabia que o Japonês os tiraria dali rapidamente, não fossem as transformações que eles estavam a sofrer... calma! O gajo tinha sido pago para os testes, e se...
- Estás a rir de quê palhaço? - dão-lhe uma palmada no ombro - Não me digas que o Lobo Mau te fez cócegas quando estiveste lá dentro.
Jaime cai na realidade, já estava no laboratório e os colegas olhavam-no como se ele fosse um extra-terrestre.
- Nada, nada... tava a pensar no jogo do benfica... esses é que são uns palhaços, viste aquele frango?
Os restantes envolveram-se numa discussão acalorada e Jaime pôde reunir o material todo que precisava sem dar nas vistas, as duas seringas, o frasquinho do "antídoto" que ainda não fora testado, mas também, eles não sabiam disso. Faltava-lhe apenas um plano para sair dali sem ser visto, e entrar em casa do Samurai sem ser assassinado.
Sai do laboratório sem dizer palavra, porque a discussão subira de tom, e estavam todos demasiados ocupados a falar mal dos treinadores para se aperceberem da sua ausência.
Percorreu o corredor até ao fim, virou à esquerda e entrou na enfermaria em que eles haviam estado, recolheu mais algumas coisas de que poderia precisar, e saiu em direcção aos túneis, e para afastar o medo começa a rezar:
- Avé Maria, cheia de Graça tens a barriga cheia de massa, Pai nosso que estais no céu, dá-me palhas para o meu chapéu...
Nunca soubera rezar como deve ser! Riu-se a bom rir... se as coisas corressem bem ele aprendia, promessa de escuteiro!
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Re: 2º Conto BBDE

Postby Thanatos » 14 May 2005 09:16

O asiático apresentou-se como sendo Wang-Park Choo, sul-coreano, agente da CREDO. Em breves palavras explicou-lhes o que se passava e instou-os a segui-lo o mais rápido possível até à casa dele que ficava no promontório que se projectava sobre a baía. Manuel e Margarida, demasiado exaustos sequer para raciocinarem seguiram-no lançando olhares um ao outro. Manuel a pouco e pouco tomava consciência do seu aspecto alterado. Doíam-lhe todas as articulações mas acima de tudo tinha uma valente dor de dentes. Parecia que os maxilares não lhe cabiam na cabeça. Era uma dor surda e ininterrupta que lhe toldava a mente. Os braços, outrora marcados pelas equimoses de dezenas de picadas estavam agora encobertos por uma espessa camada de pêlo negro, forte e lustroso.

Margarida não conseguia deixar de olhar de soslaio para o homem que encontrara naquele estranho laboratório. Apesar de ter os traços indubitáveis de um homem, a cada minuto que passava adquiria uma fisionomia mais bestialesca. Margarida estava apreensiva. O futuro parecia-lhe incerto. Entre este semi-lobo e o samurai desvairado e o laboratório nazi que ficara lá para trás, as opções não eram muitas, nem de contornos agradáveis. Se pudesse apanhar um telemóvel a jeito. Nem que fosse por cinco minutos.

-- * --

Ajudado por Thanatos, Joaquim esgueira-se pela janela e em seguida ajuda o agente-tradutor a subir. O laboratório parece em revolução. Homens de bata correm dum lado para o outro, seguranças falam freneticamente aos rádios e no meio do caos ninguém lhes dá uma segunda olhadela. É a segurança à portuguesa! Joaquim indica um corredor que leva aos escritórios e Thanatos acena. Dirigem-se para ele e pouco antes de alcançarem a metade do corredor vêem um homem alto, de cabelo louro cortado à escovinha sair dum dos gabinetes vociferando com um outro que se acanha perante a torrente de palavras guturais. O homem pára a meio duma frase ao reparar neles. Por um breve instante o tempo parece cristalizado. De seguida o homem mete a mão dentro da bata donde tira uma pistola que aponta na direcção deles. Um tiro certeiro no braço arranca-lhe um grito de dor ao mesmo tempo que a pistola cai inerte na alcatifa. O assistente aproveita a confusão para se esquivar e fugir pelo corredor fora. Joaquim olha atónito para o homem agarrado ao braço, o ouvido direito ainda zunindo do impacto provocado pela descarga da .38 de Thanatos.
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

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Re: 2º Conto BBDE

Postby Gokuu » 18 May 2005 10:37

-*-*-*-*-

Os nervos dão para estas coisas... Uns choram, outros entram em desespero... o Jaime ri...
Correndo pelos túneis, Jaime pensa que ele talvez possa ser a única hipótese do Manuel voltar ao normal, se bem que o antídoto nunca foi testado... Ao passar pelos corpos dos dois guardas, vê que está no caminho certo.
- Eh, o chinoca sabe o que faz... cada tiro cada melro... Espero que não me mate antes de conseguir explicar o que quero fazer...
Os nervos crescem cada vez mais, à medida que se aproxima do fim do túnel.

-*-*-*-*-

Em casa do asiático, Margarida entra em desespero ao ver a crescente transformação de Manuel
- Mas o que se passa aqui?! Este tipo está a mudar a olhos vistos!
- Calma - explica Manuel - eu explico... Eu ando com uns problemas de dinheiro e pedi ao meu irmão que me arranjasse algum. A maneira que ele teve de me ajudar foi "doar-me" para uma experiência científica. Só que das duas uma, ou a experiência falhou e eu fiquei assim, ou então correu exacta...
Manuel aproxima-se da janela enquanto explica, e a sua visão (mais apurada devido às hormonas do lobo) permitem-no ver um homem sozinho a sair do túnel, aparentemente desarmado.
- Vem aí alguém!

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Re: 2º Conto BBDE

Postby Archie » 19 May 2005 18:58

O coreano prontamente aproximou-se da janela para ver quem vinha. Era um dos homens do laboratório, sem dúvida. Mas este não estava armado. Eles não se atreveriam a sair desarmados. Sabia bem o receio que tinham dele.
- Fiquem aqui - disse. E saiu pela porta dos fundos.
Entretanto Jaime aproximava-se cada vez mais da entrada da casa até que sentiu, vinda do nada, uma lâmina prestes a retirar-lhe o 'caroço' da sua 'maçã de Adão'.
- Calma! Venho ajudar-vos. Tenho aqui o antidoto para a mutação. Ainda não foi testado, mas é a única hipótese dele. - lentamente levou a mão ao bolso para retirar o frasco e estava prestes a entregar ao coreano quando um tiro certeiro, vindo das suas costas, rebentou com o frasco.
Choo prontamente afastou Jaime para o lado e rebolaram pela encosta. Algo reluzia no topo da torre do Bloco B.
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