The Brood - A Ninhada

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The Brood - A Ninhada

Postby Samwise » 26 Apr 2010 00:35

Há monstros no sotão...

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Realizado em 1979 por David Cronenberg, The Brood representa uma sólida manifestação numa temática que é cara ao autor e que viria a torna-se dominante na sua obra: a deformidade física (quase sempre levada a níveis extremos que a colocam nos terrenos do ficção científica e do horror) e o modo como esta é gerada e alimentada pelas perturbações psicológicas do indivíduo. Com a fixação neste terror que "vem do interior", o medo, o desconforto e a repulsa são sensações amplificadas pelo nível de proximidade e identificação que ocorre entre o espectador e os intervenientes. Para este efeito contribuem também os cenários - localizações domésticas em que abundam espaços apertados e pesadamente decorados (papeis de parede, alcatifas, mobiliário diverso, etc) - e o respectivo contraste que estabelecem com as vidas dos protagonistas, frequentemente pautadas pelo isolamento e pela frieza da reclusão social, e que resultam num clima de subtil claustrofobia, depressão e paranóia. Estas características, que trabalham paralelamente à apresentação mais directa do horror nos filmes de Cronenberg, marcam no final a diferença para obras de terror mais convencionais, uma vez que mantém o espectador num estado de perturbação construído à margem dos típicos pressupostos do género - algo que nos trabalha na mente sem que nos apercebamos directamente da situação.

Em The Brood, as deformidades físicas da protagonista (e aquilo que "significam" na prática) advêm do impacto de uma situação de divórcio e de rejeição (algo que o realizador revelou ter baseado no seu próprio processo de desmantelamento conjugal), e de um tratamento psicológico especializado controverso, patenteado por um médico com aspecto de charlatão (situação que não foge muito à realidade, uma vez que ele não tem mãos para dominar o método que criou, e sobretudo não consegue gerir as convulsões mais ou menos espontâneas que vão surgindo das sessões terapêuticas), e mantido no segredo dos deuses, mesmo para os familiares dos pacientes submetidos ao processo.

Os métodos profissionais do Dr. Raglan (Oliver Reed) passam por confrontar directamente os doentes com os seus traumas pessoais através de diálogos em sessões de role-play em que ele deixa de ser o "médico" e passa a desempenhar papeis de pessoas conhecidas desses doentes. Os doentes, por seu turno, durante a terapia aparentam entrar numa espécie de transe hipnótico e reajam como se a situação fosse a realidade. Se por um lado Raglan mostra extrema segurança na condução dos diálogos e na consequente expurgação (momentânea, pelo menos) das aflições psicológicas dos doentes, por outro esta metodologia vai criar situações imprevisíveis - sequelas físicas graves - que ele, por não conseguir controlar e por ao mesmo tempo se sentir fascinado, vai alimentando e escondendo da opinião pública. Contudo, há indícios de que esta ocultação nem sempre ocorreu - ou não ocorreu para todos os casos. No início do filme, e naquilo que aos olhos do espectador aparenta ser uma cena de uma peça de teatro (só mais tarde vamos perceber o que ali se passou de facto), Raglan mostra como decorre uma dessas sessões terapêuticas perante uma plateia - um caso demonstrativo do sucesso do tratamento.Há que acrescentar um outro pormenor para ajudar a explicar o secretismo envolvido nestes tratamentos: os doentes ficam internados numa clínica especializada, em que as visitas são limitadas pelo médico. A reclusão passará, nalguns casos, por ser total.

No caso de Nola Carver (Samantha Eggar), a gravidade do seu trauma, em conjunto com o "tratamento" a que é submetida, vai dar oportunidade a Cronenberg para levar a água ao seu moinho: a revelação de um lado mais obscuro primário e violento no ser humano , e a sua consequente materialização física/psíquica em algo de animalesco, literalmente (basta olhar para o processo de nascimento dos monstros). Trata-se no fundo de uma pequena-grande variação à história de Dr. Jeckyll and Mr. Hyde, com o lado animalesco a semear a destruição e o pânico em resposta aos impulsos de vingança reprimidos (mantidos sob controlo) pelo lado "bom". Em vez de ser um soro a servir de mecanismo de separação, temos uma metodologia psiquiátrica experimental que falha no objectivo de curar a doença e apenas a canaliza para o lado físico.
Guido: "A felicidade consiste em conseguir dizer a verdade sem magoar ninguém." -

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Re: The Brood - A Ninhada

Postby annawen » 26 Apr 2010 01:18

Eu já vi o filme e tirei uma data de apontamentos. Mas só vai dar para falar deles amanhã uma vez que já é muito tarde. Por isso... to be continued... para mim também.

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Re: The Brood - A Ninhada

Postby Thanatos » 26 Apr 2010 08:03

A cliníca do médico/guru não vos lembra algumas seitas de brain washing que andaram por aí nas bocas do mundo há uns anos?
Não importa como, não importa quando, não importa onde, a culpa será sempre do T!

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Re: The Brood - A Ninhada

Postby urukai » 26 Apr 2010 09:40

O ambiente é claustrofóbico mas, por vezes, também roça o enfadonho.
Tou no pda e nao posso fazer grandes testamentos mas logo darei os meus bitaites.

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Re: The Brood - A Ninhada

Postby annawen » 26 Apr 2010 11:47

Bem, eu tenho algumas coisas para dizer sobre o filme, não tenho é muito tempo seguido para escrever, por isso isto vai ser aos bocados. Também não tenho os meu apontamentos, daí ir de memória mesmo.

Antes de avançar: Tal como o Sam disse noutro lado, este filme é muito bom. Não é dos melhores do Cronenberg, mas é muito interessante.

Primeiro ponto: Este é um filme bastante hitchcockiano. Só nesta revisão é que me apercebi do quanto. Na realidade, é uma mistura de temas hitchcokianos com temas cronenbergianos. Temos então:

1) o regresso do reprimido. (falarei mais sobre isto).

2) O aparecimento daquilo que Zizek considera como o sinal hitchockiano por exceleência: a "mancha". O que é a "mancha"? É um elemento que se destaca do real. Que vem perturbar o real. Neste caso, na minha interpretação, esse elemento são as criaturas. Até visual elas são a "mancha": os anoraks que as tornam distintivas mas ao mesmo tempo as confundem com a miúda.

3) Os aspectos freudianos do filme.

4) A relação da filha com a mãe ou melhor, das filhas com as mães. Nos filmes do Hitchcock a mãe está sempre associada ao super-ego. Exemplos: "Psico", "Os Pássaros", "Marnie". A relação da filha/filho com esta mãe poderosa, castradora é uma característica hitchcockiana que está neste filme plenamente representada. Em dose dupla: A mãe da Nola e a Nola. E provavelmente, aponta o final, a miúda. Num processo de eterno retorno do reprimido que não tem fim à vista. Os pecados dos pais passam para os filhos. Aliás é engraçado ver que é a partir do momento em que avó morre que a Nola começa a ganhar confiança e o psicólogo, na luta de vontades, perde terreno. Isso vê-se logo durante a sessão sobre o pai de Nola, que vai dar origem à morte deste. O final da sessão mostra que a vontade de Nola já supera a do psicológo quando ela lhe diz que ele (referindo-se ao pai) nunca a protegeu da mãe (uma afirmação com que o psicólogo não contava). (falarei mais sobre isto).

5) A extraordinária música de Howard Shore.

to be continued

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Re: The Brood - A Ninhada

Postby Samwise » 26 Apr 2010 12:05

Annawen, entretanto já terminei a introdução - ficou tudo no primeiro post.

A densidade do filme, a nível psicológico, é deveras espantosa. Já estava à espera que as questões freudianas viessem à baila na tua análise ( :mrgreen: ) - sim, porque o filme é bem propenso a esse tipo de comparações, não só por causa das questões do inconsciente/sub-consciente, ect, mas também por efeitos da própria metodologia de terapia - não estava era a contar com Hichcock. :o

Thanatos wrote:A cliníca do médico/guru não vos lembra algumas seitas de brain washing que andaram por aí nas bocas do mundo há uns anos?


Sim. E não só - aquela sessão pública no início fez-me lembrar os vendedores de banha da cobra do velho oeste... :mrgreen:
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Re: The Brood - A Ninhada

Postby urukai » 26 Apr 2010 13:09

Alguns apontamentos dispersos:

1.Não considero o médico um charlatão. Ou melhor, consideraria-o um charlatão na nossa realidade mas na realidade do filme as suas terapias afectam fisicamente os doentes. Na cena introdutória, o homem vai ganhando chagas à medida que a sessão avança. São transformações físicas, objectivas que estão a ser provocadas por algo (traumas psicológicos? terapêutica medicamentosa? Hipnose?). Ou seja, a metodologia do médico tem efeito. Pode ser adverso ou afectar indirectamente outras condições patológicas presentes nos doentes mas não o considero um charlatão.

2.As questões que a Annawen levanta são bastante mais densas e profundas do que aquilo que eu estava a pensar comentar/abordar, até porque reconheço a minha ignorância em filmes anteriores à década de 80/90, mas consigo reconhecer alguma consistência e validade nas observações feitas.

3.Em termos narrativos, considero o filme apressado. As cenas seguem-se em catadupa sem qualquer ponto de referência cronológico. (principalmente, no início) Parece-me demasiado encenado o que retira alguma credibilidade à estória contada.

4.Concordo com o Sam quando diz que os interiores são claustrofobicos mas a inépcia com que certas cenas foram filmadas, a morte da avó por exemplo, parecem-me pouco intemporais e de certa forma são caricatas pelo que não suscitam grande antagonismo para com o vilão. Outra cena que incluo nesta é a morte da professora com os martelos de brincar. Achei ridiculo e reconheço que esta cena tinha um potencial incrivel pelo facto das crianças assistirem.

5.Eu sei que não está relacionado mas a criança e os gémeos maus fizeram-me lembrar o puto louro do “Let the right one in”. Deve ser dos anoraks.

6.A ideia base do filme é muito boa. A materialização da raiva e ódio da mãe através de apêndices vivos foi muito bem esgalhada.

7.Admito que a cena final. Dela a lamber a massa disforme que lhe rebentou do útero é nojenta e muito audaz. Na altura em que o filme foi lançado deve ter sido deveras polémica e ground-breaking. Tanto que li na wikipedia que foi omitida/censurada na versão que foi para os cinemas;

Por agora é tudo. Mas penso que já vão percebendo porque não achei o filme nada do outro mundo. É um puzzle de peças muito boas, coloridas e impactantes, mas num fundo de céu azul e monotóno com muitas peças iguais e baças.

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Re: The Brood - A Ninhada

Postby annawen » 26 Apr 2010 13:22

Samwise wrote:não estava era a contar com Hichcock. :o


Oh yeah. E mais direi sobre o assunto quando tiver tempo.

Os métodos profissionais do Dr. Raglan (Oliver Reed) passam por confrontar directamente os doentes com os seus traumas pessoais através de diálogos em sessões de role-play em que ele deixa de ser o "médico" e passa a desempenhar papeis de pessoas conhecidas desses doentes. Os doentes, por seu turno, durante a terapia aparentam entrar numa espécie de transe hipnótico e reajam como se a situação fosse a realidade. Se por um lado Raglan mostra extrema segurança na condução dos diálogos e na consequente expurgação (momentânea, pelo menos) das aflições psicológicas dos doentes, por outro esta metodologia vai criar situações imprevisíveis - sequelas físicas graves - que ele, por não conseguir controlar e por ao mesmo tempo se sentir fascinado, vai alimentando e escondendo da opinião pública.


Eu fiquei com uma ideia ligeiramente diferente do método da psicoplasmose. Penso que o objectivo é precisamente tornar visível o reprimido. Como? Mostrando-o no corpo. Não esquecer o cartaz "The shape of rage" presente na clínica e o livro também (não consegui ver a autoria mas não me admiraria nada que fosse do psiquiatra). Isto não é muito explícito no filme, mas foi assim que eu interpretei. Trata-se de tornar a raiva visível para 1) ser facilmente controlada pelo médico; 2) se torne verdadeira para o doente. Isto é, o doente ao vê-la no corpo, percebe-a como verdade. Ao percebê-la como verdade, pode enfrentá-la e aceitá-la e, se possível, vencê-la. Por que é que o método falha? Por que a partir do momento em que a raiva, como força, passa para o corpo, torna-se incontrolável. Nem mesmo a Nola consegue controlar as criaturas conscientemente, só inconscientemente (o que faz com que a personagem dela faça ao mesmo tempo uma ligação entre o super-ego e o id, tal como acontece em "Psico", segundo Zizek. Mas quando chegar a casa explico melhor o que quero dizer). Toda esta revolta do corpo é muito cronenbergiana. Fez-me lembrar uma frase que li há pouco tempo do Foucault (noutro contexto). Diz ele: "A alma é a prisão do corpo". Entendendo como alma, a psique. Neste filme, isto é verdade. A psicoplasmose liberta o reprimido (a raiva, neste caso) e ele regressa como mutações no corpo. Todos os doentes do médico têm marcas no corpo.

Em vez de ser um soro a servir de mecanismo de separação, temos uma metodologia psiquiátrica experimental que falha no objectivo de curar a doença e apenas a canaliza para o lado físico.


Como disse em cima, penso que era esse o objectivo da terapia. E é exactamente por isso que ela falha. Em Cronenberg é sempre perigoso brincar-se com o corpo. O corpo é sempre o local da verdade. Onde a verdade está exposta, se torna visível.

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Re: The Brood - A Ninhada

Postby urukai » 26 Apr 2010 13:36

Certo o que o afasta da ideia tradicional de charlatao. Sera antes um medico sem escrupulos que faz experiencias nos doentes. Mas a externalizacao da mente no corpo como objectivo da terapia falha numa coisa. A filha da nola nao foi alvo de terapia e apresenta os sintomas.
Ou seja, na minha opiniao a terapia nao causa as mutacoes apenas as exarceba e por esta ordem de ideiaso cronenberg defende que um tumor sera sempre causado pela mente de um individuo. Ou seja, inconscientemente provocaremos os nossos tumores.

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Re: The Brood - A Ninhada

Postby annawen » 26 Apr 2010 13:48

urukai wrote:Certo o que o afasta da ideia tradicional de charlatao. Sera antes um medico sem escrupulos que faz experiencias nos doentes.


Eu não o vejo como uma pessoa sem escrúpulos. Eu vejo-o como um homem que quer controlar uma doença. Como psiquiatra ou psicólogo representa sem dúvida um instrumento de poder. E não será por acaso que a terapia se assemelha muito a um confronto.

Mas a externalizacao da mente no corpo como objectivo da terapia falha numa coisa. A filha da nola nao foi alvo de terapia e apresenta os sintomas. Ou seja, na minha opiniao a terapia nao causa as mutacoes apenas as exarceba e por esta ordem de ideias o cronenberg defende que um tumor sera sempre causado pela mente de um individuo. Ou seja, inconscientemente provocaremos os nossos tumores.


Está bem visto. Mas não podemos esquecer que a Nola é apresentada como um caso especial. Talvez a filha também o seja e não precise de terapia para tornar visível, no corpo, o reprimido.

O corpo em Cronenberg é sempre um lugar de luta entre vontades. Neste filme, entre a vontade do psiquiatra e a dos doentes. Ou então, entre as forças da psique do doente.

Mais uma coisa: a autópsia à criatura é muito interessante. A criatura vê tudo a preto e branco, não vê as cores. De igual forma é a Nola. Que também é uma personagem que não tem cinzentos. Ou ama ou odeia, sem meio termo. No filme, o ódio está mais presente. Outra pista: As criaturas não falam. Como representações do Id, isto é, do inconsciente, não podem falar. Pois o Id não se expressa verbalmente.

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Re: The Brood - A Ninhada

Postby urukai » 26 Apr 2010 14:06

Sem escrupulos talvez seja forte demais. Mas sem duvida que ele atropelava a etica para perseguir os seus interesses no que respeitava ao desenvolvimento da pratica clinica.

Ja nao me lembrava da autopsia. E concordo ctg.

Quanto ao caso da Nola ser um caso especial tb admito que sim. Em termos de quantidade e qualidade. Ou seja, os tumores que ela purgava tinham vida propria e eram mais do que um aglomerado de celulas como por exemplo o tumor do pescoco do outro que ia processar o medico.
O que nao faz sentido é a afeiçao que a nola sentia pelas criaturas. Ha ai um contrasenso. se as mesmas eram uma externalizacao fisica do seu odio, porque raio as lamberia como um filho?
É q nesse caso deixa de ser um tumor e passa a ser algo fisiologicamente normal e aceite, como um bebe. E isso nao se passava com os outros doentes que tinham sempre manifestacoes indesejadas e negativas.

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Re: The Brood - A Ninhada

Postby annawen » 26 Apr 2010 14:53

urukai wrote:Quanto ao caso da Nola ser um caso especial tb admito que sim. Em termos de quantidade e qualidade. Ou seja, os tumores que ela purgava tinham vida propria e eram mais do que um aglomerado de celulas como por exemplo o tumor do pescoco do outro que ia processar o medico.


Mais do que isso. Enquanto que o cancro do outro se volta contra ele, como um inimigo (na realidade é isso que um cancro é), no caso da Nola, as criaturas atacam os outros. Elas são as manifestações do seu poder.

O que nao faz sentido é a afeiçao que a nola sentia pelas criaturas. Ha ai um contrasenso. se as mesmas eram uma externalizacao fisica do seu odio, porque raio as lamberia como um filho?


Faz todo o sentido, mas para te explicar preciso de tempo. Logo à noite porei aqui a minha interpretação.

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Re: The Brood - A Ninhada

Postby Samwise » 26 Apr 2010 15:14

Também estou sem tempo, mas estou a ler e a :pipoca: .

(há tantos, mas tantos, pormenores de relevo "escondidos" pelo filme adentro... :stars:)

Um de que me lembrei agora: repararam como as criaturas escondem a irmã na outra sala, para que não presencie o ataque
à professora?

Quanto ao "processo" de geração das criaturas, também tenho algo a dizer - mais tarde.
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Re: The Brood - A Ninhada

Postby urukai » 26 Apr 2010 15:20

@ Annawen

Acho que consigo prever o que me vais dizer.
Vais argumentar q a Nola mãe que lambe os filhos maus não é uma Nola consciente. É o seu super-ego alterado, psicótico e inconsciente que o faz. Eu respondo:
Tudo bem! Mas entao como é que a psique da Nola, apenas capaz de ódio e raiva é capaz de um gesto de ternura e amor como o é lamber os filhos que acabaram de nascer. Eu consegui destrinçar naquela cena grostesca algum amor, doentio sem duvida, mas amor e para mim é ai que está o contrasenso. É claro que podes contra argumentar que é apenas empatia ou instinto protector. Ou entao surpreendes-me e tens outra abordagem!

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Re: The Brood - A Ninhada

Postby annawen » 26 Apr 2010 16:11

urukai wrote:@ Annawen

Acho que consigo prever o que me vais dizer.
Vais argumentar q a Nola mãe que lambe os filhos maus não é uma Nola consciente. É o seu super-ego alterado, psicótico e inconsciente que o faz. Eu respondo:
Tudo bem! Mas entao como é que a psique da Nola, apenas capaz de ódio e raiva é capaz de um gesto de ternura e amor como o é lamber os filhos que acabaram de nascer. Eu consegui destrinçar naquela cena grostesca algum amor, doentio sem duvida, mas amor e para mim é ai que está o contrasenso. É claro que podes contra argumentar que é apenas empatia ou instinto protector. Ou entao surpreendes-me e tens outra abordagem!


Just wait and see. :mrgreen:


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